
* Por Marcelo de Abreu
Você se sente realmente preparado para o mercado de trabalho de amanhã? Se a resposta for não ou talvez, você não está sozinho. Em um mundo em que a tecnologia redefine constantemente as nossas rotinas, a ideia de que a “educação com data de validade” já ficou para trás.
Uma pesquisa recente do Santander, em parceria com a Ipsos, mostra essa realidade: apesar de 60% dos entrevistados considerarem a formação inicial importante, quase metade (40%) admite que não se sente pronta para os desafios do mercado, reforçando que o aprendizado contínuo se tornou imprescindível.
A pesquisa também revela uma divisão de responsabilidades sobre quem deve conduzir essa formação. Globalmente, quase metade dos entrevistados (43%) acredita que essa responsabilidade cabe às empresas. Contudo, em países como o Brasil, a visão de responsabilidade individual é mais forte (42%), mostrando que a nossa mentalidade se adaptou à necessidade de proatividade.
Na Employer, por exemplo, essa responsabilidade compartilhada é um pilar da nossa cultura. Acreditamos que, para se manterem relevantes, tanto a empresa quanto os colaboradores precisam evoluir juntos. Por isso, investimos em treinamentos internos, focando em habilidades técnicas e em soft skills. A nossa experiência mostra que capacitar as pessoas para os desafios de amanhã é o melhor investimento que uma organização pode fazer.
Essa responsabilidade pela formação contínua se manifesta diretamente nas competências mais buscadas. Enquanto globalmente a tecnologia e a digitalização são as prioridades de formação, o Brasil se alinha a essa tendência, mas com uma particularidade: a valorização de soft skills e idiomas. Essa demanda específica por outras línguas, também observada em países como Portugal e Polônia, pode ser explicada pela baixa internacionalização do português, o que torna o domínio de outro idioma um diferencial competitivo no mercado local.
A Inteligência Artificial (IA) se destaca como uma área de futuro. Com 61% dos entrevistados a considerando como a profissão mais promissora para os próximos cinco anos, a urgência em se capacitar é ainda maior na América do Sul e na América do Norte, onde a necessidade de formação em IA supera a da Europa.
Por fim, a pesquisa do Santander não apenas ilustra a diferença entre a formação acadêmica tradicional e as exigências do mercado atual, mas também aponta para um caminho de transformação. A ênfase na responsabilidade individual pela aprendizagem contínua, a preferência por plataformas digitais e a valorização de soft skills e da IA no Brasil mostram que a mentalidade local já se adaptou a essa nova realidade. O desafio, agora, é para as empresas e instituições de ensino acompanharem essa evolução, garantindo que as ferramentas e oportunidades de formação estejam acessíveis a todos, para que ninguém fique para trás nesta corrida global por um futuro mais preparado e cada vez mais tecnológico.
Aqueles que abraçarem a mentalidade de aprendizado contínuo serão os protagonistas do amanhã, enquanto as empresas que investirem em seus colaboradores garantirão sua própria longevidade. Em qual lado da corrida você quer estar?
Marcelo de Abreu é presidente da Employer Recursos Humanos, CEO do Banco Nacional de Empregos, diretor de Desenvolvimento Estratégico da Associação Brasileira de Trabalho Temporário, escritor, palestrante e reconhecido pelo LinkedIn como Top Voice de Liderança.








