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O protagonismo econômico que nasce das feiras culturais e redefine o empreendedorismo criativo no Brasil

A metodologia criada por Carina Zamboni transforma iniciativas culturais em polos de inovação e empreendedorismo, consolidando o Brasil como referência em economia criativa.

Nos últimos anos, o Brasil tem testemunhado uma nova forma de desenvolvimento econômico brotar longe dos grandes centros financeiros: das feiras culturais e coletivos criativos que movimentam renda, inovação e pertencimento. Um dos casos mais emblemáticos vem do Mato Grosso do Sul, onde um modelo de economia criativa criado em Campo Grande começa a chamar atenção de especialistas, universidades e instituições nacionais e internacionais. O projeto — que uniu curadoria, formação e sustentabilidade — transformou o ato de vender produtos em um processo de desenvolvimento territorial. A metodologia aplicada na Feira Bosque da Paz, reconhecida como um dos polos mais consistentes da economia criativa no país, demonstra como o empreendedorismo pode emergir de iniciativas culturais com impacto real na economia local. Somente nos últimos 12 meses, mais de R$ 15 milhões circularam no estado por meio de empreendedores formados dentro do modelo. Especialistas afirmam que o diferencial da proposta está na capacidade de articular redes. A iniciativa conecta pequenos negócios criativos a universidades, instituições de fomento e empresas com pautas ligadas a inovação, ESG e sustentabilidade — traduzindo o que antes era visto apenas como produção cultural em um campo fértil para geração de valor econômico. “A economia criativa é, antes de tudo, um campo de oportunidades. Quando pequenos empreendedores passam por processos de formação, curadoria e formalização, o impacto é imediato: eles passam a existir também como agentes econômicos”, explica Carina Zamboni, curadora e pesquisadora da metodologia. Com uma atuação crescente junto a instituições de ensino e fóruns internacionais, o modelo de Campo Grande se tornou referência para outras regiões brasileiras interessadas em diversificar suas matrizes produtivas. A metodologia tem sido estudada como um novo modelo de política pública para cidades que buscam alinhar inovação, impacto social e sustentabilidade. A partir dessa experiência, o Mato Grosso do Sul se consolidou como um dos laboratórios mais promissores de uma nova agenda nacional: a da economia criativa como vetor de desenvolvimento. O modelo reflete um Brasil que começa a projetar sua própria narrativa de crescimento — uma que nasce das mãos de empreendedores culturais, mas alcança o coração da economia.

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