
Por Rafael Silva, Gerente de Marketing, da Lecom
O setor financeiro sempre foi o guardião da lógica. É onde os números precisam fechar, os processos precisam fazer sentido e a margem de erro deve ser próxima de zero. Talvez por isso seja também o terreno mais fértil, e mais desafiador, para a aplicação da inteligência artificial.
Segundo a Gartner, 70% das iniciativas de IA em finanças falham. E não por limitações da tecnologia, mas por um motivo estrutural: tentam automatizar o caos. A real barreira para a IA não está na ferramenta, e sim nos processos.
Ainda vemos empresas aplicando IA em cima de fluxos frágeis, planilhas desestruturadas e integrações manuais. O resultado é o aumento do retrabalho, decisões sem rastreabilidade, dados desconectados e uma falsa sensação de controle. A inteligência vira uma caixa-preta. E pior: acelera o erro.
IA não é mágica. Processo ruim automatizado vira problema maior
Quando bem aplicada, a IA reconcilia extratos em segundos, antecipa comportamentos e elimina gargalos com precisão. Mas, para isso, precisa de uma base sólida: processos claros, regras bem definidas, integração entre sistemas e dados confiáveis.
Empresas como Comgás, Desktop, Credicitrus e Dislub mostram que a verdadeira transformação não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é conectada ao fluxo do negócio.
Esses resultados só são possíveis quando a automação respeita a lógica da operação. E isso exige mais do que tecnologia. Exige estrutura.
A verdadeira hiperautomação começa antes da IA
Não é a IA que corrige a bagunça. É o processo bem feito que permite que ela funcione.
É isso que chamamos de automação inteligente: um ecossistema onde OCR, RPA, IA e dashboards atuam de forma integrada, guiados pela lógica do negócio, com rastreabilidade nativa e compliance incorporado.
Imagine um processo financeiro conectado de ponta a ponta: o formulário digital inicia o fluxo, o RPA coleta a nota, a IA classifica a despesa, aplica as regras, atualiza o sistema e tudo é exibido em um painel com trilha de auditoria. Isso não é um sistema. É um organismo que aprende, responde e evolui.
Governança, integração e protagonismo
O papel do financeiro mudou. Hoje, a área é cobrada por eficiência, conformidade, previsibilidade e agilidade. Para entregar tudo isso com segurança, a tecnologia precisa ser confiável, transparente e governável.
Quando a IA é implementada com estrutura, ela deixa de ser uma promessa e passa a ser parte do fluxo decisório. E isso só acontece quando há clareza sobre os dados, alinhamento entre áreas e envolvimento do time.
A pergunta que precisa ser feita não é “o que dá para automatizar?”, mas sim “por que automatizar, com que impacto e a serviço de quem?”.
*Rafael Silva é Gerente de Marketing da Lecom
