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Saúde mental vira exigência legal nas empresas e entra na agenda de compliance corporativo

Jéssica Palin-Créditos da foto: Divulgação

Jéssica Palin-Créditos da foto: Divulgação

Atualizações na NR-1 e certificação federal colocam o emocional no mesmo nível de risco ocupacional e exigem gestão estruturada nas organizações

A saúde mental passou a integrar formalmente o campo de compliance das empresas brasileiras com a sanção da Lei 14.831/2024 e a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que incluiu os fatores psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. A mudança obriga companhias a identificar, monitorar e mitigar riscos emocionais com o mesmo rigor aplicado a agentes físicos e químicos .

Jéssica Palin Martins, advogada, psicóloga e especialista em saúde mental corporativa, afirma que a nova exigência altera a base da gestão empresarial. “O emocional agora tem o mesmo peso que riscos físicos e químicos. Isso muda completamente a lógica da gestão”, diz.

O avanço regulatório ocorre em paralelo à mudança no comportamento da força de trabalho. Levantamento da Deloitte mostra que 76% dos profissionais da Geração Z consideram a saúde mental um critério decisivo na escolha de emprego, enquanto dados do LinkedIn indicam que o Brasil lidera a rotatividade voluntária, com 56% dos desligamentos por iniciativa do próprio colaborador .

Para a especialista, a combinação entre exigência legal e pressão do mercado transforma o tema em prioridade executiva. “Não é mais sobre oferecer benefício. É sobre cumprir uma obrigação e, ao mesmo tempo, proteger resultado, cultura e reputação”, afirma.

Empresas que já estruturam essa frente têm adotado plataformas de diagnóstico emocional, com testes validados e leitura de dados comportamentais, para apoiar decisões de gestão e reduzir riscos organizacionais . A ausência desse controle, por outro lado, amplia a exposição a passivos trabalhistas e falhas de governança.

“A empresa que não mede, não consegue agir. E hoje deixar de agir significa assumir um risco que já está formalizado na legislação”, diz.

A especialista aponta cinco decisões práticas para tratar saúde mental como compliance

A adaptação às novas exigências passa por decisões objetivas e integradas à operação. Não se trata de criar iniciativas isoladas, mas de estruturar um sistema contínuo de gestão emocional.

Segundo Palin, o principal erro das empresas é tratar o tema como ação pontual ou iniciativa de RH. “Saúde mental precisa estar conectada à estratégia do negócio. É um processo contínuo, com diagnóstico, ação e monitoramento”, afirma.

Com a regulamentação da certificação federal em andamento e a NR-1 já atualizada, a tendência é de maior rigor na fiscalização e cobrança por evidências. Organizações que se antecipam tendem a reduzir riscos e ganhar vantagem competitiva na atração e retenção de talentos.

“A mudança já está em curso. Quem estruturar agora terá mais controle, mais previsibilidade e menos risco no futuro”, conclui.

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