Ícone do site Economia S/A

Quem é Marcelo Chohfi, o empresário por trás da expansão do Bandeira Park

Marcelo Chohfi / divulgação

Marcelo Chohfi / divulgação

Com operações no entorno do maior aeroporto do Brasil e da maior rodoviária da América Latina, empresa familiar projeta dobrar sua capacidade e encerrar 2026 com 10 mil vagas

Marcelo Chohfi acompanha o movimento dos aeroportos com um interesse que vai além dos destinos e das passagens. Para o empresário à frente do Bandeira Park, o aumento das viagens representa uma oportunidade de negócio antes mesmo do embarque: atender quem precisa deixar o carro por alguns dias e chegar ao terminal.

Responsável direto pela gestão da empresa, que integra os negócios de sua família, Chohfi conduz uma nova etapa de expansão. A meta, segundo ele, é encerrar 2026 com 10 mil vagas de estacionamento em toda a rede, o dobro da capacidade do ano anterior. A chegada a Minas Gerais e os planos de ampliação em Congonhas fazem parte desse movimento.

A história começou em 2 de dezembro de 2005, com um estacionamento na Avenida Ragueb Chohfi, na Zona Leste de São Paulo. Hoje, a empresa mantém mais de 13 unidades em São Paulo e atende mais de 100 mil clientes por mês em toda a rede. A abertura próxima a Confins acrescentou uma operação mineira à trajetória do negócio familiar.

O caminho entre o primeiro endereço e a atual estrutura passou por diferentes formas de explorar o mesmo serviço. Nos anos 2010, o Bandeira Park avançou para shoppings, prédios comerciais e terrenos na capital. Em 2015, vieram as unidades voltadas a Congonhas, Viracopos e à Rodoviária do Tietê. A operação de Guarulhos foi aberta em 2020.

Essa presença no entorno dos terminais colocou o negócio em contato com um público que tem necessidades diferentes das de quem estaciona por algumas horas. O viajante pode deixar o carro por uma semana ou um mês. Além do preço, precisa considerar o acesso ao aeroporto, o transporte das malas e a retirada do veículo na volta.

As cinco principais operações atendem passageiros de quatro aeroportos e de um terminal rodoviário. Entre eles estão Guarulhos, o maior aeroporto do Brasil, e o Tietê, a maior rodoviária da América Latina. A rede também atua no entorno de Congonhas, Viracopos e, mais recentemente, Confins.

Em Guarulhos, Viracopos e Confins, há traslado gratuito até os aeroportos. Em Congonhas e no Tietê, a localização permite seguir a pé até o embarque.

Para Chohfi, a continuidade das viagens justifica a aposta na expansão, mesmo diante das dificuldades econômicas. Em entrevista, ele cita os juros altos e os desafios enfrentados pelas empresas, mas observa que o movimento de passageiros segue como um sinal favorável para o setor.
“As pessoas continuam viajando”, afirma.

A percepção encontra respaldo nos números da aviação. Em 2025, o Brasil transportou 129,6 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais, o maior volume da série histórica iniciada em 2000. O resultado ficou 9,4% acima do registrado em 2024, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

O crescimento do fluxo aéreo amplia o mercado potencial para negócios que atendem o passageiro fora dos aeroportos. Para os estacionamentos, a oportunidade está em conquistar uma parte desse público com uma combinação de localização, preço e conveniência.

A aposta em Minas Gerais

O movimento mais recente do Bandeira Park foi a abertura, em 1º de outubro, da unidade voltada aos passageiros de Confins. Localizado em Vespasiano, na Rodovia MG-010, o estacionamento tem 1.500 vagas cobertas e descobertas e transporte de van até o terminal, em um trajeto estimado pela empresa em cerca de 15 minutos.

O espaço tem 25 mil metros quadrados e foi planejado para operar com uma equipe de aproximadamente 15 funcionários. O endereço já havia abrigado um estacionamento, fechado durante a pandemia. A empresa assumiu o terreno e iniciou reformas para retomar a atividade sob sua gestão.

A localização na rota de acesso ao aeroporto é um dos critérios destacados pelo empresário. Outro é a possibilidade de oferecer uma estrutura com vagas cobertas e descobertas e pacotes para diferentes períodos de viagem.

O modelo de cobrança privilegia a longa permanência. Quanto maior o tempo de estadia, menor pode ser o valor da diária. “A lógica busca atrair quem compara o custo de levar o próprio carro com outras formas de chegar ao aeroporto”, explica Chohfi.

O empresário também menciona negociações para incluir serviços de estética automotiva no endereço mineiro: “A ideia é permitir que o cliente aproveite o período da viagem para cuidar do veículo”.

Expansão com gestão próxima

Mesmo com a expansão da rede, Marcelo acompanha de perto as avaliações dos clientes. Toda semana, responde pessoalmente aos comentários publicados no Google.

O hábito aproxima o gestor de questões que pesam na decisão de voltar a um estacionamento. “Tempo de espera, atendimento e agilidade na devolução do carro fazem parte de uma experiência que começa antes do voo e termina depois do desembarque”, diz.

A expansão exige repetir esse cuidado em endereços com características distintas. Em alguns, o passageiro depende da van. Em outros, chega ao terminal a pé. Há quem viaje a trabalho por poucos dias e quem deixe o carro durante férias prolongadas.

Além da entrada em Minas Gerais, Chohfi cita a intenção de ampliar a capacidade em Congonhas e a negociação de outra operação. São movimentos que se somam à meta de dobrar o número de vagas da rede em 2026.

Do primeiro estacionamento na Zona Leste à atuação no entorno dos aeroportos, o Bandeira Park cresceu ao acompanhar diferentes necessidades de quem deixa o carro. Agora, a aposta de Marcelo é que o avanço das viagens ajude a ocupar o espaço que a empresa prepara para crescer ainda mais.

Sair da versão mobile