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O erro de 35 milhões: por que o mercado de crédito perde dinheiro ao ignorar os brasileiros “invisíveis”

Rafaela Cavalcanti, cofundadora e CEO da CloQ - Crédito da imagem Luciano Alves

Rafaela Cavalcanti, cofundadora e CEO da CloQ - Crédito da imagem Luciano Alves

Ausência de histórico financeiro ainda exclui milhões de consumidores do crédito formal e limita a identificação de novos clientes pelo mercado, aponta especialista

O mercado de crédito brasileiro pode estar deixando de atender milhões de consumidores que não apresentam restrições financeiras, mas acabam ficando fora das análises tradicionais por falta de histórico. De acordo com a Serasa Experian, 35,3 milhões de brasileiros, o equivalente a 21,7% da população adulta, não possuem qualquer registro financeiro no CPF e integram o grupo dos chamados “Thin Files”. Entre eles, 80,5% não estão negativados, mas ainda enfrentam dificuldades para acessar produtos e serviços financeiros. 

“Não ter registro de crédito não é a mesma coisa que ter um histórico ruim. O problema é que, quando os modelos consideram apenas as informações financeiras tradicionais, milhões de pessoas acabam sendo avaliadas a partir daquilo que não têm, e não do comportamento que de fato apresentam”, afirma Rafaela Cavalcanti, CEO da CloQ, fintech que desenvolveu score comportamental para ampliar o acesso e ajudar brasileiros a construir histórico positivo. 

A falta de registros pode atingir pessoas que ainda não tiveram acesso a produtos financeiros, que atuam na informalidade ou que simplesmente não construíram uma trajetória suficiente dentro do sistema tradicional. Na prática, mesmo consumidores sem restrições no CPF podem encontrar dificuldades para obter crédito por não apresentarem informações suficientes para os modelos convencionais de avaliação.

“É um ciclo difícil de romper. Para construir um registro, o consumidor precisa ter acesso ao crédito, mas, para consegui-lo, muitas vezes necessita apresentar um histórico que ainda não existe. Isso faz com que uma parcela relevante da população permaneça fora das análises tradicionais”, explica Rafaela.

O efeito não está restrito ao usuário. Para o mercado financeiro, deixar de considerar esse público também significa limitar a identificação de potenciais clientes e oportunidades de crédito. Com 35,3 milhões de adultos sem registros financeiros e a maioria deles sem negativação, existe uma parcela significativa de consumidores que permanece pouco representada nas avaliações tradicionais de risco.

É justamente nesse espaço que modelos baseados em dados alternativos ganham relevância. “Na CloQ, utilizamos inteligência artificial própria para analisar o comportamento financeiro dos usuários e construir um score comportamental que considera informações além dos critérios convencionais de renda e score. Quando a análise olha para esses fatores, surge uma forma mais ampla de avaliar o risco. Isso permite compreender melhor pessoas que ainda não possuem um histórico tradicional e identificar sinais que não aparecem em outros modelos”, finaliza Rafaela.

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