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Setembro Amarelo: o papel da família na prevenção do sofrimento emocional dos adolescentes

Especialista destaca a importância do diálogo e do uso saudável das redes sociais

Com a chegada de setembro, mês marcado pela campanha de prevenção ao suicídio, o debate sobre saúde mental dos adolescentes ganha ainda mais força. Em um cenário em que o Brasil é um dos países com maior tempo médio de uso diário das redes sociais, a preocupação das famílias se torna central. De acordo com o doutor em neurociência e psicanálise, psicoterapeuta clínico e especialista em saúde mental familiar, Guilherme Aleixo, o ponto crucial não está em demonizar a tecnologia, mas em aprender a usá-la de maneira saudável.

                “Os adolescentes estão em uma fase da vida em que a construção da identidade e a busca por pertencimento são fundamentais”, explica o especialista. “As redes sociais podem ser um espaço de troca e aprendizado, mas quando o uso não é acompanhado e mediado pela família, podem se transformar em gatilhos para ansiedade, isolamento e baixa autoestima.”

                Segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 14% dos jovens no mundo enfrentam transtornos mentais, e grande parte dos casos tem início ainda na adolescência. No Brasil, levantamentos do Ministério da Saúde reforçam que sintomas de ansiedade e depressão têm aumentado entre adolescentes, especialmente após a pandemia. Para Aleixo, esse cenário reforça a necessidade de atenção constante. “É preciso que os pais observem mudanças de comportamento, como alterações bruscas de humor, isolamento excessivo ou queda no desempenho escolar. Esses sinais não devem ser ignorados.”

                O especialista ressalta ainda que a prevenção passa, sobretudo, pela escuta ativa e pela criação de vínculos de confiança. “O adolescente precisa sentir que pode falar, sem medo de julgamentos. É no espaço de diálogo e acolhimento que surgem as oportunidades de intervir de forma positiva e, quando necessário, buscar acompanhamento profissional.”

                Aleixo reforça que, mais do que restringir ou proibir, é essencial que a família esteja presente e atenta ao modo como os jovens utilizam as redes sociais. Incentivar hobbies offline, compartilhar momentos em família e estabelecer limites claros são medidas que ajudam no equilíbrio. “A saúde mental dos adolescentes é um compromisso coletivo, que começa dentro de casa”, conclui.

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