Segundo David Denton, sócio da OKTO FINANCE, empresas brasileiras reavaliam cadeias de suprimentos e investimentos após retirada da tarifa recíproca de 40% e corte da taxa de juros americana para 3,75%-4% ao ano
São Paulo, dezembro de 2025 — As recentes mudanças na política comercial dos Estados Unidos ganharam novo impulso após o governo americano anunciar, em 20 de novembro, a retirada da tarifa recíproca de 40% sobre determinados produtos brasileiros. Segundo análise da OKTO FINANCE, boutique de fusões e aquisições (M&A) liderada pelo sócio David Denton, a decisão teve efeito imediato sobre empresas com exposição ao mercado norte-americano e sobre cadeias globais de suprimentos. Apesar do alívio parcial, grande parte das exportações brasileiras continua sujeita a tarifas adicionais ou restrições de acesso, mantendo a volatilidade e exigindo ajustes estratégicos de médio e longo prazo.
O cenário ganhou nova complexidade após o Federal Reserve reduzir a taxa básica de juros em 25 pontos-base, para o intervalo de 3,75% a 4% ao ano, com possibilidade de um novo corte em dezembro. A medida, terceira de 2025, sinaliza a retomada gradual da liquidez global, diminui o custo de capital para investidores internacionais e reforça o apetite por ativos em mercados emergentes. Somados, o ambiente monetário mais favorável e a revisão tarifária influenciam diretamente a dinâmica de fusões e aquisições no Brasil, levando empresas a reavaliarem seus planos de expansão e consolidação.
De acordo com David Denton, sócio da OKTO FINANCE, esse cenário exige uma abordagem criteriosa. “Estamos em um ciclo em que prudência e velocidade precisam caminhar juntas. Quem mantiver disciplina financeira e, ao mesmo tempo, agir rapidamente nas oportunidades cross-border que geram escala ou diversificação ficará em posição privilegiada na retomada”, afirma. Ele acrescenta que a reconfiguração das cadeias produtivas globais tem criado “janelas estratégicas que não existiam há poucos anos”.
O mercado global de fusões e aquisições, no entanto, registra recuo significativo. De acordo com dados da Mergermarket, o número mundial de operações, que inclui fusões, aquisições, alienações, financiamentos e joint ventures — caiu 16% em 2025, para 16.663 transações, o menor nível desde 2005. A combinação entre tarifas voláteis, realocação produtiva e menor atividade global cria um contexto mais desafiador, mas também abre espaço para movimentos estratégicos.
Para empresas brasileiras que dependem do mercado consumidor ou de insumos provenientes dos Estados Unidos, a reversão parcial das tarifas representa um alívio temporário, mas não configura estabilidade regulatória. Segmentos como manufatura avançada, insumos químicos, metalmecânico, agroindústria e alimentos processados continuam sob pressão, reforçando a necessidade de rever cadeias de suprimento e proteger margens. Esse movimento já começa a moldar novas decisões de investimento.
Segundo David Denton, a incerteza tarifária tem acelerado movimentos de reposicionamento. “Vemos companhias avaliando aquisições nos Estados Unidos como forma de garantir acesso direto ao consumidor final e reduzir vulnerabilidades decorrentes de mudanças repentinas na política comercial”, afirma. Ele observa também crescimento do interesse por operações em países não afetados pela sobretaxa de 40% sobre produtos agrícolas, estratégia que “ajuda a diversificar riscos e reposicionar portfólios com mais resiliência”.
Em paralelo, a redução dos juros americanos reabriu a janela para investidores globais buscarem ativos no Brasil, especialmente em setores estratégicos. Fundos internacionais ampliaram sua atuação ao longo de 2025, destravando transações represadas e estimulando novos projetos de expansão. Denton avalia que o início de 2026 deve registrar aumento no volume de negociações e aceleração nos processos de diligência, com foco em operações de consolidação, impulsionadas pela melhora das condições financeiras internacionais. “Estamos entrando em um período em que quem conseguir alinhar estratégia, capital e execução terá oportunidade de liderar transformações significativas no mercado brasileiro”, afirma.

