
Entre as principais inseguranças que costumam levá-los ao isolamento, o executivo, especialista em liderança, Renato Trisciuzzi, destaca: medo de falhar, não ser respeitado; insegurança em delegar e ser alvo de críticas
Liderar é difícil, ainda mais quando o líder ainda se mantém sob a égide do modelo de comando e controle, caracterizado por uma figura de autoridade bem definida, que não está aberta ao diálogo com seus liderados e que demanda que seu poder seja exercido sem contestação. A liderança nesse contexto é marcada por práticas conservadoras, como, por exemplo: não assumir a própria vulnerabilidade; ser avesso ao trabalho 100% remoto ou híbrido; adotar dress code rígidos; focar apenas em aspectos operacionais e ignorar aspectos motivacionais; não compartilhar responsabilidades; e encarar o trabalho somente como uma obrigação e não como um propósito de vida. Todas essas atitudes têm grande potencial de prejudicar a relação dos líderes com seus liderados, o que, a longo prazo, pode gerar diversos prejuízos aos negócios.
O mundo dos negócios da atualidade tem valorizado o modelo de liderança transformacional e colaborativa em detrimento do modelo de comando e controle. Os líderes tradicionais, muitos dos quais baby boomers, nascidos entre 1946 e 1964, sabem disso e sentem-se cada vez mais ameaçados. Nesse contexto emergem diversos temores que tornam, para eles, a tarefa de liderar um desafio muito complexo. O executivo e doutor em administração de empresas, em seu livro “Os 4 Pilares da Liderança Imbatível – Propósito, comunicação, pessoas e resultados”, Renato Trisciuzzi, destaca alguns desses medos a seguir.
Conforme o especialista, falhar é um dos principais medos que costumam acometer os gestores. “Eles se preocupam em não obter os resultados esperados e, dessa forma, perder a confiança da equipe e de seus superiores”, diz. Não ser respeitado é outro medo comum. Não é raro que líderes novatos temam não ser vistos como uma autoridade legítima, ainda mais se anteriormente mantinham uma relação de pé de igualdade com a equipe. “Tal medo pode levar a tomadas hesitantes de decisão ou a abordagens excessivamente autoritárias”, afirma. Delegar é mais um receio corriqueiro do gestor e decorre, geralmente, da falta de confiança em si mesmo ou na equipe. “Isso pode resultar em sobrecarga de trabalho para o líder e baixo desenvolvimento para os liderados”, ressalta o mentor e palestrante.
Envolver-se em conflitos também é um medo que os líderes que enfrentam essa transição de modelo costumam ter, assim como o de tomar decisões impopulares. No primeiro caso, afirma o doutor em administração de empresas, o líder teme criar um ambiente de trabalho hostil ao cobrar, por exemplo, um colaborador que não esteja cumprindo com suas responsabilidades. Entretanto, evitar o confronto faz com que os problemas não sejam efetivamente resolvidos e costuma baixar a moral da equipe. No segundo caso, explica Trisciuzzi, o gestor hesita ao implementar ações como cortes de orçamento ou benefícios, demissões etc. porque acredita que, ao não serem bem recebidas, essas decisões possam prejudicar o relacionamento com a equipe e os stakeholders.
“Tão comum quanto o temor da impopularidade é o de não atender às expectativas de superiores“, diz o executivo. Conforme ele, quando se veem diante de metas agressivas estipuladas pela alta administração, muitos líderes preocupam-se em receber a pecha de incompetentes ou incapazes, caso não consigam atendê-las. Também relativo à competência, o medo de perder o controle assombra os líderes desses novos tempos. “Por mais incrível que pareça, há gestores que têm pavor de que a implementação de novas metodologias de trabalho possa provocar uma perda de controle dos processos e dos resultados da equipe”, afirma. Do medo de perder o controle comumente decorre um outro tipo de receio: o de ser alvo de críticas. Segundo Trisciuzzi, tomar decisões inovadoras faz com que muitos gestores saiam da zona de conforto e fiquem mais expostos às opiniões de subordinados e superiores.
Os dois últimos medos que, de acordo com o mentor e palestrante, habitualmente assolam os líderes são o de falhar na comunicação e o de interagir com outras áreas. Por estarem em um ambiente em que várias gerações convivem entre si, alguns gestores evitam dar feedbacks ou instruções, acreditando que não serão bem compreendidos por sua equipe. “Tal conduta não raramente leva a mal-entendidos, falhas na execução e frustração geral”, comenta. Com relação ao receio de interagir com outros departamentos, o executivo argumenta que esse modo de agir pode fazer com que o gestor perca possibilidades de se desenvolver ao conhecer outros ambientes e atividades.
Não obstante esses medos atrapalharem o desempenho do líder, levando-o a experimentar a solidão, Trisciuzzi ressalta a importância dessas inseguranças para o desenvolvimento do profissional que exerce a função, desde que sejam levadas à consciência. “Reconhecer os próprios medos e trabalhar ativamente para superá-los pode ajudar os gestores a se tornarem mais eficazes e confiantes”, afirma o executivo, ponderando que uma liderança imbatível é aquela que equilibra controle com confiança, e autoridade com inspiração.
RENATO TRISCIUZZI tem mais de trinta anos de experiência em liderança, auditoria, riscos e compliance. É mentor, palestrante internacional, professor, mestre em Controle de Gestão e doutor em Administração de Empresas. Ganhou uma premiação com uma das cinco melhores pesquisas científicas no III Congresso Ibero Americano de Contabilidade de Gestão, que aconteceu em Valência, na Espanha, em 2009. Renato trabalha inspirando pessoas a impulsionarem as próprias carreiras e negócios.
Concomitantemente a sua carreira profissional, Trisciuzzi exerceu e ainda exerce cargos em associações ligadas à auditoria interna. Em 2011, tornou-se presidente do Conselho de Administração do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil), exercendo a função por cinco anos. O reconhecimento o levou a ser parte do Conselho de Administração do The Institute of Internal Auditors – associação internacional que congrega mais de 260.000 profissionais de mais de 120 países. Em outubro de 2024, foi eleito presidente executivo e do Conselho de Administração da Fundação Latino-americana de Auditores Internos (FLAI).

Ficha técnica
Editora: Gente Autoridade; 1ª edição (10 fevereiro 2025)
Idioma: Português
Capa comum: 192 páginas
ISBN-10: 6561070313
ISBN-13: 978-6561070317
Dimensões: 16 x 1 x 23 cm
Valor: R$ 69,90








