Das mais de 600 atividades econômicas listadas no País, 96 apresentam índices de litigiosidade elevada no Judiciário trabalhista. A informação consta na primeira edição do Observatório da Justiça do Trabalho, um levantamento que analisou 5,04 milhões de novas ações trabalhistas que ingressaram em 2024 e 2025.
A análise leva em conta o novo Indicador de Intensidade Setorial (IIS) desenvolvido para o estudo inédito contratado pela BT Créditos. “O IIS compara a participação de cada atividade econômica no total de processos trabalhistas com a participação no total de vínculos formais de emprego do setor com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2025. Um índice de 1,5 significa, por exemplo, que a participação daquele setor nos processos equivale a 1,5 vez a participação dele no emprego formal”, explica o coordenador técnico do Observatório, Carlos Ragazzo, que também é professor da FGV Direito Rio.
O levantamento mostra que o conjunto de atividades com litigiosidade elevada reúne segmentos de diferentes áreas da economia, incluindo atividades industriais, financeiras e societárias, além de setores regulados, de infraestrutura e logística. O resultado difere do ranking por volume absoluto de processos, no qual ganham peso atividades com as maiores quantidades de vínculo formais de trabalhadores.
“Para o cálculo do IIS, o estudo considerou apenas atividades com, pelo menos, cinco mil vínculos formais na RAIS 2025, reduzindo possíveis distorções provocadas por bases muito pequenas. As faixas do indicador são uma convenção analítica desenvolvida pelo Observatório e não correspondem a classificações jurídicas ou regulatórias”, comenta Ragazzo.
“Quando olhamos o conjunto, percebemos que a intensidade relativa elevada não aparece apenas em algumas atividades no topo do ranking. São 96 setores com índice igual ou superior a 1,5, distribuídos por diferentes áreas da economia. O IIS permite enxergar essa dimensão que o volume absoluto de processos, sozinho, não mostra”, afirma.
O fundador da BT Créditos, Rafael Lima, ressalta que o mapeamento amplia a leitura do contencioso trabalhista porque permite comparar atividades com dimensões muito diferentes. “Em vez de observar apenas onde existe o maior número de processos, conseguimos identificar também em quais setores a participação nos processos é proporcionalmente maior do que a presença desse setor no emprego formal”, destaca.
“A continuidade do Observatório permitirá que possamos acompanhar não apenas quem aparece nas primeiras posições, mas o comportamento desse conjunto mais amplo de atividades econômicas. Nas próximas edições, poderemos observar quantos setores permanecem nessa faixa e como a composição desse grupo evolui ao longo do tempo”, salienta o CEO da BT Créditos, Claudio Lensing.
Os dados completos do estudo, a metodologia e os recortes do levantamento estão disponíveis para download gratuito no site Observatório da Justiça do Trabalho.

