Com o custo do capital pressionando o modelo tradicional de estoques abundantes, indústrias buscam formas mais inteligentes de garantir disponibilidade de peças sem imobilizar grandes volumes de capital
Por décadas, montadoras e fabricantes de equipamentos mantiveram estoques de peças bem acima do necessário, uma estratégia pensada para evitar desabastecimento, mas que hoje pesa cada vez mais no caixa das empresas. Um levantamento recente da consultoria Mirow & Co. mostra que até 20% dos estoques de peças de montadoras de veículos leves e pesados podem ser reduzidos sem comprometer produção ou pós-venda em alguns casos, isso representa dezenas de milhões de reais liberados para outras frentes, como investimentos em novas tecnologias.
Essa mudança de mentalidade reflete um movimento mais amplo no setor de componentes eletrônicos, onde a pressão por eficiência de capital cresce junto com a demanda global por peças em setores como automotivo, tecnologia, equipamentos industriais e defesa. Encontrar fornecedores confiáveis, garantir disponibilidade e reduzir os volumes parados em estoque tornou-se uma prioridade estratégica e não apenas uma questão operacional.
É nesse contexto que atua o empreendedor alemão Christian Schmiedke, especialista em gestão internacional de projetos, tecnologia e logística para fornecimento de componentes eletrônicos. Seu trabalho consiste em intermediar a operação entre fabricantes internacionais — concentrados principalmente na China, Taiwan, Europa e Estados Unidos — e grandes empresas compradoras, com foco justamente em reduzir a necessidade de estoques altos por parte das indústrias.
Um dos pilares desse modelo é o fato de que boa parte dos fabricantes internacionais já mantém centros próprios de armazenamento. Isso permite que grandes volumes de peças fiquem estocados na origem, sendo enviados apenas quando solicitados pelos clientes — o que reduz o capital imobilizado pelas indústrias compradoras, sem comprometer a disponibilidade das peças quando necessárias.
“Hoje as grandes indústrias procuram muito mais do que fornecedores. Elas buscam parceiros capazes de garantir qualidade, disponibilidade dos produtos e segurança em toda a operação logística”, afirma Christian.
Para ele, esse modelo responde diretamente à pressão que o setor vem enfrentando: equilibrar a necessidade de ter peças disponíveis com a urgência de liberar capital parado em estoques.
“Quando uma empresa faz um investimento elevado na compra de componentes eletrônicos, ela precisa ter segurança de que todo o processo será conduzido por parceiros confiáveis, desde a escolha do fabricante até a entrega do produto. É essa confiança que buscamos construir diariamente.”
Com conexões comerciais já consolidadas na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos, a operação se prepara para uma nova etapa: em 2026, passa a atuar também em Austin, no Texas, um dos principais polos de tecnologia do mundo — parte da estratégia de acompanhar um mercado cada vez mais pressionado a fazer mais com menos estoque parado.

