Com o tema “Imigrantes”, a edição 2026 do Festival Quitutes e Batuques reúne gastronomia, dança, música, artes visuais, audiovisual e artes cênicas entre 31 de agosto e 12 de setembro, passando por Cunha e Atibaia, no interior de São Paulo.
Para mostrar como diferentes culturas podem se encontrar e se transformar, quando pessoas de várias origens passam a dividir o mesmo território, a festa comemora histórias de quem deixou sua terra natal e construiu novos vínculos no Brasil.
Um dos personagens que merece destaque é o holandês Gerwin de Koning. Ele chegou ao Brasil em 1997 para trabalhar como geneticista de animais em Campinas. Quatro anos depois, mudou-se para Cunha e acabou encontrando na gastronomia um novo caminho. Abriu o restaurante Drão, cujo nome foi inspirado na famosa canção de Gilberto Gil, e criou raízes na cidade.
Gerwin já havia participado do Quitutes e Batuques em 2011, quando a Holanda foi tema do evento. Agora retorna em uma edição dedicada justamente às experiências dos imigrantes. Na cozinha, um dos protagonistas será o queijo, produto que se tornou parte importante da identidade gastronômica de Cunha.
Também participa dessa experiência Luiz Paulo Pereira dos Santos Quinta, conhecido como Luiz Queijista. Formado pela Escola Brasileira de Queijistas e atualmente radicado em Lorena, ele já atuou como jurado em importantes competições, entre elas o Mundial do Queijo e a ExpoQueijo Mundial, realizada em Araxá. No evento, Luiz participa das atividades de gastronomia com curadoria e degustação.
Mas as trajetórias de quem atravessou fronteiras não aparecem apenas à mesa. Em Atibaia, uma delas ganha movimento por meio da dança. Genilda Ngunga Morais, conhecida como Safira, começou a dançar aos oito anos em Angola. Passou pelo Ballet Nacional do país e pelo grupo Jovens de Semba antes de se mudar para o Brasil, em 2018.
Hoje, Safira integra companhias de dança em São Paulo e participa novamente do festival depois de já ter estado em uma edição dedicada aos países de língua portuguesa. Sua trajetória ajuda a mostrar como manifestações artísticas podem funcionar como uma espécie de memória afetiva para quem vive longe do lugar onde nasceu.
A música também terá espaço com a percussionista Cássia Maria de Araújo. Na área desde 1997, ela já trabalhou com artistas como Pereira da Viola e Socorro Lira e atualmente está à frente do Bloco Percussomos, dedicado ao estudo e à valorização dos ritmos brasileiros. Durante as oficinas, a proposta é trabalhar percussão, cultura popular e a memória existente por trás de cada ritmo.
Segundo Coraly Pedroso, diretora-geral do Quitutes e Batuques, a escolha do tema desta edição acompanha uma discussão que ganhou importância nos últimos anos. “Ao colocar o artista imigrante como protagonista, o projeto reconhece sua importância para a formação cultural, o diálogo entre culturas, a valorização da diversidade e a promoção da Cultura de Paz”, afirma.
Criado a partir de uma ideia surgida em 2008 e realizado pela primeira vez no ano seguinte, o Quitutes e Batuques já teve seis edições, alcançando mais de 20 mil pessoas. Aproximadamente 1.800 participantes passaram pelas oficinas realizadas ao longo desse período.
Em Cunha, as atividades acontecem entre 31 de agosto e 4 de setembro, na Escola Estadual Dr. Casemiro da Rocha. O encerramento será em 5 de setembro, na Praça Lavapés, dentro da Festa do Queijo, com atrações de música, gastronomia, audiovisual e artes plásticas.
Já em Atibaia, as oficinas serão realizadas entre 8 e 12 de setembro, no Quilombo Urbano Negra Visão, localizado na Rua Dr. Osvaldo Urioste, 41, no Centro. No dia 12, o espaço também recebe apresentações de artes cênicas, gastronomia, música, artes plásticas, moda e audiovisual.
Todas as atividades são gratuitas. A programação completa pode ser consultada no insta quitutesebatuques.com.br

