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Tarifaço de 50% dos EUA força empresas de cosméticos a repensar exportação

Crédito da foto: Divulgação
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Um dos cinco maiores do mundo, mercado brasileiro de cosméticos não escapou da nova tarifação

O setor de cosméticos brasileiro figura entre os cinco maiores do mundo e deve alcançar a marca de R$ 130 bilhões comercializados em 2026. Pelo menos essa era a projeção feita pela Statista antes do desafio nascido da tarifa adicional de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Em vigor desde 6 de agosto, a medida colocou um novo obstáculo no caminho da indústria local e tem forçado a busca por alternativas. Nesse cenário, Kelly Dal Santos, CEO e fundadora da Nuance Professional, empresa goiana de cosméticos capilares, afirma que deixar de exportar não é uma opção. “Passamos por um processo rigoroso e oneroso junto ao FDA para permitir a entrada de nossos produtos no país. Temos compradores que contam com a chegada de nossas linhas. Precisamos encontrar formas de continuar levando nossos produtos”, argumenta.

Empresas buscam alternativas logísticas

Como Dal Santos explica, a marca envia 200 mil unidades para o País trimestralmente. No momento, seus compradores estrangeiros estão abastecidos, mas, a menos que algo mude nos próximos meses, a próxima remessa vai precisar de uma alternativa. De fato, para contornar a sobretaxa, fabricantes brasileiros estudam estratégias como redirecionamento da produção para países vizinhos aos EUA, onde poderiam estabelecer centros de distribuição com tarifas menores.

Ao mesmo tempo, a CEO da Nuance também explica que empresários dos Estados Unidos estão formalizando empresas fora do país para lidar com a tarifação. Segundo ela, essa alternativa pode encarecer a cadeia produtiva em até 20%, mas ainda mantém os produtos mais competitivos que a tarifa integral de 50%.

Mercado nacional permanece robusto

Apesar dos desafios externos, o mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais mantém perspectivas positivas, com crescimento projetado de 5,85% ao ano até 2029, como apontam dados da Mordor Intelligence. Um dos fatores preponderantes está no fato de o Brasil estar entre os três maiores lançadores de novos produtos de beleza no mercado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) e Statista.

Mais do que isso, o setor registrou a abertura de mais de 170 mil pequenos negócios no primeiro semestre de 2024, demonstrando a vitalidade do mercado interno enquanto empresas se adaptam às mudanças do cenário internacional.

Abertura para novos mercados

Apesar do novo desafio, a presença no mercado estadunidense por si abriu novas oportunidades a serem exploradas. Como explica Kelly Dal Santos, a rigidez do processo de aprovação serviu como uma espécie de chancela. “Foi um processo caro e demorado, mas, em compensação, depois que recebemos a aprovação outros países que estávamos prospectando abriram suas portas aos nossos produtos”, pontua.

Agora, com o tarifaço, cabe à indústria brasileira buscar formas de continuar atendendo à demanda estrangeira, ao mesmo tempo em que explora novas oportunidades de negócios com os mercados vizinhos.

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