Da revisão de processos à transformação tecnológica, líderes empresariais mostram como estão preparando suas empresas para a transição ao novo modelo tributário
A implementação da reforma tributária avança para uma fase decisiva e já mobiliza empresas de diferentes setores na preparação para o novo modelo de tributação, cuja transição ocorrerá gradualmente até 2027. Com a chegada do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), organizações revisam processos internos, investem em tecnologia, reavaliam estratégias e reforçam o planejamento para garantir uma adaptação segura e eficiente.
“Mais do que uma mudança na legislação, a reforma representa um desafio de gestão. Os impactos vão além da área tributária e alcançam operações, precificação, contratos, sistemas, cadeia de suprimentos e o relacionamento entre empresas e clientes. Nesse contexto, a preparação antecipada passa a ser um diferencial competitivo para organizações de todos os portes”, afirma o advogado tributarista Rafael Borin, sócio do escritório Rafael Pandolfo Advogados Associados.
Veja, a seguir, como os executivos estão se preparando para 2027.
1. Fernando Camargo, Diretor de Desenvolvimento de Software da SoftExpert, multinacional especializada em softwares para conformidade, governança e gestão empresarial:
A preparação das empresas para 2027 passa pela consolidação de uma arquitetura tecnológica unificada e pelo uso estratégico da inteligência artificial para reestruturar processos diante da transição tributária. Para apoiar as organizações nesse mapeamento de impactos, a SoftExpert conecta as frentes de Governança, Riscos e Conformidade (GRC) à tecnologia de BPM (Business Process Management), permitindo que as empresas não apenas entendam as novas regras, mas redesenhem e automatizem seus fluxos de trabalho de ponta a ponta para absorver as mudanças operacionais.
“O grande diferencial não é automatizar processos ineficientes em maior velocidade, mas repensar os fluxos antes que a transição tributária ocorra. O caminho é usar agentes de IA ativos para absorver as atividades repetitivas e burocráticas da rotina fiscal, o que eleva a produtividade das equipes e permite que elas se concentrem nas análises tributárias de alta complexidade. Ao traduzir comandos simples em linguagem natural diretamente em fluxos de trabalho estruturados, essa agilidade tecnológica elimina o atraso de implementação regulatória, garantindo que a conformidade performe de maneira contínua no dia a dia”, avalia Camargo.
2. Raphael Emerick, Country Manager da Toku no Brasil, primeira plataforma de Payment Relationship Management (PRM) da América Latina:
Para o executivo, a implementação da reforma tributária altera significativamente a dinâmica financeira dos modelos de negócios baseados em recorrência, impondo uma transição na gestão de caixa e na estratégia de precificação, além da atualização de milhares de contratos que podem gerar falhas de processamento e, consequentemente, inadimplência por erro técnico.
“A nova tributação vai exigir que as empresas atualizem os valores de milhares de cobranças recorrentes. Se o sistema de faturamento não for flexível para aplicar essas alterações automaticamente, qualquer pequena inconsistência pode fazer o cartão de crédito ser recusado ou o boleto falhar, por exemplo. O caminho técnico para as empresas blindarem o caixa é adotar a orquestração de pagamentos, uma tecnologia que centraliza os meios de pagamento em uma única plataforma e utiliza o reprocessamento automático para salvar transações recusadas sem gerar atrito com o cliente. Em 2027, o grande desafio não será apenas calcular o imposto correto, mas ter uma retaguarda financeira flexível para o ajuste às novas regras”, Raphael Emerick, Country Manager da Toku no Brasil.
3. Cristina Cabello, CFO da construtora Ribeiro Caram
Para a construtora Ribeiro Caram, a preparação ultrapassa as adequações de sistemas internos e exige atenção redobrada ao fluxo de caixa e à rede de fornecedores. A companhia tem tratado a transição como um projeto estratégico, mapeando a maturidade fiscal de seus parceiros de menor porte para mitigar riscos operacionais e repasses imprevistos de custo.
“A preocupação está na cadeia produtiva, pois pequenos fornecedores vão sentir com mais intensidade a exigência de apuração por empreendimento. Estamos oferecendo suporte técnico para a transição, porque um parceiro que tem problemas durante a obra custa muito mais caro do que qualquer ajuste de preço”, destaca Cristina Cabello, CFO da Ribeiro Caram.
4. Para Erika Daguani, CPO e CHRO da Qive, plataforma líder em contas a pagar.
Para Erika Daguani, um dos pontos que merecem mais atenção durante a preparação para a Reforma Tributária é a relação das empresas com sua cadeia de fornecedores. A transição aumenta a importância de informações cadastrais e fiscais consistentes e tende a exigir uma revisão mais cuidadosa dos critérios de contratação, homologação e acompanhamento desses parceiros.
“Uma parte importante do impacto da Reforma não está apenas na interpretação da nova regra tributária, mas em como a informação circula entre fiscal, financeiro, compras e fornecedores. Quando nota fiscal, pedido, dados do fornecedor e pagamento estão espalhados entre sistemas, planilhas e controles paralelos, qualquer divergência demora mais para ser identificada e pode chegar ao fechamento ou ao caixa. Com IBS e CBS, a qualidade dessa informação também passa a ter peso na gestão dos créditos e na relação com a cadeia de fornecedores. Por isso, antes de discutir apenas alíquota, as empresas precisam olhar para a operação: onde os dados nascem, como são validados e se chegam de forma confiável até o pagamento.”

