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SLA se torna cada vez mais estratégico por ajudar empresas a obter resultados mensuráveis

Cassiano Oliveira, sócio-diretor de operações da Milvus_02

Cassiano Oliveira, sócio-diretor de operações da Milvus_02

Especialista aponta que acordos de nível de serviço deixaram de ser exclusividade da área de TI e passaram a influenciar diretamente a experiência do cliente e a eficiência operacional

Em um mercado cada vez mais competitivo e orientado por indicadores de desempenho, empresas de todos os portes vêm descobrindo a importância de transformar promessas de atendimento eficiente em compromissos mensuráveis. Nesse contexto, o Service Level Agreement (SLA), ou Acordo de Nível de Serviço, deixou de ser uma ferramenta restrita aos departamentos de tecnologia para se tornar um instrumento estratégico de gestão, relacionamento com clientes e controle operacional.

Embora a sigla seja amplamente utilizada em ambientes de suporte técnico e tecnologia da informação, seu conceito é simples: estabelecer, de forma clara e documentada, quais níveis de serviço serão entregues, em quanto tempo e sob quais critérios de qualidade.

Na prática, o SLA funciona como um compromisso formal entre as partes envolvidas. Em vez de promessas genéricas como ‘atendimento rápido’ ou ‘suporte eficiente’, o acordo estabelece metas objetivas e mensuráveis, como responder um chamado em até uma hora ou solucionar uma ocorrência crítica em até quatro horas.

Segundo Cassiano Oliveira, sócio-diretor de operações da Milvus, essa definição clara de expectativas reduz conflitos e aumenta a previsibilidade das operações. “Quando não existem critérios objetivos, cada lado cria sua própria expectativa sobre o serviço contratado. O SLA elimina essa subjetividade porque transforma compromissos em números que podem ser acompanhados e medidos por todos os envolvidos”, afirma.

Embora o conceito pareça complexo à primeira vista, o SLA faz parte do cotidiano de praticamente todas as pessoas. Quando uma empresa informa que uma entrega chegará em até 48 horas, uma operadora promete restabelecer um serviço em determinado prazo, ou um suporte técnico garante retorno em algumas horas, existe nesses casos um acordo de nível de serviço sendo aplicado. A diferença é que, no ambiente corporativo, esses compromissos são formalizados e acompanhados por indicadores específicos.

“Um SLA bem definido transforma uma expectativa em compromisso mensurável. Em vez de depender da percepção de cada pessoa, a empresa passa a trabalhar com metas claras e objetivas”, explica Cassiano.

Cumprir prazos e estabelecer a prioridades

A adoção desse tipo de acordo vem crescendo à medida que as empresas passam a depender cada vez mais de serviços digitais, suporte remoto, plataformas em nuvem e operações distribuídas. Nesse cenário, saber exatamente quanto tempo uma equipe leva para responder ou resolver uma demanda tornou-se um fator crítico para a satisfação dos clientes.

Além de definir prazos, o SLA também ajuda as empresas a estabelecer prioridades. Uma falha que interrompe completamente a operação de um cliente, por exemplo, exige tratamento diferente de uma dúvida simples ou solicitação administrativa.

Por isso, os acordos costumam prever níveis distintos de atendimento conforme a criticidade de cada ocorrência. Os chamados classificados como críticos, por exemplo, normalmente possuem tempos de resposta e resolução significativamente menores do que demandas de baixa prioridade. “Um dos erros mais comuns é tratar todas as solicitações da mesma maneira. Operações maduras utilizam critérios de prioridade para direcionar recursos onde o impacto para o negócio é maior”, explica Cassiano.

Outro benefício importante é a possibilidade de acompanhar o desempenho das equipes por meio de indicadores concretos. Entre os principais estão o tempo de primeira resposta, o tempo total de resolução, os índices de cumprimento dos prazos acordados e a disponibilidade dos sistemas.

Esses indicadores permitem que gestores identifiquem gargalos, ajustem processos e promovam melhorias contínuas com base em dados reais, substituindo percepções subjetivas por informações mensuráveis.

Uma das métricas mais utilizadas é justamente o índice de cumprimento do SLA, calculado a partir da relação entre o número de chamados resolvidos dentro do prazo estabelecido e o volume total de atendimentos realizados em determinado período.

No ambiente corporativo, também é comum que as empresas trabalhem com metas internas mais rígidas do que aquelas prometidas aos clientes. Essa prática é conhecida como SLO (Service Level Objective) e funciona como uma margem de segurança para reduzir riscos de descumprimento dos acordos firmados.

“A organização pode prometer ao cliente uma resposta em quatro horas, mas internamente trabalhar com uma meta de três horas. Essa diferença cria uma reserva operacional importante para absorver imprevistos e manter a qualidade do atendimento”, observa o executivo.

Plataformas com recursos avançados

Com a rápida transformação digital, a gestão de SLA passou a contar com recursos tecnológicos cada vez mais sofisticados. Sistemas de help desk e service desk automatizam o controle dos prazos, monitoram ocorrências em tempo real, enviam alertas preventivos e geram relatórios detalhados sobre o desempenho da operação.

Essas plataformas também conseguem aplicar regras específicas para diferentes clientes, serviços ou níveis de prioridade, além de pausar automaticamente a contagem dos prazos em situações previamente definidas, como quando uma equipe aguarda informações adicionais do usuário.

Para a Milvus, o crescimento das operações digitais e do suporte remoto deve ampliar ainda mais a relevância dos acordos de nível de serviço nos próximos anos. A tendência é que empresas de diferentes segmentos incorporem métricas cada vez mais rigorosas para garantir qualidade, transparência e previsibilidade em seus relacionamentos com clientes.

“O SLA representa uma mudança importante na forma como as organizações gerenciam seus serviços. Ele não existe para cobrar velocidade a qualquer custo, mas para criar previsibilidade, confiança e transparência. Quando bem estruturado, beneficia tanto quem presta quanto quem contrata o serviço”, conclui Oliveira.

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