Governador de São Paulo prometeu articular nova definição para o pátio de manobras que ameaça 210 mil m² de área industrial na região
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, comprometeu-se a rever o traçado da Linha 16-Violeta para preservar a atividade econômica da Mooca. O anúncio foi feito durante reunião com empresários e lideranças da região, no Mooca Plaza Shopping, encontro que reuniu ainda o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. A conversa com o setor produtivo foi liderada pelo presidente executivo do Polo Empresarial Mooca, Anderson Festa, que representou o conjunto de empresários e lideranças presentes. O encontro foi intermediado pelo subprefeito da Mooca, coronel Valmor Saraiva Racorti, e pelo vice-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador João Jorge.
“Saímos com a percepção de que o governador compreendeu a dimensão do que está em jogo para a Mooca e para São Paulo”, afirmou Festa. “Somos totalmente favoráveis à expansão do metrô e à chegada de novos projetos de mobilidade urbana, mas precisamos de uma definição que permita conciliar esses investimentos com a continuidade de operações industriais que estão há décadas na região, preservando empregos e a atividade de um dos mais importantes centros produtivos do estado.”
Ao governador, Festa entregou um ofício detalhando os mais de R$ 1 bilhão em investimentos privados previstos pelas empresas na Mooca. Os recursos estão reservados para planos de expansão, modernização e ampliação da capacidade produtiva de empresas instaladas na região.
“Não estamos falando de um entrave burocrático qualquer, mas de um bilhão em investimentos que geram emprego e renda”, destacou o executivo. Tarcísio ainda se comprometeu a se reunir com o secretário de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo, Rafael Benini, para encaminhar a revisão do local destinado ao pátio intermediário de manobras da linha. A região envolve 228 empresas, 421 mil metros quadrados de área produtiva e R$ 12 bilhões em faturamento anual.
O presidente do Polo Empresarial Mooca aproveitou o encontro para oficializar um convite ao governador para conhecer de perto algumas das instalações das empresas associadas. Tarcísio manifestou interesse na visita e ainda sinalizou que deve incluí-la em sua agenda de campanha à reeleição, o que abre espaço para uma aproximação mais direta entre o governo estadual e o setor produtivo da região.
O prefeito Ricardo Nunes também se comprometeu a dar continuidade às tratativas, informando que proporá um novo encontro com a secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento, Bete França, para discutir alternativas ao projeto. Na sequência, o prefeito afirmou que voltará a se reunir com os empresários do Polo para avançar na construção de uma solução no menor prazo possível.
O projeto de instalação de um pátio intermediário de manobras para a futura Linha 16-Violeta preocupa os empresários do Polo Empresarial Mooca há pelo menos três anos. A proposta original prevê o uso de cerca de 100 mil metros quadrados na Avenida Henry Ford para estacionamento e manutenção dos trens, em um trecho que se modernizou ao longo das últimas décadas. Hoje, a região abriga plantas industriais de alta tecnologia e empresas líderes em seus segmentos, com operações voltadas aos mercados nacional e internacional. Uma eventual desapropriação, neste cenário, exigiria a transferência de estruturas industriais estruturadas ao longo de décadas, colocando em risco a continuidade das atividades das empresas.
Em outubro de 2025, durante audiência pública, o Polo Empresarial Mooca apresentou ao governo 29 sugestões técnicas para a implantação da Linha 16-Violeta, incluindo alternativas para a localização do pátio de manobras. Uma das alternativas considera o Viaduto São Carlos, em uma área de 144 mil metros quadrados sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Outra seria a antiga área da Antárctica, que não possui edificações ou áreas tombadas. As contribuições do Polo também contemplam ajustes no traçado e na localização de estruturas previstas para a implantação da linha, como a vala de obras e uma futura estação, o que contribuiria diretamente para a manutenção da atividade produtiva na região.
“Nosso objetivo sempre foi apresentar caminhos técnicos e viáveis, e não simplesmente resistir ao projeto”, disse Festa. Segundo o executivo, as propostas buscam viabilizar a estrutura com baixo impacto social e econômico, preservando a atividade produtiva da região e oferecendo alternativas concretas às áreas atualmente previstas para o empreendimento.

