O programa vai ao ar dia 13/02 em todas as plataformas digitais
O próximo episódio de Tantos Tempos, idealizado por Carolina Soutello e Aaron Sutton e apresentado por Candice Pomi, promove um encontro potente entre dois importantes pensadores do Brasil contemporâneo: a socióloga Neca Setubal e o filósofo e jornalista Clóvis de Barros Filho,
Ativos, curiosos e no tempo presente
O episódio propõe uma visão de envelhecimento distante da ideia de declínio ou encerramento. Neca e Clóvis mostram que seguir ativo, curioso e engajado não é negar o tempo, mas habitá-lo plenamente. Envelhecer, aqui, aparece como acúmulo de experiência, lucidez e desejo, não como perda de vitalidade.
Envelhecer, tornar-se invisível de forma desigual
Neca Setubal fala sobre a invisibilidade das pessoas mais velhas, especialmente das mulheres, e a sobrecarga histórica do cuidado dentro das famílias. A socióloga relaciona envelhecimento e desigualdade social, destacando como essas camadas de fragilidade se acumulam ao longo da vida e como enfrentá-las não é uma pauta restrita aos mais pobres, mas um desafio estrutural para toda a sociedade.
A importância e a oportunidade da formação educacional e das boas escolhas de vida
Ao revisitar sua trajetória, Neca reflete sobre a importância da educação e do incentivo familiar na construção de caminhos possíveis. Ela destaca como a abertura intelectual dos pais foi determinante para sua escolha pela sociologia e pelo campo social, mostrando como formação, valores e acesso moldam oportunidades ao longo do tempo.
Hoje, aos 74 anos, Neca segue intensamente ativa: além do trabalho à frente da Fundação Tide Setubal, assumiu a Presidência do conselho curador da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura) e coapresenta o podcast Escute as Mais Velhas, ao lado da escritora Sueli Carneiro, em que entrevistam mulheres fundamentais para a história do feminismo brasileiro e para a compreensão do país a partir da memória e da experiência.
A vida como um produto de sucesso e juventude
Clóvis de Barros Filho analisa criticamente os parâmetros contemporâneos de sucesso, hoje fortemente associados ao capital econômico, simbólico e à lógica das redes sociais. Ele questiona a transformação da vida em produto, a busca infinita por reconhecimento e a ilusão de que fama e visibilidade podem preencher o sentido da existência.
Para o filósofo, conceitos como juventude, felicidade e sucesso são campos de disputa simbólica, frequentemente apropriados por interesses que produzem frustração, comparação permanente e esvaziamento do desejo.
Finitude, vontade de viver e intensidade
Diagnosticado com a doença de Behçet, uma condição autoimune rara, grave e incurável, Clóvis fala abertamente sobre a finitude da vida e, sobretudo, sobre sua vontade radical de continuar vivendo.
Longe de uma visão resignada, ele compartilha como o enfrentamento da doença reforçou seu apego à própria vida, à experiência cotidiana e à escolha consciente de viver o presente com intensidade, mesmo diante da incerteza.

