Embora represente apenas 0,01% das transações totais, modalidade de pagamento via NFC apresenta crescimento exponencial em valores movimentados e aposta na conveniência para ganhar o varejo
O Pix por aproximação, funcionalidade lançada pelo Banco Central para conferir a agilidade dos cartões de crédito ao sistema de pagamentos instantâneos, completa seu primeiro ano de operação no Brasil. O período foi marcado por um aprendizado do mercado e uma curva de crescimento que, embora tímida em volume total, revela um potencial de escala robusto para os próximos anos.
Segundo estatísticas recentes do Banco Central, as transferências nesta categoria somaram 1,057 milhão de operações em janeiro de 2026. O número ainda é discreto diante dos 6,33 bilhões de transações Pix realizadas no mesmo mês, representando 0,01% do total. Contudo, o salto financeiro é notável: os valores movimentados passaram de R$95,1 mil em julho de 2025 para R$568,73 milhões em janeiro deste ano.
Desafios de implementação e segurança
A adesão mais gradual é atribuída a fatores como a necessidade de suporte à tecnologia NFC (Near Field Communication) nos dispositivos e as travas de segurança estabelecidas para proteger o usuário. Atualmente, o limite padrão é de R$500 para transações via carteiras digitais como o Google Pay, embora as instituições financeiras permitam a personalização desses tetos pelos correntistas.
Para Murilo Rabusky, Diretor de Negócios da Lina Open X, esse primeiro ano foi fundamental para consolidar a infraestrutura tecnológica. “A expectativa inicial sempre foi de um amadurecimento gradual. O Pix por aproximação simplifica a jornada em cenários de alta recorrência, como transporte público e grandes eventos. Esse avanço é fruto da expansão do Pix dentro do Open Finance, que permite conexões padronizadas e seguras entre as mais de 100 instituições participantes”, destaca o executivo.
As vantagens competitivas no PDV
O grande diferencial da modalidade permanece sendo a eliminação de etapas burocráticas no ponto de venda. Ao contrário do Pix tradicional, que exige a abertura do aplicativo, autenticação e escaneamento de QR Code, a aproximação exige apenas que o celular seja encostado na maquininha habilitada.
Benefícios observados para o ecossistema:
- Agilidade no Varejo: Redução drástica de filas em estabelecimentos de alto fluxo.
- Segurança: Mitigação de riscos relacionados a QR Codes falsos ou links maliciosos.
- Inclusão Digital: Facilitação do uso para pessoas com dificuldades motoras ao eliminar a digitação de informações complexas.
- Redução de Custos: Para o comerciante, o Pix continua sendo uma alternativa mais econômica frente às taxas de intercâmbio dos cartões tradicionais.
Consolidação e as fronteiras de 2026: MED 2.0 e praticidade
Após um 2025 marcado pela chegada do Pix Automático, que revolucionou os pagamentos recorrentes e a gestão de assinaturas, a agenda de 2026 foca em segurança e na jornada do usuário. O grande marco deste ano é a implementação do MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução). Esta atualização permitirá o rastreio de valores em contas intermediárias, as chamadas contas de passagem, facilitando a recuperação de dinheiro em casos de golpes e aumentando a confiança para quem transaciona via aproximação.
Outro ponto de evolução é o amadurecimento das jornadas sem redirecionamento. Isso significa que o usuário poderá concluir pagamentos em diversos ambientes digitais sem precisar sair da tela atual para abrir o aplicativo do banco, tornando a experiência tão fluida quanto o encostar do celular em uma maquininha física.
“O Pix por aproximação reforça a direção de evolução do sistema para estar onipresente no cotidiano do brasileiro. O potencial é grande, sobretudo quando a oferta amadurece e passa a suportar mais casos de uso, inclusive no varejo físico. Em 2026, com o MED 2.0, daremos o passo final para garantir que a agilidade da aproximação venha acompanhada da máxima segurança na recuperação de valores”, conclui Murilo Rabusky.








