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Pesquisa da FGV e Elementar Comunicação mostra que mulheres são só 7,6% dos principais CEOs brasileiros no LinkedIn, mas engajam acima da média

Leandro Herculano e Luciana Lima-Credito: Pedro Mamore

Leandro Herculano e Luciana Lima-Credito: Pedro Mamore

Maior volume de publicações, abordagem mais pessoal e escolha dos temas ajudam a explicar o desempenho das executivas

As mulheres ainda ocupam uma parcela pequena dos principais cargos executivos do país. As que chegaram ao comando das empresas, porém, usam o LinkedIn com mais frequência e obtêm resultados acima da média. É o que revela um estudo inédito liderado pela professora do Centro de Estudos em Marketing Digital da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), Lilian Carvalho, em parceria com a Elementar Comunicação, especializada em reputação de líderes e marcas. O levantamento mapeou o comportamento de 225 presidentes das maiores empresas do país, unicórnios e instituições financeiras no LinkedIn, entre 2025 e 2026.

Entre as 225 lideranças presentes e ativas na plataforma, 17 são mulheres, o equivalente a 7,56% da amostra. Em 2022, elas representavam menos de 5% da base analisada. A participação feminina cresceu em três anos, mas continua distante de uma representação equilibrada no topo das organizações.

As executivas publicaram, em média, 44,82 vezes no ano, ante 36,07 publicações na média geral. A frequência é cerca de 24% maior. Elas também acumularam uma média de 98.760 interações por executiva, acima das 95.297 registradas pelo conjunto analisado.

“Os dados afastam a ideia de que faltam interesse ou repertório às mulheres para participar da conversa pública sobre negócios. Quando chegam aos cargos de comando, elas mantêm uma presença mais frequente e alcançam resultados competitivos. O gargalo está no acesso ainda restrito à principal posição das organizações”, afirma Luciana Lima, sócia da Elementar.

Presença pequena, impacto visível

A baixa representação se repete entre os perfis com maior engajamento bruto. Apenas uma mulher aparece no Top 10 do levantamento. Ana Sanches, da Anglo American, ocupa a décima posição, com 89.994 interações em 61 publicações.

Outras executivas aparecem próximas das primeiras colocações. Magda Chambriard, da Petrobras, ficou em 12º lugar, com 84.527 interações e 111 posts. Tarciana Medeiros, do Banco do Brasil, ocupa a 19ª posição, com 65.565 interações em 83 publicações. Jeane Tsutsui, do Grupo Fleury, aparece em 40º lugar, com 34.062 interações e 79 posts.

As mulheres mapeadas comandam organizações de setores importantes para a economia, como mineração, petróleo e gás, bancos, saúde e educação. A análise qualitativa do relatório indica que elas combinam temas institucionais e de mercado com relatos pessoais, sobretudo em discussões sobre o ambiente de trabalho, o desenvolvimento organizacional e a cultura.

“O desempenho dessas executivas chama a atenção porque ocorre em setores expostos e regulados, nos quais a fala da liderança precisa conciliar estratégia, reputação e prestação de contas. A comunicação pode dar visibilidade à liderança, mas não resolve as barreiras estruturais que mantêm poucas mulheres no cargo de CEO”, analisa a professora Lilian Carvalho.

Mais presença não significa publicar por publicar

A presença digital dos CEOs brasileiros aumentou desde 2022. Na pesquisa anterior, cerca de 45% dos 250 executivos avaliados estavam fora do LinkedIn, sem perfil ou publicações. A base atual reúne 225 lideranças ativas e 8.116 posts, uma média de 36,07 publicações por executivo no ano.

A parcela de líderes com mais de 75 publicações anuais subiu de 5% para 14,2% da base ativa. Apenas 16 profissionais, ou 7,1% da amostra, chegaram a 104 posts ou mais no período, patamar adotado pelo relatório como referência de alta frequência.

Para Luciana, o desempenho das executivas não deve se transformar em uma nova cobrança individual. “O dado não significa que as mulheres precisem publicar mais para provar competência. Ele mostra que, apesar da sub-representação, muitas das líderes da amostra já usam a plataforma de forma consistente. As empresas precisam observar quantas vozes femininas têm acesso às decisões, à visibilidade institucional e à construção pública da estratégia”, afirma.

Lilian destaca que a frequência e a influência não são sinônimos. “A pesquisa encontrou líderes que conquistam atenção pela constância e outros que alcançam um impacto alto com menos posts. O ponto comum é a coerência entre a trajetória do executivo, os temas escolhidos e o setor em que atua. Para as mulheres, construir esse portfólio público pode ajudar a documentar as contribuições que muitas vezes recebem pouca visibilidade dentro das próprias organizações”, diz.

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