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Reforma Tributária: mitos e verdades e o que muda na operação das empresas

Roberto de Lázari - Créditos da foto: Divulgação

Roberto de Lázari - Créditos da foto: Divulgação

A transição para IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) já exige adequações em sistemas, dados e processos, enquanto empresas precisam conciliar regras atuais e novas exigências fiscais

Com o início da transição para o novo modelo da Reforma Tributária, diferentes setores passaram a rever sistemas, processos, contratos, formação de preços e mecanismos de controle. A mudança é vetor para a transição tecnológica na busca por qualidade de dados, especialmente diante do avanço da fiscalização digital. O fim da transição será em 2033. Até lá, as empresas terão que equilibrar recursos para administrar, simultaneamente, regras antigas e novas – um cenário de extrema complexidade operacional.

Para Roberto de Lázari, diretor da All Tax, a solução para o momento de transformação exige uma visão integrada entre tributação, tecnologia e negócio. “A reforma não muda apenas a legislação. Ela muda a forma como a empresa precisa operar. A informação tributária passa a ter impacto direto sobre preço, crédito, caixa, fornecedores e decisões de negócio. Por isso, a adaptação precisa envolver tecnologia e processos desde o início”, afirma.

De acordo com o executivo da All Tax, alguns mitos elevam a complexidade e é preciso compreensão sobre o que eles, de fato, representam:

Mito 1: A Reforma Tributária só terá início em 2033

All Tax explica: a transição já começou. Embora 2033 marque a vigência integral do novo sistema, as empresas já precisam se adaptar. Em 2026, IBS e CBS entram em implementação, enquanto PIS e Cofins serão extintos em 2027. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS serão reduzidos gradualmente, com aumento do IBS. Na prática, diferentes regimes passam a conviver, simultaneamente, no controle da empresa. Isso exigirá sistemas integrados capazes de acompanhar as mudanças nas regras fiscais.

Mito 2: A Reforma Tributária é um problema do departamento fiscal

All Tax explica: o impacto é de toda a operação. A mudança afeta preços, créditos, fornecedores, planejamento financeiro, emissão de documentos fiscais, tecnologia, compras, vendas e compliance.

Em empresas com grandes estruturas tecnológicas, os dados tributários podem estar distribuídos entre diferentes sistemas. “Sem integração, aumenta o risco de divergências, retrabalho e perda de rastreabilidade”, explica o especialista.

Mito 3: A Reforma Tributária significa aumento de impostos

All Tax explica: o impacto da reforma tributária será diferente entre setores e modelos de negócio. A legislação prevê a neutralidade da reforma, ou seja, na média, não deve haver aumento da carga tributária de forma geral. No entanto, o efeito para cada empresa poderá ser diferente.

A reforma muda a forma de tributação sobre o consumo e busca evitar o acúmulo de créditos ao longo da cadeia. Por isso, embora a carga tributária geral seja mantida, os impactos econômicos podem variar de acordo com o setor, o modelo de negócio e a estrutura de cada empresa. Uma companhia com uma cadeia extensa de fornecedores e grande capacidade de apropriação de créditos pode ter uma dinâmica diferente de uma prestadora de serviços. O mesmo vale para setores sujeitos a regimes diferenciados.

Mito 4: A DeRE é apenas uma nova obrigação acessória

All Tax explica: a Declaração de Regimes Específicos, DeRE, está inserida na estrutura de implementação do IBS e da CBS e exige que empresas como serviços financeiros, planos de assistência à saúde e concursos de prognósticos (loterias e apostas),  enquadradas em regimes específicos, reúnam informações de diferentes fontes. Na prática, o desafio pode começar antes mesmo do preenchimento da declaração. O trabalho para coletar e consolidar os dados, que estão distribuídos entre diferentes sistemas, bases financeiras, documentos fiscais e controles internos, tende a ser significativo, especialmente diante do alto nível de granularidade das informações exigidas.

Mito 5: Tecnologia é detalhe para cumprir as novas obrigações

All Tax explica: a tecnologia passa a fazer parte da estratégia tributária. A Reforma Tributária representa uma mudança na forma como as empresas calculam tributos, administram créditos e organizam informações, com impactos que vão além do departamento fiscal. À medida que o sistema se torna mais digital, qualidade dos dados e integração entre sistemas passam a afetar diretamente caixa, planejamento, compliance e decisões de negócio.

A automação tributária ganha espaço para conectar informações, aplicar regras de forma consistente e reduzir processos manuais. “A Reforma Tributária não é apenas uma mudança na forma de cobrar impostos. É também um teste para a maturidade tecnológica e operacional das empresas”, afirma o especialista. Para as empresas, transformar a adaptação em um projeto de integração e automação pode significar mais previsibilidade, eficiência e capacidade de resposta.

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