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Private credit acelera e fortalece estratégia de real estate dos brasileiros nos Estados Unido

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Investimentos internacionais crescem com a busca por previsibilidade, proteção de valor e eficiência tributária, impulsionados pelo dólar como moeda de segurança

O patrimônio brasileiro nunca cruzou tanto a fronteira. Em 2024, os ativos declarados no exterior somaram 654,5 bilhões de dólares, segundo a pesquisa Capitais Brasileiros no Exterior, do Banco Central. Mais de 29 mil brasileiros concentraram esse volume em participações societárias, aplicações financeiras e imóveis fora do país. Dados da Receita Federal reforçam a mesma direção: mais de 800 mil declarantes já acumulam 1,1 trilhão de reais em bens no exterior.

No Brasil, o movimento é semelhante. Os fundos de crédito privado ultrapassaram 1,3 trilhão de reais em patrimônio líquido em 2024 e responderam por mais de 40% das captações da indústria de fundos no ano, de acordo com a Anbima. O avanço indica que o investidor brasileiro assimilou a lógica do crédito estruturado antes mesmo de buscar exposição internacional e forma uma base que agora sustenta a expansão para ativos dolarizados.

É sobre esse alicerce que a especialista em investimentos internacionais Manoela Arashiro projeta captar até 800 milhões de reais nos próximos meses para alocar exclusivamente em real estate comercial nos Estados Unidos. A estimativa nasce do pipeline de operações já em estruturação e da demanda crescente por exposição ao mercado americano entre investidores que passaram a encarar o patrimônio como instrumento de planejamento sucessório, redução de risco e disciplina tributária e não apenas como uma aposta de retorno financeiro.

A busca por proteção cambial deixou de ser discurso e passou a integrar o planejamento efetivo das famílias brasileiras. Crises internas e decisões macroeconômicas reforçaram o movimento, enquanto plataformas digitais simplificaram o acesso e permitiram que investidores com tickets menores, regulados e alinhados às normas tributárias, migrassem da curiosidade para a execução. Estudo da Avenue indica que, para neutralizar a exposição ao dólar nas despesas do dia a dia, o percentual ideal de patrimônio internacional varia de 16% a 18%, dependendo do perfil de risco. A classe média, antes distante do mercado global, passou a integrar esse fluxo.

As operações estruturadas por Manoela são lastreadas em private credit para real estate comercial nos EUA. Em vez da compra direta de um imóvel, o investidor participa de veículos regulados que financiam empreendimentos ou propriedades em operação sustentadas por geração de renda, governança robusta e supervisão profissional. Prédios residenciais de apartamentos para venda (condos) ou aluguel (multifamily) e residenciais para idosos compõem a base desses portfólios. Globalmente, o private credit ultrapassou 1,5 trilhão de dólares em 2024 e pode praticamente dobrar até o fim da década, segundo relatórios internacionais. A expansão reflete também a retração do sistema bancário americano, que reduziu a exposição ao crédito imobiliário após a grande crise financeira de 2008 e a crise dos bancos regionais em 2023 e abriu espaço para fundos alternativos, hoje responsáveis por cerca de um quarto do financiamento do real estate comercial no país.

O mercado imobiliário residencial americano segue estratégico. No segmento de residencial para locação, os chamados multifamily, a vacância é de apenas 7%, de acordo com dados do U.S. Census Bureau. O aumento constante da população idosa deve impulsionar de forma significativa a demanda por residências assistidas para idosos.

Para Manoela Arashiro, a expectativa de captar até 800 milhões de reais em um único ano não representa apenas uma tendência por real estate internacional, mas uma mudança de mentalidade no Brasil. “É uma virada na forma de estruturar patrimônio. O investidor busca menos volatilidade e passa a priorizar operações com governança, previsibilidade, geração de renda e possibilidade de sucessão planejada. A entrada com tickets menores amplia o acesso e democratiza o investimento internacional”, afirma.

“O planejamento, antes tendência, virou prática. Estruturado em moeda forte, lastreado em ativos reais e desenhado para atravessar ciclos longos, o modelo combina preservação patrimonial, renda potencial recorrente e proteção diante das incertezas da próxima década”, completa Manoela.

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