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‘Split’ da Reforma Tributária vai colocar de R$ 400 bi a R$ 500 bi no caixa do governo, aponta especialista

Agência Senado
Lucas Ribeiro, CEO da ROIT
Agência Senado Lucas Ribeiro, CEO da ROIT

Sistema automatizado, criado pela reforma tributária com previsão de entrar em operação em 2027, vai canalizar para o Fisco recursos da sonegação fiscal

O split payment, sistema automatizado de cobrança de impostos criado pela reforma tributária, vai permitir ao governo federal arrecadar de R$ 400 bilhões a R$ 500 bilhões por ano – cifras equivalentes à sonegação fiscal. A avaliação é do tributarista Lucas Ribeiro, fundador e CEO da ROIT, empresa de tecnologia focada em soluções para a Reforma Tributária.

Em linhas gerais, o split payment consiste em um sistema pelo qual os tributos são segregados no momento dos pagamentos, e destinados, de maneira automatizada, diretamente para o Fisco. O mecanismo traz mais eficiência e segurança ao sistema tributário, reduzindo inadimplência e combatendo a evasão fiscal.

Levantamentos recentes do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) apontam para sonegação fiscal anual no país acima dos R$ 400 bilhões. Já o Sonegômetro, calculadora do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional, projeta cifras superiores acima de R$ 600 bilhões. “Com o split payment, os recursos hoje sonegados vão direto para o caixa do governo”, sublinha Ribeiro.

A estimativa oficial é a de que o sistema seja implementado em 1º de janeiro de 2027. O CEO da ROIT considera, porém, que pela complexidade do split payment, é provável de que não haja tempo hábil para que esteja pronto até lá. Assim, o sistema tende a ser efetivado apenas a partir de 2028, avalia Ribeiro.

De todo modo, o tributarista é enfático: as empresas precisam desde já começar a preparação para a reforma tributária. Em particular no caso do split payment, haverá impactos inéditos no fluxo de caixa das empresas. “Com o split payment, os valores devido de impostos não passar pelo caixa da empresa. É o fim de atrasos no recolhimento e da complexidade das guias de impostos, no entanto alteram a dinâmica do fluxo de caixa”, alerta Ribeiro.

O modelo do split payment já é utilizado em alguns países da Europa, como a Itália e a Polônia. Por lá, foi decisivo para combater a sonegação fiscal e aprimorar a arrecadação, ainda que funcione em parte das operações. “No Brasil, a sua implementação vem acompanhada de desafios tecnológicos e operacionais, mas promete mudar o jogo para empresas e administrações públicas”, frisa o CEO da ROIT.

Diante desse cenário, Ribeiro afirma: a reforma tributária impõe às empresas a necessidade de adoção de fluxos e processos automatizados, e robustos. “Empresas vão precisar profissionalizar sua gestão e investir em tecnologia integrada com o ‘split’ . Não cabem mais planilhas e operações manuais.”

O executivo acompanha a tramitação e participa de debates em torno da reforma tributária pelo menos desde 2019. Tem sido painelista em audiências públicas no Congresso Nacional desde 2023. É idealizador e mantenedor da Revista e Portal da Reforma Tributária, publicações com notícias e análises sobre o tema.

A ROIT desenvolve soluções tecnológicas para enfrentar os desafios da reforma tributária. Utilizando inteligência artificial e automação avançada, a empresa oferece ferramentas como a Calculadora da Reforma Tributária, o Tax Discovery e a esteira de Invoice-To-Pay.

MAIS INFORMAÇÕESSobre a Reforma Tributária: <https://www.reformatributaria.com/>. 

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