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Pico de vendas, pico de problemas? Como preparar o pós-compra para Black Friday e Natal

Anita Bataglin, CRO da Unlock - Créditos da foto: Divulgação

Anita Bataglin, CRO da Unlock - Créditos da foto: Divulgação

Por Anita Bataglin, CRO da Unlock

Para o varejo, Black Friday e Natal são sinônimos de oportunidade. Meses antes, empresas revisam estoques, planejam campanhas, ajustam preços e reforçam investimentos para disputar a atenção de um consumidor cada vez mais exigente. Existe, porém, uma etapa dessa preparação que ainda costuma ficar em segundo plano: o que acontece depois que a venda é realizada.

E é justamente aí que muitas operações podem começar a sentir os efeitos do crescimento.

Na Black Friday de 2025, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 4,76 bilhões em apenas um dia, com 8,69 milhões de pedidos, segundo dados da Confi Neotrust. O número de pedidos cresceu 28% em relação ao ano anterior. Mais do que mostrar a força da data, os números revelam o tamanho do desafio operacional por trás de cada venda.

Quando milhões de pedidos entram em um intervalo curto, problemas que normalmente aparecem de maneira pontual ganham escala. Atrasos na entrega, dificuldade para rastrear pedidos, dúvidas sobre prazos e processos de troca e devolução podem rapidamente pressionar o atendimento e comprometer a experiência.

Por isso, Black Friday e Natal deveriam ser encarados também como um teste de estresse para o pós-compra.

O varejo costuma dedicar enorme energia à aquisição — e não poderia ser diferente. Preço, mídia, sortimento e conversão são determinantes para o resultado. Mas o cliente não encerra sua jornada quando recebe a confirmação do pedido. A partir daquele momento começa outra etapa, igualmente importante: saber se a empresa vai cumprir o que prometeu.

Isso significa olhar para a jornada de ponta a ponta. O cliente consegue acompanhar o pedido? As informações sobre prazo e entrega são claras? O atendimento está preparado para absorver um aumento de demanda? E, caso algo dê errado, a troca ou a devolução será simples?

Essas perguntas ganham outra dimensão quando o volume aumenta. Se uma empresa já recebe contatos recorrentes para saber onde está um pedido, por exemplo, é razoável imaginar que essa demanda será ainda maior durante a Black Friday. O momento de identificar e corrigir esse gargalo é antes da campanha, não durante o pico.

A preparação também passa pela comunicação. Nem todo contato do consumidor representa um problema: muitas vezes, ele simplesmente não encontrou a informação de que precisava. Por isso, prazo de entrega, rastreamento, status do pedido e regras de troca e devolução precisam estar disponíveis de forma clara e coerente com a realidade da operação.

Da mesma forma, não adianta prometer uma entrega rápida para conquistar a venda se a logística não tem capacidade para cumprir o prazo. Marketing, estoque, logística, tecnologia e atendimento precisam trabalhar a partir da mesma expectativa de demanda. A campanha pode ser excelente para gerar conversão, mas a experiência será comprometida se a operação não conseguir sustentar aquilo que foi vendido.

O mesmo vale para trocas e devoluções, que precisam ser planejadas antes mesmo da primeira venda. No Natal, quando muitas compras são feitas para presentear, esse cuidado ganha ainda mais importância. Ter políticas claras e processos simples não é apenas uma questão operacional: é uma forma de reduzir atrito em um dos momentos mais delicados da relação entre consumidor e marca.

Mas existe uma oportunidade ainda maior no pós-compra: transformar uma transação em relacionamento.

O contato com o cliente não precisa acontecer apenas quando alguma coisa dá errado. A confirmação do pedido, a comunicação sobre a entrega e o acompanhamento após o recebimento também são oportunidades para construir confiança. Além disso, essa jornada gera dados importantes sobre comportamento, atendimento, problemas e recompra, que podem ser utilizados para desenvolver estratégias de retenção e fidelização.

No fim, talvez a pergunta mais importante para o varejo antes da Black Friday e do Natal não seja apenas quanto a empresa pretende vender, mas se a operação está preparada para sustentar aquilo que pretende vender.

As grandes datas continuarão concentrando milhões de consumidores e pedidos em períodos cada vez mais intensos. Quanto maior o volume, menor será a margem para improvisação.

Preparar o pós-compra não significa apenas evitar reclamações ou sobrecarga no atendimento. Significa garantir que a experiência que levou o consumidor até o checkout continue existindo depois dele.

Porque a venda pode terminar no clique. A experiência — e a relação com o cliente — continuam muito depois.

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