Tecnologia

O fim das planilhas: o procurement como centro estratégico na era da IA autônoma

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Por Erick Boano**

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de automação para assumir um papel decisivo na estratégia das áreas de compras. Com a chegada da IA agêntica, capaz de executar tarefas de forma autônoma, interpretar contextos e tomar decisões, as empresas começam a transformar o procurement (área que coordena o processo estratégico que identifica, seleciona, negocia e adquire bens ou serviços externos) em uma operação preditiva, integrada e inteligente.

Este movimento já acelera globalmente. Segundo a Gartner, os investimentos em softwares de supply chain com IA agêntica devem saltar de menos de US$ 2 bilhões em 2025 para US$ 53 bilhões até 2030, ano em que 60% das empresas do setor terão esses recursos implementados. Na prática, análises de fornecedores, monitoramento de riscos e simulações de cenários deixam as planilhas manuais e passam a ser executadas por agentes inteligentes em tempo real.

Durante muitos anos, as áreas de compras atuaram de forma extremamente operacional e reativa. A IA agêntica muda esse cenário porque atua integrada a ERPs e plataformas corporativas, monitorando indicadores econômicos, identificando oscilações de preços e recomendando negociações automaticamente. Isso reduz o tempo gasto em atividades repetitivas e aumenta a capacidade analítica das equipes.

Essa transformação redesenha o perfil de competências da área. Dados da Gartner mostram que 55% dos líderes globais de supply chain acreditam que a tecnologia reduzirá contratações operacionais de entrada, enquanto 86% afirmam que será necessário desenvolver novas competências voltadas à colaboração entre humanos e IA. O comprador do futuro será um gestor estratégico; a máquina executa, mas o olhar humano continua essencial para governança e relacionamento.

Contudo, o avanço exige maturidade e filtro contra o hype. A Gartner já alerta sobre o “agent washing”, quando automações tradicionais são vendidas como IA agêntica sem ter autonomia real ou aprendizado contínuo. Superados os desafios de governança e validação de dados, os ganhos são inquestionáveis: um estudo na plataforma arXiv apontou que múltiplos agentes de IA reduziram o tempo de análise de disrupções logísticas globais de dias para poucos minutos.

O movimento é irreversível. O procurement está se tornando um centro inteligente de tomada de decisão. Quem continuar dependendo exclusivamente de processos tradicionais terá extrema dificuldade para competir em um mercado orientado por velocidade, dados e previsibilidade.

**Erick Boano é CEO da GEP Brasil, líder global em soluções de software, consultoria e outsourcing para Procurement e Supply Chain, reconhecida como Líder no Gartner Magic Quadrant™ 2026

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