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Seminário Abcic destaca industrialização, inovação e integração para ampliar a produtividade da construção

Créditos da foto: Divulgação

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Modern Construction Show está conectando empresas, tecnologias e profissionais para divulgar a importância da industrialização da construção

A necessidade de um maior conhecimento por parte dos arquitetos sobre a pré-fabricação, uma maior interação destes com as pré-fabricadoras e também o aprimoramento do relacionamento entre universidades e empresas fabricantes, foram ressaltados no Seminário “Os desafios do concreto no Brasil: aplicação na habitação e desenvolvimento tecnológico, da universidade para a fábrica”, promovido pela Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), realizado durante o Modern Construction Show, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Na abertura do seminário, João Carlos Leonardi, presidente do Conselho Estratégico da Abcic, destacou que a industrialização deixou de ser apenas uma alternativa e passou a representar uma necessidade para o país. Segundo ele, é preciso modernizar a construção, em um movimento que depende da aproximação entre arquitetos, engenheiros, incorporadores, construtores e indústria. “A palavra-chave é parceria. Precisamos trabalhar em prol da industrialização, mesclando dentro dos empreendimentos os diferentes sistemas construtivos”, afirmou.

A palestra internacional, ministrada por Samuel Gonçalves, fundador do Summary Studio, em Portugal, mostrou cases de habitações de interesse social e de casas com o uso do pré-fabricado de concreto e da construção modular. “A necessidade de construir mais e em menor tempo, diante da escassez de mão de obra, reforça a busca por processos capazes de otimizar tempo, recursos e produção”, explicou.

Os projetos apresentados utilizaram diferentes configurações de módulos tridimensionais e também elementos bidimensionais conexões mecânicas que permitem desmontagem e reutilização e soluções voltadas à redução da pegada de carbono. Para Gonçalves, a pré-fabricação precisa ser pensada desde a concepção arquitetônica, considerando produção, transporte, montagem, manutenção e eventual reutilização dos componentes.

Ao abordar a relação entre arquitetura residencial e industrialização o arquiteto Pedro Cornetta, da Cornetta Arquitetura, trouxe dois exemplos de casas desenvolvidas a partir de componentes pré-fabricados de concreto. Os projetos demonstraram como peças originalmente utilizadas em infraestrutura, estacionamentos, shopping centers e galpões podem ser adaptadas para residências, com soluções estruturais que exploram grandes vãos, balanços e fachadas. Para ele, a experiência reforçou a necessidade de aproximar concepção arquitetônica e montagem desde as primeiras etapas do projeto, além de ampliar a colaboração entre arquitetura, engenharia e indústria.

O financiamento foi o foco da apresentação de Pedro Incer, da Arqos Incorporadora, que destacou que a pré-fabricação pode trazer ganhos de previsibilidade, qualidade e prazo, mas enfrenta um desafio específico relacionado ao fluxo de caixa, já que parte significativa dos recursos precisa ser antecipada para a produção na fábrica. Segundo Incer, é necessário criar mecanismos para reconhecer o avanço da obra também na etapa de produção offsite e aproximar o mercado de capitais desse modelo. Foi apresentado um case em que o financiamento ocorreu por meio de CRIs e no qual os investidores foram sensibilizados para a necessidade de medição das etapas de fabricação fora do canteiro de obras.

A relação entre habitação, qualidade arquitetônica e industrialização foi discutida pelo arquiteto e professor Paulo Eduardo Fonseca de Campos, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ao apresentar diferentes experiências brasileiras de pré-fabricação, Campos destacou que a construção industrializada pode combinar ganho de escala e qualidade arquitetônica, inclusive em programas de habitação de interesse social, desde que os critérios tecnológicos sejam associados às necessidades de arquitetura e urbanismo.

Interação academia e indústria

O professor Marcelo Ferreira, coordenador do Núcleo de Estudo e Tecnologia em Pré-Moldados de Concreto da Universidade Federal de São Carlos (NetPre/UFSCar), abriu o segundo painel do seminário, abordando a trajetória do Núcleo e enfatizando a parceria com as empresas do setor. As iniciativas envolvem pesquisas aplicadas, ensaios, avaliação de desempenho e desenvolvimento de soluções para elementos como lajes alveolares, ligações e sistemas estruturais. “A aproximação entre universidade e indústria também contribui para a formação de profissionais, já que ex-alunos passam a atuar em empresas do setor, levando conhecimento técnico para o mercado”, disse.

Essa integração foi destacada pela engenheira Anestine Jaeger, da Pré-Vale, que mantém parcerias com universidades em temas relacionados à melhoria de processos e tecnologias. Desse processo, foi desenvolvida a pesquisa e atualmente uso de uma nova tecnologia, que incorpora de dióxido de carbono na produção do concreto. Ela ressaltou a importância de estabelecer uma cultura permanente de inovação dentro das empresas e salientou que a interação com instituições de pesquisa permite validar soluções, ampliar o conhecimento técnico e incorporar novas perspectivas aos processos industriais. “A pesquisa não é um projeto separado do todo. Ela integra o processo de melhoria”, pontuou.

Encerrando o painel, o professor Daniel de Lima Araújo, a Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal de Goiás (EECA/UFG), expôs os mecanismos disponíveis para pesquisa e desenvolvimento em parceria com empresas, incluindo instrumentos previstos na legislação nacional, como a Lei do Bem e a Lei de Inovação, que têm como escopo fomentar a destinação de recursos corporativos a iniciativas voltadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação. Segundo ele, as pesquisas colaborativas podem partir de problemas concretos das empresas ou de lacunas tecnológicas e normativas, gerando conhecimento aplicável ao setor e, em determinados casos, contribuindo também para o aprimoramento das normas técnicas.

Uma realização da Francal, o Modern Construction Show tem a Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), a Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic) e a Associação Brasileira da Construção Industrializada em Madeira Engenheirada (Abracime), como entidades correalizadoras.

Sobre o Modern Construction Show
Data: 29 de setembro a 1 de outubro de 2026
Horário: 13h às 20h
Local: Distrito Anhembi/SP
Informações: https://modernconstructionshow.com.br/

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