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Simples Nacional sobrevive à Reforma Tributária? O que muda para micro e pequenas empresas

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Especialista explica impactos do novo sistema tributário para MPEs e alertam para pontos de atenção na transição

São Paulo, janeiro de 2026 – A Reforma Tributária, aprovada para simplificar o sistema de impostos sobre o consumo no Brasil, levanta uma dúvida recorrente entre empreendedores: o Simples Nacional vai acabar? A resposta é não. O regime voltado às micro e pequenas empresas está preservado no novo modelo, mas passará por mudanças importantes que exigem atenção e planejamento por parte dos negócios enquadrados nessa modalidade.

Na prática, o Simples Nacional continuará existindo como regime diferenciado de arrecadação, mantendo a unificação de tributos e a lógica de simplificação para empresas com faturamento anual de até R$4,8 milhões. No entanto, com a criação do IVA dual, formado pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de estados e municípios, surgem novos cenários especialmente para empresas prestadoras de serviços e para aquelas que atuam em cadeias mais complexas.

Um dos principais pontos de atenção está na não geração de créditos tributários para clientes que estão fora do Simples. Isso pode afetar a competitividade de micro e pequenas empresas que vendem para médias e grandes companhias, que tendem a priorizar fornecedores capazes de repassar créditos de IBS e CBS ao longo da cadeia.

Segundo Rafael Caribé, CEO e cofundador da Agilize Contabilidade, embora o Simples siga como uma alternativa vantajosa para muitos negócios, a Reforma Tributária torna a análise mais estratégica. “O Simples Nacional não acaba, mas deixa de ser automaticamente a melhor escolha em todos os casos. Com a reforma, algumas empresas podem precisar comparar cenários e avaliar se permanecer no regime simplificado ainda faz sentido do ponto de vista financeiro e comercial”, explica.

Outro fator relevante será o período de transição, que se estenderá até 2033. Durante esse intervalo, empresas precisarão conviver com dois sistemas tributários simultaneamente, o que aumenta a complexidade operacional e reforça a importância de acompanhamento contábil especializado.

Para a Caribé, o principal desafio das micro e pequenas empresas não será apenas entender as novas regras, mas se antecipar a elas. “A reforma traz oportunidades de simplificação no longo prazo, mas, no curto e médio prazo, exige organização, revisão de preços e planejamento tributário. Quem se preparar desde já terá vantagem competitiva”, conclui.

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