Benefícios como aumento da produtividade e redução de riscos são vantagens para os produtores rurais que investem em irrigação
O Governo Federal anunciou, em julho, o valor de R$525,1 bilhões destinado à Agricultura Empresarial como parte do Plano Safra 2026/2027, um aumento de apenas R$ 9 bilhões (1,7%) em relação ao ciclo anterior. O montante anunciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) é destinado para linhas de crédito, incentivos e políticas agrícolas para médios e grandes produtores.
Para Cristiano Trevizam, diretor comercial da Lindsay Brasil, líder mundial em irrigação para o agronegócio, a reação inicial do mercado tende a ser negativa, impulsionada pela frustração com a redução limitada das taxas e pelo corte no volume anunciado. “Essa reação é majoritariamente baseada em sentimento, e não em fundamentos estruturais. Na prática, trata-se de um plano neutro em termos reais, sinalizando restrição fiscal, e não estímulo”, afirma.
Para o executivo, o anúncio acaba com a incerteza de produtores rurais, já que muitos postergavam decisões de investimento à espera do Plano Safra. Segundo ele, deve haver uma normalização gradual da atividade de compras nos próximos meses, ainda que sem uma aceleração relevante. Apesar disso, ele destaca que o campo já tem buscado outros mecanismos de financiamento.
“Fica evidente que o Plano Safra já não é o principal motor do crédito no campo. A agricultura empresarial, cada vez mais dolarizada, tende a buscar alternativas mais competitivas no mercado de capitais, uma vez que sua receita também está atrelada à moeda estrangeira”, analisa.
Para o programa Proirriga, que incentiva investimentos em irrigação e cultivo protegido com foco no uso eficiente da água e no aumento da produtividade agropecuária, foi anunciado o montante de R$ 1,7 bilhão, uma queda de 38% em relação ao ciclo 2025/2026. A taxa de juros passou de 12,5% para 11,5%, com limite de crédito de R$3,5 milhões para operações individuais e de 10,5 milhões para operações coletivas, prazo máximo de pagamento de 10 anos e tempo de carência de dois anos. A diminuição da taxa acompanhou a queda da Taxa Selic que estava em 15% no ano passado e passou para 14,25% nesse momento.
“Essa redução do montante total não reflete uma mudança de política pública, mas sim o nível de utilização. Nos últimos quatro anos, apenas 49% dos recursos disponíveis foram, em média, efetivamente utilizados. Mais recentemente, condições de crédito mais restritivas limitaram as aprovações. Em ciclos anteriores, a demanda foi impactada por taxas pouco competitivas”, destaca Trevizam.
Mesmo com a percepção negativa em relação à queda de recursos disponíveis, Trevizam destaca que o Plano Safra não altera a tese estrutural da irrigação. “A irrigação reduz riscos climáticos, aumenta a viabilidade econômica das lavouras e estabiliza a produção de alimentos, contribuindo para mitigar pressões inflacionárias. O investimento em irrigação continua compensando para os produtores”, ressalta.
Segundo ele, um financiamento adequado é um dos fatores mais importantes para a realização de projetos de irrigação adaptados para cada tipo de produtor rural.
“O investimento em irrigação é estratégico porque pode aumentar a produtividade, em média, 30% e tem se tornado uma forma cada vez mais eficiente de valorizar o preço da terra, de aumentar a sustentabilidade da produção e de driblar as mudanças climáticas que têm trazido perdas de safras por conta de chuvas irregulares em muitos locais do Brasil”, finaliza.








