Levantamento realizado pela plataforma revela ainda que 11% estão há mais de dois anos sem realizar mamografia e evidencia os desafios do autocuidado feminino
O Outubro Rosa, movimento internacional de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, também coloca em evidência um desafio que ultrapassa a realização de exames: a dificuldade que muitas mulheres enfrentam para incluir o próprio cuidado na rotina.
Uma pesquisa realizada pela Catho, plataforma gratuita de empregos, com 478 mulheres, mostra que 37% precisam adiar ou remarcar consultas, exames e check-ups por conta da rotina de trabalho. Além disso, 23% afirmam nunca ter realizado uma mamografia e 11% estão com o exame atrasado há mais de dois anos, considerando as respondentes para as quais o exame se aplica.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que sejam diagnosticados 73.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil (para cada ano do triênio 2023–2025), e projeções recentes apontam cerca de 78,6 mil novos casos previstos.
Os dados destacam como a conciliação entre vida profissional, responsabilidades pessoais e cuidados com a saúde ainda é um desafio para uma parcela significativa das mulheres. No levantamento, 43% dizem conseguir organizar a rotina e cuidar da saúde sem dificuldade, enquanto 37% precisam adiar ou remarcar esses compromissos e 16% afirmam que a rotina de trabalho dificulta muito esse cuidado. Outros 4% relatam não costumarem fazer acompanhamento de saúde.
A situação ganha ainda mais relevância quando observada em um contexto de sobrecarga. Entre as mulheres que são mães ou gestantes, que representam 63% da amostra, 43% apontam a sobrecarga entre trabalho e família como um dos principais desafios após a maternidade. Para 45% desse grupo, a maternidade também impactou a evolução profissional.
“O fato é que falar sobre saúde da mulher no ambiente de trabalho também significa falar sobre tempo, flexibilidade e condições para que ela consiga cuidar de si. O Outubro Rosa é um momento importante para reforçar a importância da prevenção, mas o cuidado não pode depender apenas de um mês do ano. Quando uma mulher precisa constantemente escolher entre uma demanda profissional e uma consulta ou exame, temos um sinal de que o bem-estar precisa ser incorporado de forma mais concreta à rotina das organizações”, pontua Patrícia Suzuki diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho.
Para a especialista, os números reforçam a necessidade de ampliar o olhar sobre saúde e bem-estar no ambiente corporativo, que, além de benefícios pontuais, as empresas podem contribuir para uma cultura em que consultas, exames preventivos e demais necessidades de saúde sejam percebidos como prioridades de autocuidado.

