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Reforma Tributária pode transformar o setor de serviços em zona de risco econômico

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Mary Elbe Queiroz - Créditos da foto: Divulgação
Mary Elbe Queiroz – Créditos da foto: Divulgação

Unificação de tributos vai elevar carga para empresas de serviços, pressionando preços e reduzindo margens de pequenos e médios empresários

Reforma Tributária, que traz a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), promete simplificação, mas acende um sinal de alerta no setor de serviços, responsável por mais de 70% do PIB brasileiro e maior gerador de empregos formais. O novo modelo vai  elevar a carga efetiva de impostos sobre os serviços dos atuais 3,65% a 8,65% (Lucro Presumido) ou até 6% a 16,33% (Simples Nacional, dependendo da faixa de receita) para uma alíquota média de 25% a 27%. Essa diferença é significativa porque, ao contrário da indústria, o setor de serviços tem pouca possibilidade de se creditar ao longo da cadeia. O resultado tende a ser repasse de custos ao consumidor, inclusive impactando indústria e comércio, no caso de empresas no meio da cadeia, e compressão de margens, especialmente entre pequenos e médios negócios que já lidam com crédito caro e baixo espaço para ajustes internos. Segundo Mary Elbe Queiroz, advogada tributarista, presidente do Cenapret e sócia do Queiroz Advogados, muitos prestadores de serviços são enquadrados em regimes como o Simples Nacional e o Lucro Presumido, que garantem alíquotas mais baixas e maior simplicidade e previsibilidade tributária. 

Com a unificação, há risco de elevação significativa desses percentuais, criando um ambiente mais oneroso justamente para quem gera empregos de forma descentralizada em todo o país. “Essa mudança ameaça impactar negativamente os pequenos e médios empresários, que já enfrentam dificuldades para lidar com crédito caro e um mercado competitivo”, afirma Mary Elbe. O impacto da reforma não será homogêneo e tende a afetar de forma mais intensa segmentos como tecnologia, manutenção, segurança, limpeza, saúde, educação, advocacia, contabilidade  e consultoria, nos quais a folha de pagamento é o principal insumo e pouco poderá ser compensado dentro do novo sistema. Isso significa que empresas menores, sem fôlego financeiro ou escala de operação, terão maior dificuldade em absorver os novos custos. Enquanto a indústria poderá compensar tributos pagos em insumos e matérias-primas, prestadores de serviços tendem a arcar com a alíquota cheia. De acordo com levantamento, a alíquota do Simples para uma empresa de serviços de médio porte, hoje em torno de 6%, pode saltar para quase 26% no modelo do IBS/CBS. Essa elevação, somada a um ambiente de Selic em 15%, pressiona a sustentabilidade de negócios que não têm escala para diluir custos. 

Em muitos casos, a única alternativa será repassar parte da alta para o consumidor, o que pode encarecer serviços essenciais e reduzir a demanda. “O risco é que a reforma, pensada para simplificar, acabe concentrando ainda mais o mercado. Grandes grupos conseguem diluir tributos em larga escala e usar estruturas sofisticadas de planejamento, mas os pequenos e médios, que são a espinha dorsal da economia de serviços no Brasil, não dispõem desses instrumentos”, complementa Mary Elbe. As discussões em torno da calibragem das alíquotas, da definição de regimes específicos e da criação de mecanismos compensatórios seguem no Congresso Nacional e serão determinantes para o futuro do setor de serviços. Especialistas destacam que, sem ajustes, a reforma pode comprometer não apenas a competitividade, mas também a inclusão produtiva e a diversidade de empresas que compõem o ecossistema de serviços no país. Em um ambiente de juros elevados, inflação resiliente e custos operacionais crescentes, a elevação da carga tributária pode se transformar em um fator de risco adicional, com efeitos diretos sobre empregos, preços e a capacidade de inovação das empresas.

Sobre Queiroz Advogados

Queiroz Advogados Associados é um Escritório de Advocacia Tributária comprometido em oferecer soluções jurídicas estratégicas e eficazes, seja em defesas tributárias, seja na busca pelas melhores negociações em transações e acordos tributários, seja em consultorias e planejamentos, com propósito de proporcionar aos clientes a certeza e a confiança de que o seu caso será conduzido com excelência e transparência por uma equipe com sólida formação e alto índice de sucesso. 

Fundado pela Prof.ª Dr.ª Mary Elbe Queiroz, referência nacional e internacional em matéria de Tributação, o escritório tem sedes em São Paulo e Recife e atuação em todo o Brasil nas esferas federal, estadual e municipal.

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