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Os delírios da Inteligência Artificial e os riscos para a empregabilidade

Bárbara Nogueira - Credito-Karic-Jhony

Bárbara Nogueira - Credito-Karic-Jhony

Por Bárbara Nogueira

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa de futuro e passou a fazer parte do presente corporativo. Ela está inserida em processos seletivos, análises de desempenho, atendimento ao cliente e decisões estratégicas. No entanto, à medida que se torna mais acessível, cresce também um fenômeno preocupante: o deslumbramento com a tecnologia.

O fascínio pela IA faz com que muitos profissionais acreditem que ela é infalível. Essa crença cega representa um risco real. A IA é poderosa, mas também falha. Ela comete erros, cria informações imprecisas e apresenta dados com aparência de verdade que nem sempre correspondem à realidade.

Recentemente, um caso chamou atenção: uma profissional foi demitida após publicar informações falsas na mídia, baseando-se exclusivamente em pesquisas feitas com inteligência artificial. Ela não conferiu as fontes, não validou os dados e acabou comprometendo sua credibilidade. Esse episódio ilustra o perigo de delegar completamente o pensamento à tecnologia.

Confiar sem questionar é abrir mão da responsabilidade sobre o que se produz. A checagem, a análise crítica e o discernimento continuam sendo papéis exclusivamente humanos. A IA pode sugerir caminhos, mas cabe a nós decidir se são confiáveis.

O verdadeiro risco para a empregabilidade está em como utilizamos essas ferramentas. Profissionais que apenas reproduzem o que a tecnologia entrega tendem a perder relevância, pois não agregam valor além do que o algoritmo oferece. Por outro lado, quem domina a IA, compreende seus limites e a utiliza de forma estratégica tende a se destacar.

Nas empresas, o uso inadequado da IA pode gerar ruído, decisões equivocadas e impactos na reputação. Automatizar processos sem preparo e sem revisão humana cria uma falsa sensação de produtividade, mas reduz a qualidade e aumenta o risco de erro.

Usar a inteligência artificial de forma inteligente exige atenção, verificação e responsabilidade. É fundamental checar as informações, compreender o contexto e manter o controle sobre o que é produzido. A IA deve apoiar o trabalho humano, e não substituí-lo.

À medida que a tecnologia avança, o diferencial estará na maturidade de quem a utiliza. Em um cenário de excesso de informação e velocidade digital, manter a clareza de pensamento e o senso crítico será o maior sinal de competência profissional.

Sobre a autora

*Bárbara Nogueira é Diretora, Career Advisor & Headhunter da Prime Talent, empresa presente em 27 países pela Agilium Group. Ao longo de sua carreira já avaliou mais de 15 mil executivos de alta gestão. É colunista da rádio 98 News e Conselheira de Administração pela Fundação Dom Cabral / FDC e do ChildFund Brasil. Ela possui certificação de Executive Coach pela International Association of Coaching, é especialista em Microexpressões e Programação Neurolinguística e possui vivência Internacional na Inglaterra e Estados Unidos.

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