Profissionalização da gestão, marketing estruturado e foco em indicadores ajudaram dezenas de clínicas a superar a marca de R$ 1 milhão em faturamento mensal e impulsionam uma nova geração de empresários da saúde
Durante décadas, o sucesso de uma clínica odontológica esteve diretamente ligado à reputação técnica do profissional. Hoje, porém, uma mudança silenciosa vem redesenhando o setor. Em um mercado que reúne mais de 430 mil cirurgiões-dentistas em atividade no Brasil, segundo dados do Conselho Federal de Odontologia (CFO), cresce o número de profissionais que deixaram de atuar apenas como clínicos para assumir o papel de gestores e empresários.
O resultado aparece nos números, somente em 2025, 67 clínicas odontológicas ligadas ao ecossistema do Grupo ICOM ultrapassaram a marca de R$1 milhão em faturamento mensal.
Para Ricardo Novack, administrador e sócio-diretor do Grupo ICOM, a transformação não está relacionada apenas ao aumento da demanda por tratamentos odontológicos, mas principalmente à mudança de mentalidade dos profissionais. Segundo ele, o consultório deixou de ser apenas um local de atendimento para se tornar uma empresa que exige gestão financeira, liderança, processos comerciais, marketing e indicadores de desempenho.
“Durante muito tempo, acreditou-se que bastava ser um excelente dentista para ter uma clínica de sucesso. Hoje, a realidade mostra que o crescimento sustentável depende da capacidade de gestão. O profissional que entende seus números, desenvolve equipe e estrutura processos consegue construir um negócio muito mais sólido e previsível”, afirma Novack.
A mudança ocorre em um momento de expansão do mercado de saúde privada no país. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que o Brasil mantém mais de 52 milhões de beneficiários de planos médico-hospitalares, o maior patamar da última década. Ao mesmo tempo, pacientes passaram a exigir mais conveniência, rapidez no atendimento, experiência diferenciada e relacionamento contínuo com as clínicas.
Nesse contexto, a gestão profissional passou a ocupar espaço central na estratégia de crescimento. Processos comerciais estruturados, treinamento de equipes, monitoramento da jornada do paciente, uso de tecnologia e acompanhamento de indicadores financeiros deixaram de ser diferenciais para se tornarem requisitos básicos para quem pretende expandir.
“O dentista continua sendo o responsável pela excelência clínica, mas a clínica precisa funcionar como uma empresa. Quando existem processos claros, metas definidas e acompanhamento dos resultados, o crescimento deixa de depender exclusivamente da agenda do profissional”, explica Novack.
A profissionalização também tem impacto direto na economia. Clínicas que crescem ampliam equipes, contratam recepcionistas, gestores, especialistas, profissionais de marketing, fornecedores, laboratórios e parceiros locais. O resultado é um ciclo que gera empregos, movimenta serviços e fortalece economias regionais.
Segundo o Grupo ICOM, que reúne mais de 14.000 clínicas em sua base de atendimento, os negócios que alcançam maior crescimento costumam compartilhar características semelhantes. Entre elas estão o controle rigoroso do fluxo de caixa, acompanhamento de métricas operacionais, estratégias estruturadas de aquisição de pacientes e investimento contínuo em capacitação de equipes.
A profissionalização do setor também impulsionou a formação de comunidades empresariais dentro da odontologia. Masterminds, grupos de desenvolvimento e programas de acompanhamento passaram a conectar gestores de diferentes regiões do país para compartilhar experiências, estratégias e soluções práticas para desafios comuns.
Para Novack, esse movimento representa uma das maiores transformações da história recente da odontologia brasileira. “Estamos vendo uma geração de profissionais que continua apaixonada pela prática clínica, mas que também entende a importância de construir empresas organizadas, lucrativas e preparadas para crescer. Isso fortalece o setor inteiro e melhora a experiência do paciente”, afirma.
Mais do que aumentar o faturamento, a mudança tem criado clínicas mais estruturadas, capazes de investir em tecnologia, ampliar acesso aos tratamentos e oferecer uma experiência mais consistente ao paciente. Em um mercado cada vez mais competitivo, a capacidade de empreender passou a ser tão importante quanto a capacidade de atender.

