
Assunto foi um dos temas abordados no Fórum LIDE Paraná de Saúde e Bem-Estar
A inclusão dos riscos psicossociais dentro da Norma Regulamentadora 1, cujo início de vigência foi estendido para maio de 2026, foi um dos principais assuntos debatidos por empresários, médicos e gestores de planos de saúde que participaram nesta terça-feira (27) do Fórum LIDE Paraná de Saúde e Bem-Estar, realizado na Associação Médica do Paraná.
A NR1 foi tema das apresentações da psicóloga, CEO e head de Saúde Mental e Qualidade de Vida da Apta, Nazareth Ribeiro, e da auditora chefe do Ministério do Trabalho, Viviane de Jesus Forte. Nazareth defendeu que, quando as empresas priorizam a saúde mental, reduzem custos, aumentam a produtividade e fortalecem a cultura organizacional.
Ela citou o aumento de 47% dos casos de burnout após a pandemia, que colocaram o Brasil como o segundo país do mundo em incidência da doença. “Uma liderança ativa pode reduzir isso em 70%, o que vai interferir no absenteísmo e melhorar o Retorno sobre Investimento (ROI) de programas de saúde preventiva”, explicou.
Viviane contextualizou o desenvolvimento da NR1 em um formato tripartite, com a participação de representantes dos empresários, dos trabalhadores e do governo. “Entendemos que o texto fica mais bem elaborado e condizente com as necessidades do setor e atividade econômica”, disse. “Nós precisamos desenvolver uma cultura de prevenção no Brasil. As empresas devem fazer a gestão de todos os seus riscos, incluindo os psicossociais”, afirmou.
Encontrar o equilíbrio entre o bem-estar de colaboradores e a sua disponibilidade e produtividade no ambiente de trabalho tornou-se um dos principais desafios das empresas atualmente. O tema, inclusive, aparece em destaque na pesquisa Global Human Capital Trends 2025, coordenada pela consultoria Deloitte.
“Organizamos esse evento com o objetivo de entender o impacto da saúde em nossas organizações, analisando questões de custos e benefícios para termos mais produtividade e pessoas mais felizes trabalhando conosco”, afirmou a presidente do LIDE Paraná, Heloisa Garrett.
O fórum contou com dois painéis – Ecossistema de Cuidados e Saúde Mental no Ambiente Corporativo – e uma fala magna do médico José J. Camargo sobre “Humanidade na Saúde”, aprofundando o impacto da inteligência artificial no ato médico. “Apesar de todas as conquistas científicas e tecnológicas, os pacientes idosos falam com nostalgia dos médicos de antigamente. Em algum lugar, nós perdemos a conexão. Ignorar que a conquista emocional dos pacientes depende de pequenos detalhes é um erro grosseiro”, destacou.
Ecossistema de cuidados
O sistema de saúde precisa ir além da relação médico-paciente, para se tornar uma operação mais assertiva e econômica. “Nosso desafio é enxergar o benefício de saúde, mais do que uma obrigação. Qualquer um pode enfrentar uma doença em sua vida e quer estar amparado para se cuidar com mais força para executar o trabalho com dignidade”, afirmou Marcos Scaldelai, diretor-executivo da SafeCare.
Scaldelai defende que o papel das empresas é promover uma abordagem integrada em saúde, focada em prevenção, cuidado com as pessoas e eficiência financeira. Esse olhar auxilia os gestores a encarar problemas recorrentes do mercado de trabalho que interferem na produtividade e no desempenho econômico, como a sinistralidade e o absenteísmo, com estratégias multidisciplinares.
O CEO do Eco Medical Center, Cássio Zandoná, ressaltou a importância da centralização do atendimento. “O sistema de saúde é descentralizado por natureza: consulta em um local, exame em outro e a liberação pelas fontes pagadoras. Nosso propósito é unificar o atendimento para valorizar um dos nossos bens mais importantes: o tempo”, disse. “Com isso, conseguimos reduzir o excesso de exames e pedidos, melhorando a sustentabilidade do setor com qualidade e integração”, completou.
O diretor-executivo da Paraná Clínicas, Eduardo Jorge, apresentou o Programa Afeto, que visa assegurar um atendimento especializado para pacientes com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), com redução de 28% nos custos. “Trata-se de uma estrutura de atendimento exclusiva para o TEA, que visa fazer a reintegração social das crianças em um projeto terapêutico definido, com diagnóstico correto e acolhimento aos pais”, explicou. Com isso, a operadora também cumpriu os marcos regulatórios estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
O papel do médico
As complexidades de gestão e as novidades no tratamento e atendimento de pacientes afetam também a carreira e a rotina dos médicos. A perspectiva desses profissionais foi apresentada no Fórum pelo instrutor do Centro de Simulação Clínica da PUCPR, Ricardo Gullit, que mostrou os desafios de médicos recém-formados de se integrar ao mercado e daqueles já consolidados em se manter atualizados.
“Em nosso ecossistema, o profissional encontra ferramentas para lidar com diversos problemas: do atendimento em si a um familiar descontente com a assistência, incluindo questões de gestão dos negócios e relacionadas à própria carreira, para que seja sustentável e feliz”, afirmou Gullit.
