Por Laura Porto
Escritor, Poeta e Neuromentora
Existe um momento silencioso em que você percebe que precisa mudar.
Ou ainda pior, as mudanças veem sem pedir licença e sem dar tempo de você entender ou se acostumar.
É preciso mudar, nada necessariamente deu errado. Mas também… nada mais encaixa. E a mudança precisa acontecer.
O que antes fazia sentido começa a pesar. O que era confortável passa a incomodar.
E, mesmo assim, você hesita. Não por falta de clareza. Mas por algo mais profundo: resistência. É normal, é humano!
E é nesse ponto que muitos se julgam. Sentem um frio na barriga, coração apertado, falta ou excesso de sono, palpitações, irritabilidade, aumento de apetite, e uma série de distúrbios.
Alguns ainda chamam de medo, de insegurança, de falta de coragem.
Mas a verdade é menos dura e mais humana.
O medo da mudança não é fraqueza. É funcionamento.
O cérebro humano não foi projetado para expansão constante. Não foi projetado, mas pode ser motivado e treinado para isso.
Foi projetado para sobrevivência, mas podemos ultrapassar essa barreira e ajustar para o que podemos e queremos viver melhor hoje em dia.
E, para ele, o desconhecido não representa oportunidade. Representa risco. Mas no fundo no fundo ele gosta de ser motivado e de criar novas conexões.
Aqui cabe a idéia de Espinosa, que diz que corpo e mente podem de seve ser uma junção de equilíbrio e uma só coisa fortalecendo o que há de melhor entre corpo e alma.
Tudo o que é novo exige energia. Exige adaptação. Exige sair de padrões já consolidados. E quando rompemos essas barreiras, o belo acontece.
E o cérebro tende a economiza energia sempre que pode. Mas no fundo no fundo ele gostar mesmo é de se exercitar, ele funcional melhor assim, ele vive melhor assim.
Mas isso leva tempo, é condicionamento mesmo. Mas o normal é que ele ele prefere o conhecido mesmo que o conhecido não seja bom.
Prefere o previsível ao possível. O confortável ao transformador. O seguro ao verdadeiro.
E então você permanece.
Não porque não quer crescer.
Mas porque, biologicamente, existe um sistema inteiro tentando te manter onde você já sabe como sobreviver.
Mas a escolha de sair dessa zona de conforto é individual, e tomar essa decisão, muda tudo.
Você não está falhando. Você está sendo humano.
Mas existe um ponto importante e decisivo. Compreender o mecanismo não pode se tornar desculpa para permanecer.
Porque evolução nunca foi sobre ausência de medo. Sempre foi sobre atravessá-lo. Requer romper padrões pré determinados. Crescer exige desconforto.
Exige dar um passo sem garantias.
Exige sustentar a incerteza por um tempo.
Exige confiar antes de ter prova. E isso, sim, é desafiador.
Mas talvez o maior erro seja esperar se sentir pronto. Só vai! Vai com medo mesmo. Porque o cérebro dificilmente vai te dar essa autorização. Segurança total é uma ilusão.
O que existe é escolha.
Você pode continuar onde está com o custo silencioso de não se expandir.
Ou pode avançar com o desconforto temporário de se reconstruir.
Ambos têm preço. Mas apenas um deles te leva para frente.
E, no fim, não é sobre eliminar o medo. É sobre não deixar que ele decida por você.
Porque o medo pode até ser automático. Mas a decisão…essa ainda é sua.

