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O novo desafio da inclusão financeira: ampliar o acesso sem abrir mão da transparência 

Rafaela Cavalcanti, cofundadora e CEO da CloQ - Crédito da imagem Luciano Alves

Rafaela Cavalcanti, cofundadora e CEO da CloQ - Crédito da imagem Luciano Alves

Rafa Cavalcanti, cofundadora e CEO da CloQ, explica como práticas responsáveis podem contribuir para uma relação mais saudável com o crédito 

O avanço da inclusão financeira no Brasil também amplia a demanda por crédito entre pessoas com pouco ou nenhum histórico financeiro. Segundo dados da Serasa Experian, 35,3 milhões de adultos, o equivalente a 21,7% da população, não possuem conta, cartão ou histórico de crédito. Ao mesmo tempo em que esse público representa uma oportunidade para ampliar o acesso a serviços financeiros, o cenário exige atenção à forma como o crédito é oferecido, especialmente para consumidores mais vulneráveis.

A discussão ganha espaço em um mercado no qual o acesso ao crédito precisa vir acompanhado de informação e responsabilidade. Para Rafa Cavalcanti, CEO e cofundadora da CloQ, fintech que desenvolveu um score comportamental para ampliar o acesso ao crédito e ajudar brasileiros a construir um histórico positivo, a inclusão financeira não significa apenas disponibilizar crédito, mas estabelecer uma relação transparente com o consumidor desde a contratação até o pagamento.

“É preciso olhar para toda a jornada do consumidor e deixar claro quanto ele vai pagar, quais são as condições, como funciona a cobrança e quais alternativas existem caso tenha dificuldade para quitar. Transparência também é uma forma de inclusão”, afirma Rafaela.

O crescimento desse mercado coloca em evidência a necessidade de boas práticas na relação entre empresas de crédito e consumidores. Para quem possui pouca experiência com produtos financeiros, informações sobre taxas, juros, prazos e consequências de um atraso podem ser determinantes para uma decisão consciente.

É nesse cenário que a CloQ atua combinando acesso ao crédito com critérios de concessão e relacionamento baseados em transparência. A fintech utiliza dados alternativos e comportamento financeiro para desenvolver um score comportamental voltado a pessoas que possuem pouco ou nenhum histórico nos modelos tradicionais de análise.

A proposta também considera o crédito como uma construção gradual. Por meio do nano-crédito, o consumidor pode começar com valores menores e, conforme demonstra seu comportamento de pagamento, ter acesso a limites maiores. A lógica busca reduzir a distância entre consumidores sem histórico e o sistema financeiro tradicional, sem expô-los, desde o primeiro acesso, a valores incompatíveis com sua realidade.

“O nosso objetivo não é simplesmente colocar mais pessoas no mercado de crédito. É criar uma porta de entrada que faça sentido para quem está começando, com valores adequados e informações claras”, explica a executiva.

Além dos critérios utilizados para a concessão, a relação com o consumidor também passa pela forma como as condições do crédito são apresentadas e como eventuais dificuldades de pagamento são tratadas. Para a CEO, desde a fundação da CloQ,  taxas, condições e consequências de um eventual atraso precisam ser comunicadas com clareza desde o primeiro contrato, enquanto a política de cobrança deve evitar práticas agressivas ou informais e estabelecer canais para que o consumidor possa buscar alternativas quando necessário. 

“Essa abordagem também se conecta à educação financeira, já que consumidores que entram no sistema financeiro pela primeira vez precisam ter condições de compreender as decisões que estão tomando, seus impactos no orçamento e as responsabilidades envolvidas em uma operação de crédito”, complementa a CEO da CloQ.

Ferramentas digitais podem contribuir para esse processo ao facilitar o acompanhamento de pagamentos, apresentar informações sobre custos e tornar mais acessíveis conceitos como juros, parcelas e limites. Mais do que facilitar o acesso, a tecnologia pode ajudar a tornar a relação com o crédito mais clara e previsível para quem ainda está construindo sua trajetória financeira.

Nesse sentido, a inclusão financeira deixa de ser apenas uma questão de ampliar o número de pessoas com acesso ao crédito e passa a envolver também a qualidade dessa relação. Para consumidores historicamente excluídos do sistema tradicional, uma experiência baseada em transparência, informação e responsabilidade pode contribuir para construir confiança, desenvolver um histórico positivo e estabelecer uma relação mais saudável com o crédito.

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