Educação

Quanto custa educar um filho? Gastos invisíveis pressionam orçamento das famílias além da mensalidade escolar

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Material, alimentação, transporte e atividades complementares ampliam o custo da educação; especialista defende modelos que concentram serviços para trazer mais previsibilidade financeira às famílias

Educar um filho envolve muito mais planejamento financeiro do que apenas pagar a mensalidade escolar. Embora essa seja uma das principais despesas relacionadas à formação de crianças e adolescentes, uma série de custos paralelos costuma passar despercebida: material didático, alimentação, transporte, uniformes, atividades extracurriculares e passeios pedagógicos são alguns dos itens que, somados ao longo do ano, podem representar um impacto significativo no orçamento doméstico. 

Um estudo de 2024 com base nos dados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, reforça isso: apenas 17,4% das famílias incorrem em gastos diretos com educação, mas todos os custos indiretos seguem sem registro. Para Andréa Piloto, diretora pedagógica da escola Vereda, muitas famílias subestimam o custo real da educação justamente porque olham apenas para a mensalidade. 

“Quando os pais fazem as contas, normalmente consideram apenas o valor da escola. Mas a educação envolve uma série de despesas complementares que aparecem ao longo do ano. Muitas vezes, são esses gastos fragmentados que acabam gerando desequilíbrios no orçamento familiar”, afirma.

Além do impacto financeiro, a falta de previsibilidade também pode gerar insegurança para as famílias. Gastos extras inesperados ao longo do ano letivo dificultam o planejamento e tornam mais complexa a gestão das finanças domésticas.

“Quanto mais pulverizados forem os custos, mais difícil se torna o controle financeiro. As famílias buscam previsibilidade para organizar suas despesas e tomar decisões com tranquilidade. Quando a maior parte dos serviços está concentrada em uma única solução educacional, esse planejamento fica muito mais simples”, explica Andréa.

A busca por maior previsibilidade tem levado algumas instituições de ensino a reverem seus modelos. A Vereda é um exemplo dessa proposta ao reunir em sua mensalidade diversos serviços que tradicionalmente seriam cobrados separadamente, como material didático, alimentação e atividades complementares.

Segundo a diretora, a iniciativa busca ampliar o acesso a uma educação de qualidade sem que as famílias sejam surpreendidas por custos adicionais recorrentes ao longo do ano. 

“O objetivo é tornar a educação de qualidade mais acessível e transparente. Quando a família sabe exatamente quanto irá investir ao longo do ano letivo, consegue se organizar melhor e dedicar mais energia ao desenvolvimento dos filhos”, destaca. “Investir na educação dos filhos continua sendo uma das decisões mais importantes que uma família toma. Por isso, é fundamental olhar para o conjunto da experiência educacional e não apenas para o valor da mensalidade. A previsibilidade financeira também faz parte de uma educação de qualidade”, conclui.

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