O domínio do inglês se tornou um diferencial econômico global — no Brasil, a maioria dos adultos não domina o idioma, contribuindo para salários menores, menos oportunidades e desigualdades estruturais, sobretudo para mulheres acima dos 30 anos.
Em um Brasil cada vez mais conectado ao mercado global e competitivo, a falta de proficiência em inglês se transformou em uma barreira econômica. Levantamentos recentes indicam que apenas cerca de 5% da população brasileira possui algum conhecimento de inglês e cerca de 1% tem fluência no idioma — números que colocam o país na 41ª posição em proficiência global de inglês, atrás até de vizinhos como Equador e Chile.
Inglês não é apenas idioma — é diferencial econômico
Uma pesquisa com trabalhadores brasileiros revelou que 38% usam inglês diariamente no ambiente corporativo e outro terço o utiliza em situações específicas de trabalho, como reuniões e apresentações. Esses números apontam para uma realidade em que a língua inglesa já deixou de ser apenas um “plus” para se tornar uma necessidade funcional em muitas carreiras.
No mercado global e nos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), estudos mostram que habilidades mais elevadas — incluindo proficiência em línguas, numeracia e literacia — estão fortemente associadas a maiores taxas de emprego e melhores salários.
Diferença salarial: com inglês vs. sem inglês
Dados de mercado apontam disparidades consideráveis: profissionais fluentes em inglês tendem a receber salários significativamente maiores do que aqueles sem o idioma. Em certos cargos, a diferença salarial pode chegar a mais de 60%.
Mulheres, idade e mercado de trabalho: um contexto desafiador
No Brasil e em outros países, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho persiste mesmo entre pessoas com níveis educativos comparáveis. Relatórios da OCDE indicam que mulheres jovens com qualificação superior ganham, em média, cerca de 75% do salário dos homens.
Quando se adiciona a variável da língua inglesa, essa desigualdade tende a se aprofundar.
“Esses dados refletem exatamente o que observo na prática. Em mais de oito anos atuando como professora de inglês para adultos, percebo uma procura constante de mulheres acima dos 30 anos que buscam o idioma como forma de se capacitar para o mercado de trabalho. Muitas relatam que já perderam oportunidades dentro das empresas ou recebem salários menores por não falarem outro idioma”, afirma Carla Fernandes, professora de inglês e pós-graduanda em Neurociências da Educação.
Produtividade e economia: o custo de não falar inglês
A falta de proficiência em inglês também tem impactos macroeconômicos, afetando produtividade e competitividade.
Mobilidade profissional e oportunidades
Para mulheres acima dos 30 anos, essa limitação tende a ser ainda mais severa.
Por que isso importa para a economia brasileira
Ampliar a proficiência em inglês pode reduzir desigualdades e aumentar competitividade.

