Segurança

O risco no seguro viagem “gratuito” do cartão de crédito

2 Mins read

Benefício oferecido pelos bancos tem exigências pouco conhecidas e pode deixar o viajante sem proteção em emergências no exterior

Em um cenário de retomada do turismo internacional e planejamento financeiro cada vez mais minucioso por parte dos brasileiros, um item muitas vezes negligenciado pode gerar um rombo inesperado no orçamento: o seguro viagem. Segundo a Coris, referência em assistência e seguro viagem, a crença de que o benefício oferecido gratuitamente pelos cartões de crédito é suficiente para qualquer eventualidade esconde uma série de restrições que, na prática, podem deixar o viajante desprotegido no momento de maior necessidade.

O benefício, frequentemente divulgado como uma grande vantagem por bancos e operadoras de cartão de crédito, está atrelado a condições rigorosas que a maioria dos consumidores desconhece. A principal delas, que invalida a cobertura para muitos, é a obrigatoriedade de ter comprado a passagem aérea (ida e volta) com o mesmo cartão que oferece o seguro.

“É a armadilha mais comum. O cliente usa um cartão para acumular milhas na compra da passagem e acredita estar coberto pelo seguro de um outro cartão, de bandeira superior. Na hora de acionar, descobre que não tem direito a nada”, alerta Claudia Brito, Diretora Comercial e Marketing da Coris.

As barreiras, no entanto, vão muito além. Em um momento de estresse, como a busca por um atendimento médico de emergência em um país estrangeiro, a comunicação pode se tornar um obstáculo crítico. Muitas vezes, mesmo quando um atendimento em português é oferecido por esses serviços, ele é realizado por operadores não nativos. Em um momento de alta tensão, a falta de fluidez, sotaques carregados e a comunicação imprecisa podem gerar mal-entendidos e atrasos cruciais na orientação para o hospital mais próximo ou na simples compreensão dos procedimentos.

As diferenças na prática: o que o seguro do cartão não cobre

A análise detalhada das apólices revela um abismo entre a proteção básica do cartão e a oferecida por uma seguradora especializada. Enquanto o primeiro foca em eventos mais genéricos, o segundo é desenhado para as necessidades reais do viajante moderno, oferecendo um leque de coberturas que podem representar a diferença entre um transtorno e uma crise financeira.

Quadro comparativo simplificado:

CoberturaSeguro do Cartão de Crédito (Geralmente)Seguro Viagem Coris
AtendimentoPortuguês frequentemente com atendente não nativo, gerando risco de falhas na comunicação24h e em português, com equipe nativa e especializada
Doenças PreexistentesCobertura restrita ou inexistenteCobertura específica, garantindo tratamento para crises
Despesas OdontológicasLimitada a acidentes, com baixo capital seguradoCobertura ampla para urgências e emergências
Prática de EsportesExcluída na maioria das apólicesCobertura para modalidades amadoras, profissionais, treino e competições 
Assistência para PETNão disponívelIncluída em algumas coberturas, garantindo até USD 200 para despesas emergenciais
Capital Segurado(DMH)* Valores geralmente inferiores e padronizadosDMHO* Valores flexíveis e mais elevados, adequados a destinos como Europa e EUA
Acionamento
Geralmente por reembolso, exigindo pagamento do viajante no local.Direto, com o atendimento em rede referenciada.

O investimento em um seguro viagem especializado, segundo a executiva, deve ser visto como parte do planejamento financeiro da viagem, e não como um custo extra. “Planos abrangentes, com coberturas robustas, podem ser encontrados a partir de R$30 por dia, já incluindo assistências que os cartões sequer oferecem, como a cobertura para emergências com pets”, comenta.

“O consumidor precisa se perguntar: a tranquilidade da minha família e a proteção do meu patrimônio valem essa pequena economia? No mercado financeiro, é falado muito sobre avaliar riscos. Na hora de viajar, essa lógica é a mesma”, finaliza a diretora.

Related posts
InformaçõesSegurança

Furtos respondem por 75% dos sinistros com veículos atendidos pela Carsystem em 2026

3 Mins read
Levantamento nacional com 1.389 casos de roubo e furto mostra que manhã lidera os acionamentos e que 85,1% dos veículos envolvidos nas…
SegurançaTecnologia

Cibersegurança sai da sala de TI e vira o risco número um na agenda dos CEOs

4 Mins read
Por Gabriel Pedroso, Head da Selbetti Cybersecurity Solutions  Pela primeira vez, a segurança digital ocupa o topo da lista de preocupações dos principais executivos do país. Na…
SegurançaTecnologia

Brasil está entre os 8 países do mundo com maior conhecimento sobre cibersegurança e privacidade online 

6 Mins read
Pesquisa da NordVPN mostra que brasileiros dominam práticas tradicionais, como criação de senhas fortes, mas ainda encontram dificuldades para identificar deepfakes, golpes…