Após superar R$ 4 bilhões em crédito concedido, grupo prepara contratação de executivos em regiões estratégicas e prevê que expansão comercial se torne um dos principais vetores de crescimento nos próximos anos
O crédito às empresas continua avançando no Brasil, mas o custo elevado do dinheiro mantém aberta uma disputa por novas fontes de financiamento. Em junho, a carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional destinada às pessoas jurídicas cresceu 7,9% em 12 meses, para R$ 2,7 trilhões, enquanto a taxa média das novas operações de crédito livre para empresas permaneceu em 24,4% ao ano, segundo o Banco Central. Nesse ambiente, estruturas de crédito privado vêm ganhando espaço: os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) captaram R$ 30,6 bilhões líquidos no primeiro semestre de 2026. É nesse mercado que a Everblue prepara um novo ciclo de expansão nacional. Após ultrapassar R$ 4 bilhões em crédito concedido e mais de 10 mil operações, o grupo pretende alocar aproximadamente R$ 270 milhões em crédito apenas no primeiro ciclo da nova estratégia comercial. O montante equivale a cerca de 6,8% de todo o volume de crédito já concedido pela companhia, indicando que a expansão regional deverá ter peso relevante na próxima etapa de crescimento.
O plano será conduzido a partir do reforço da diretoria comercial e da contratação de novos executivos em regiões consideradas estratégicas. A Everblue anunciou recentemente Cláudia C. Santos para a área comercial, profissional com 41 anos de mercado financeiro e passagens por Bradesco, Unibanco, Santander, BankBoston, Itaú, Safra e RedAsset. A proposta é usar a nova estrutura para aumentar a capilaridade da originação, aproximando a operação de empresas que hoje encontram condições diferentes de acesso ao crédito, dependendo da região, do porte e da relação bancária. Para Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, a expansão geográfica não deve ser medida apenas pela abertura de novas frentes comerciais, mas pela capacidade de converter presença regional em operações sustentáveis. “Queremos construir uma estrutura comercial nacional, com profissionais que conheçam profundamente suas regiões e consigam identificar empresas com capacidade de crescimento, mas que nem sempre encontram no crédito tradicional estruturas compatíveis com suas necessidades. A expansão precisa vir acompanhada de qualidade na originação e disciplina de risco”, afirma.
A estratégia também revela uma mudança na própria competição pelo crédito corporativo. Com o mercado de capitais registrando R$ 361,8 bilhões em ofertas no primeiro semestre, recorde para o período desde o início da série da Anbima em 2012, empresas passaram a contar com um conjunto mais amplo de alternativas para financiar capital de giro, expansão e investimentos. Para as casas de crédito estruturado, porém, a disponibilidade de capital não resolve sozinha o desafio de crescer: é necessário encontrar bons tomadores em escala. Por isso, a Everblue pretende fazer da ampliação da equipe comercial um dos principais vetores de crescimento nos próximos anos, elevando simultaneamente o volume de negócios, a base de clientes e a presença territorial. A chegada de Cláudia ocorre justamente nesse estágio. Depois de cerca de 10 anos no Banco Safra, onde chegou ao cargo de superintendente, e mais uma década ligada à RedAsset, com atuação em FIDCs, crédito empresarial e estruturação de operações, a executiva passa a liderar uma frente que deverá combinar contratação regional, desenvolvimento de relacionamento com empresas e ampliação da originação. A intenção é transformar o primeiro ciclo de R$ 270 milhões em uma base para expansões posteriores, sem concentrar o crescimento apenas nos principais centros financeiros do país.
O cenário macroeconômico ajuda a explicar por que essa disputa tende a permanecer intensa. O Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano, mas deixou claro que a política monetária continuará cautelosa diante de expectativas de inflação ainda acima da meta. Mesmo com juros restritivos, o crédito ampliado às empresas chegou a R$ 7,2 trilhões em junho, alta de 8,2% em 12 meses, enquanto os títulos privados de dívida avançaram 14,2% no período, ritmo superior ao crescimento de 7,1% dos empréstimos do sistema financeiro. O contraste sugere que uma parcela crescente do financiamento empresarial está sendo disputada também fora das linhas bancárias convencionais. Para a Everblue, a oportunidade está justamente em ampliar sua presença antes que esse mercado amadureça ainda mais. “Os próximos anos devem consolidar uma mudança importante na forma como as empresas brasileiras acessam capital. Nosso objetivo é ganhar escala nacional acompanhando esse movimento. Os R$ 270 milhões representam o começo dessa expansão, não o ponto de chegada. Queremos aumentar de forma relevante nossa capacidade de originação, alcançar novos mercados e transformar essa capilaridade em crescimento recorrente, preservando a qualidade do crédito”, completa Padula.

