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Tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros pressiona exportações, PIB e cardápios de restaurantes

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Marcelo Marani - Créditos da foto: Divulgação
Marcelo Marani – Créditos da foto: Divulgação

A medida atinge café, carnes, pescados e suco de laranja; especialistas veem retração econômica e aumento de custos no foodservice 

O tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, anunciado em 9 de julho  e com vigência desde 6 de agosto de 2025, redesenha o cenário econômico entre os dois países e gera impactos imediatos para exportadores, consumidores e empresários do setor de alimentação. A lista de 694 exceções divulgada em 30 de julho amenizou parte das perdas, mas não contemplou itens estratégicos como café, carnes, pescados e suco de laranja, pilares da pauta brasileira nos EUA.

Segundo dados oficiais, o comércio bilateral registrou superávit de US$ 1,7 bilhão para os americanos no primeiro semestre, evidenciando a relevância da relação e o peso das tarifas para o equilíbrio econômico. A Fiesp projeta impacto de –0,20 ponto percentual no PIB, enquanto o Goldman Sachs calcula retração entre –0,15 p.p. e –0,60 p.p. 

Para o consumidor brasileiro, o efeito é duplo, no curto prazo, houve alívio nos preços internos,  o IPCA de junho apontou deflação de –0,18%, puxada por carnes e café,  mas a valorização do dólar (+5,5% desde abril) já pressiona insumos importados e ameaça reverter essa tendência.

No setor de bares e restaurantes, a FHORESP alerta que cardápios podem ficar até 10% mais caros. O aumento decorre da recomposição de preços de proteínas, pescados e sucos, além do café, que perdeu 30% de destino externo, o equivalente a 3 milhões de sacas de 60 quilos.

Marcelo Marani, fundador e CEO da Donos de Restaurantes, considera que a pressão sobre a operação será inevitável. “Com insumos mais caros, os empresários precisarão rever a precificação e trabalhar com margens muito mais apertadas. Não se trata apenas de aumentar o preço do cardápio, mas de reorganizar toda a estrutura para continuar competitivo”, analisa.

A China anunciou em julho a abertura de seu mercado para 183 exportadoras brasileiras de café, movimento que pode absorver parte das perdas, mas a transição é gradual. Para Marani, a diversificação é necessária, mas não elimina o choque imediato. “O problema é imediato para quem depende do mercado americano. A diversificação com a China é positiva, mas não resolve a queda abrupta na demanda dos Estados Unidos. Os restaurantes sentirão esse choque na ponta, porque o preço no atacado já começa a subir”, explica.

Especialistas também veem efeitos cruzados. A redução temporária da inflação de alimentos pode abrir espaço para o Banco Central reduzir a Selic, hoje em 15% ao ano, estimulando consumo e crédito. Por outro lado, o desaquecimento das exportações compromete a indústria nacional. O setor de aviação, por exemplo, teme que a Embraer perca espaço para Boeing e Bombardier no mercado americano.

No foodservice, o desafio é absorver os custos sem afastar o cliente. “O dono de restaurante que não tem controle rigoroso de fluxo de caixa, precificação estratégica e visão de longo prazo dificilmente vai atravessar esse período. Não adianta vender muito se a margem some no meio do caminho”, alerta Marani.

A combinação de retração do PIB, pressão cambial e aumento de preços no setor de alimentação fora do lar configura, segundo analistas, um choque assimétrico, negativo para exportadores e consumidores de restaurantes, mas com ganhos pontuais para o consumo doméstico e oportunidades de reposicionamento no mercado asiático. “O maior desafio agora é transformar esse choque em aprendizado. O empresário que apenas repassa custo ao cliente pode perder público. É hora de inovar no cardápio, negociar com fornecedores e buscar eficiência. Quem conseguir se adaptar vai sobreviver; quem não fizer isso corre sério risco de ficar pelo caminho”, conclui Marani.

Sobre Marcelo Marani

Marcelo Marani é fundador e CEO da Donos de Restaurantes, uma das principais escolas para donos de restaurantes da América Latina. Professor formado em Ciência da Computação, com mestrado em Administração de Empresas, defendeu em 2007 uma tese que mostrava que 70% dos donos de restaurantes não trabalham com qualquer tipo de fidelização.

Empresário, sócio de mais de 10 empresas do foodservice, com um faturamento de R$30MM em 2024, tem mais 25 anos de experiência no mercado de alimentação e é considerado um dos maiores especialistas em gestão e aumento de faturamento para restaurantes do Brasil.

Marani é também apresentador de TV, no programa Café com Chef da Band todo domingo de manhã, é host do podcast mais escutado no Brasil para donos de restaurantes e também autor do livro Transforme o seu Restaurante em um Negócio Milionário, da editora Gente.

Marani já treinou mais de 25 mil empresários, em 19 capitais do Brasil, e já fez trabalhos em Portugal e na Argentina. Para mais informações, visite o Instagram.

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