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Portugal fortalece protagonismo como porta de entrada na UE após acordo com Mercosul

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Tratado reforça atratividade do país ibérico como base estratégica de internacionalização de empresas brasileiras

A expansão de empresas brasileiras no mercado europeu tende a ganhar ainda mais força a partir de 2026, impulsionada pela formalização do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Após mais de 25 anos de tratativas, o tratado foi assinado neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, abrindo um novo cenário de oportunidades para companhias que já se estabeleceram ou planejam se estabelecer no continente, especialmente em Portugal, país que deve se consolidar como base estratégica para essa movimentação.

Nesse contexto, a trajetória da fabricante brasileira de ossos sintéticos Nacional Ossos ajuda a ilustrar esse fenômeno. A companhia instalou, em 2018, um centro de distribuição em Aveiro e passou a expandir ano a ano suas exportações para a Europa, reforçando sua posição como referência mundial no segmento em que atua (leia mais abaixo).

Com a consolidação do acordo UE-Mercosul, a expectativa é de que a redução de tarifas, a simplificação de regras e o aumento da previsibilidade regulatória impulsionem a competitividade, a diversificação das exportações e a integração produtiva entre os dois blocos econômicos. Para o advogado e analista político português Luís Marques Mendes, ex-ministro adjunto do primeiro-ministro de Portugal, o acordo tem potencial para fortalecer as relações entre os dois países de língua portuguesa.

“O Brasil pode ter, a partir de Portugal, uma importante porta de entrada na União Europeia, que oferece grandes oportunidades de investimento e desenvolvimento. Da mesma forma, Portugal, por meio do Brasil, pode ampliar sua interlocução com a América do Sul”, avaliou durante palestra realizada no 13.º Fórum de Lisboa, em 2025.

Vantagens

Mais do que os laços históricos e a afinidade cultural com o Brasil, Portugal vem se consolidando como plataforma de negócios para a Europa. O país oferece acesso direto a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores, além de operar sob um sistema regulatório unificado. Segurança jurídica, burocracia relativamente simplificada, incentivos fiscais e políticas de estímulo ao investimento estrangeiro reforçam sua atratividade.

Atualmente, mais de 1.300 empresas brasileiras operam em Portugal, segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Nos últimos quatro anos, o investimento brasileiro no país cresceu, em média, 12% ao ano, e a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira projeta um aumento de 50% em investimentos diretos de 2025 a 2027.

O país também se destaca pela qualidade da mão de obra. Com universidades de excelência e profissionais fluentes em vários idiomas, Portugal figura entre os 30 melhores do mundo em atração e retenção de talentos, segundo o Global Talent Competitiveness Index 2025, além de estar entre os dez destinos mais atrativos para investimentos, de acordo com o EY Attractiveness Survey.

Soma-se a isso a localização geográfica estratégica, no cruzamento entre Europa, África e Américas, e os avanços em infraestrutura, como a expansão da rede 5G e uma malha rodoviária moderna, que conecta cidades como Lisboa e Porto a outros centros urbanos.

Base portuguesa

A partir de sua base em Aveiro, a Nacional Ossos – um dos maiores fabricantes do mundo de ossos sintéticos realistas para ensino, treinamento e demonstração nas áreas de ortopedia, odontologia e veterinária – conseguiu ingressar em países como França, Alemanha e Suíça, além de atender localidades mais distantes, como a Índia. Desde 2025, a empresa intensificou seu processo de internacionalização e firmou parcerias na América do Sul e no México, com perspectivas de alcançar novos mercados europeus a partir da formalização do acordo de livre comércio.

“Temos a expectativa de, futuramente, começar a enviar produtos semiacabados a granel do Brasil para finalização em Portugal, além de ampliar a oferta de peças para pronta-entrega”, conta a sócia-fundadora Fabiana Franceschi.

São medidas que, de acordo com ela, contribuem para a redução de custos logísticos, viabilizada também por meio do planejamento anual de estoque e consumo, alinhado à cultura europeia. O sócio Paulo Costa Silva Filho explica que a presença em Portugal também foi estratégica para superar barreiras comerciais e culturais.

“A logística fica mais simples, o desembaraço aduaneiro europeu já é familiar para estes clientes estrangeiros e o prazo de entrega cai drasticamente. Conseguimos entregar pedidos em dois dias na maior parte do continente, enquanto concorrentes demoram até três meses”.

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