Ícone do site Economia S/A

O que faz Santa Catarina formar empresas que ganham o Brasil?

Reginaldo Boeira-Créditos da foto: Divulgação

Reginaldo Boeira-Créditos da foto: Divulgação

Com baixa taxa de desemprego, indústria acima da média nacional, valorização imobiliária e maior saldo migratório do país, o estado reúne fatores que ajudam a explicar a expansão de marcas nascidas fora do eixo Rio-São Paulo. WEG, Baly, Havan e KNN Idiomas estão entre os exemplos de empresas catarinenses que cresceram a partir de cidades médias.

Santa Catarina,nos últimos anos, passou a ganhar mais peso no mapa do empreendedorismo brasileiro, com marcas que nasceram em cidades médias, longe dos grandes centros financeiros, e alcançaram projeção nacional e até internacional. É o caso da WEG, de Jaraguá do Sul; da Baly, de Tubarão; da Havan, de Brusque; e da KNN Idiomas, de Balneário Camboriú. Em comum, esses negócios mostram como empresas criadas fora do eixo Rio-São Paulo conseguem crescer apoiadas em gestão próxima, reinvestimento, disciplina operacional e visão de longo prazo.

Segundo a Secretaria de Estado do Planejamento, o PIB catarinense teve crescimento estimado de 3,9% em 2025, acima da média nacional projetada para o mesmo período, de 2,3%. Dados do Observatório FIESC também mostram que Santa Catarina registrou taxa de desocupação de 2,7% no primeiro trimestre de 2026, menos da metade da média brasileira, de 6,1%. Na indústria, o estado teve saldo de 1.538 empregos em abril e 24.344 no acumulado do ano, além de utilização da capacidade instalada de 75%, acima da média nacional, de 68%.

A força catarinense também aparece no mercado imobiliário e na atração de novos moradores. O Índice FipeZap de maio de 2026 mostra que Santa Catarina concentra quatro das cinco cidades com o metro quadrado residencial mais caro do país entre as cidades monitoradas: Itapema, Balneário Camboriú, Florianópolis e Itajaí. Já o Censo 2022 do IBGE apontou Santa Catarina como o Estado com maior saldo migratório e maior taxa líquida de migração do Brasil, com ganho líquido de 354.350 pessoas entre 2017 e 2022.

Para Reginaldo Kaeneêne, fundador e CEO da KNN Idiomas, a combinação entre economia diversificada, cultura de trabalho e proximidade da operação ajuda a explicar por que tantas empresas catarinenses conseguem sair do estado e disputar mercado nacionalmente. “Santa Catarina tem uma característica muito forte: o empreendedor cresce perto da operação. Ele conhece o cliente, acompanha os números, entende o time e aprende a escalar com controle. Essa proximidade cria uma base sólida para a empresa ganhar tamanho sem perder eficiência”, afirma.

A trajetória da KNN Idiomas é um exemplo. Nascida em Santa Catarina, a rede soma mais de 670 unidades negociadas e mais de 473 escolas abertas em mais de 550 cidades brasileiras. Para Kaeneêne, o modelo catarinense favorece empresas que precisam de escala porque combina polos econômicos descentralizados, mão de obra qualificada, fornecedores próximos e cultura empresarial voltada à execução. “O estado não depende de um único centro de negócios. Existem várias cidades com vocação econômica, e isso cria um ambiente fértil para empresas que querem crescer”, avalia.

Na visão do empresário, o avanço de marcas catarinenses mostra que a localização deixou de ser uma barreira para negócios com estratégia bem definida. “Durante muito tempo, existia a ideia de que uma empresa precisava estar em São Paulo para se tornar nacional. Hoje, Santa Catarina mostra que é possível criar uma marca forte a partir de outras bases. O desafio é transformar crescimento em permanência, com cultura forte, gestão profissional e capacidade de atravessar gerações”, conclui Kaeneêne.

Sair da versão mobile