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Safra 2026/27: cenário mudou, mas ainda dá tempo para ajustar o planejamento

Magnific / Divulgação

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Alta e volatilidade dos fertilizantes, riscos climáticos e instabilidade internacional reforçam a importância de revisar custos e estratégias

O Plano Safra 2026/2027 começou oficialmente em 1º de julho, com R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial para custeio, comercialização e investimentos. Mas, dois meses após o início do novo ano agrícola, o produtor já precisa lidar com variáveis que podem afetar suas decisões de custo e planejamento, como a alta e a volatilidade dos preços dos fertilizantes, as incertezas climáticas e a instabilidade geopolítica. Nesse contexto, setembro surge como um período estratégico para revisar o planejamento da safra 2026/27, reavaliando custos, cronogramas de compra e estratégias de nutrição sem comprometer a produtividade. 

“Planejamento agrícola não deve ser estático. Quando o cenário muda, é importante revisar as premissas utilizadas no início do ciclo e entender onde ainda é possível fazer ajustes. O objetivo não é simplesmente reduzir custos, mas buscar eficiência e preservar o potencial produtivo da lavoura”, afirma Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes, empresa especializada em produtos biológicos, nutrição e tecnologia de aplicação para lavouras.

A dependência brasileira do mercado internacional torna o planejamento da adubação especialmente sensível às oscilações externas. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, mais de 80% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que deixa o produtor exposto a variações de preços e às condições do mercado internacional. O Plano Nacional de Fertilizantes foi criado justamente para enfrentar essa dependência por meio do fortalecimento da produção nacional. Para o produtor, a recomendação, portanto, não é simplesmente antecipar compras ou reduzir a utilização de insumos, mas reavaliar a relação entre custo, disponibilidade e necessidade nutricional da cultura.

“Uma decisão baseada apenas no preço da tonelada pode ser insuficiente. É preciso considerar o custo por hectare, a necessidade da cultura, o momento de aplicação e o impacto que uma eventual redução de nutrientes pode ter sobre a produtividade. Eficiência deve estar no centro dessa conta”, explica Schiavo.

A discussão sobre o abastecimento de fertilizantes também ganhou força no cenário nacional. Em agosto desse ano, o Senado aprovou o Profert, programa que prevê até R$ 10 bilhões em subsídios, ao longo de cinco anos, para estimular novas fábricas e a expansão ou modernização de unidades existentes. A proposta tem entre seus objetivos ampliar a produção nacional e reduzir a dependência brasileira das importações. A iniciativa se soma ao Plano Nacional de Fertilizantes, que estabelece como uma de suas diretrizes a renovação, reativação e ampliação das plantas industriais existentes no país.

“Não se trata de eliminar as importações, algo que não seria realista para um país com a dimensão da nossa agricultura, mas de ampliar as alternativas de abastecimento. Uma produção nacional mais forte contribui para reduzir a exposição do produtor a choques externos e pode trazer mais previsibilidade para uma etapa tão importante do planejamento da safra”, avalia Schiavo.

Além dos custos dos insumos, o produtor precisa acompanhar as condições climáticas. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) aponta que o El Niño deve se manter e se intensificar ao longo do segundo semestre, com possibilidade de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão. As projeções indicam impactos diferentes entre as regiões brasileiras, com previsão de chuvas acima da média em partes do Sul e abaixo da média no Centro-Norte do país, além de temperaturas superiores ao padrão histórico em boa parte do território.

Diante desse cenário, revisar o planejamento não significa abandonar o que foi definido no início do ano-safra, mas adaptá-lo às novas condições de mercado e de clima. “Setembro ainda é um momento de ajuste. O produtor pode olhar novamente para seu orçamento, acompanhar o comportamento dos insumos, avaliar as condições da lavoura e verificar se as decisões tomadas no início do ciclo continuam fazendo sentido. Quanto mais cedo identificar uma mudança de cenário, maior a capacidade de agir de forma antecipada”, conclui o CEO da Naval Fertilizantes. 

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