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Tarifaço, Ibovespa e Copom: o que marcou o mês de agosto e o que esperar de setembro

Marcelo Giorgi, analista de investimentos na WIN Invest - Créditos: Divulgação
Marcelo Giorgi, analista de investimentos na WIN Invest – Créditos: Divulgação

Por Marcelo Giorgi, analista de investimentos na WIN Invest

Agosto foi marcado, em especial, pelo tarifaço dos EUA imposto a vários países, mas também pelo impasse criado sobre a tarifação decretada ao Brasil.

O dado positivo observado foi a intensa negociação entre EUA e seus parceiros econômicos, como União Europeia e China, postergando por mais algum tempo a efetivação de uma alíquota para ambas as partes.

Internamente, uma diminuição nas exportações brasileiras tende a abastecer o mercado interno, ajudando de certa forma a conter e até mesmo baixar a inflação. Contudo, outros fatores não menos importantes como mercado de trabalho, menor arrecadação e balança comercial podem sofrer e terem seus resultados prejudicados, forçando o governo a tomar outras medidas compensatórias, nem sempre populares e até mesmo restritivas à economia.

O índice da bolsa brasileira, IBOVESPA, bateu novo recorde no fim do mês, superando os 141.564 pontos, apesar do mês ter sido irrigado por vários movimentos como inflação doméstica e problemas ainda de cunho fiscal, fluxo cambial, tarifaço, Lei Magnitsky, juros americanos e entre outros. 

Dados positivos como deflação do IPC-A, ainda que contaminada pelo bônus de itaipú, mas que se estabelece estável. Embora ainda em patamar elevado, o fluxo cambial positivo, já antecipando de alguma forma a queda de juros nos EUA, e a prorrogação do acordo EUA x China sobre as tarifas nos parece fatores preponderantes para a melhora na percepção do mercado.

Segmentos como o bancário, com destaque para a boa recuperação de Banco do Brasil após divulgação de resultados ruins; e o setor de alimentos, com Marfrig e JBS (agora BDR) que, embora tarifados, foram resilientes, assim como mineração e energia, que ficaram de fora da maior alíquota, são destaques positivos.

Já o destaque negativo fica por conta do setor de petróleo, onde tanto Petrobrás, muito por conta do aumento da produção mundial, quanto Prio, por conta de decisão judicial de interrupção na produção por problemas de documentação e dilúvio no campo de Peregrino.

Apesar de ainda não termos os dados fechados no mês, a julgar pelos últimos movimentos positivos da Bolsa, existe a percepção de entrada de recursos específicos para esse fim, embora o fluxo cambial financeiro e comercial sejam negativos, sendo fruto de remessas de lucros e pagamentos de juros.

Com a provável redução dos juros nos EUA, é normal imaginarmos que os recursos migrem para mercados mais atraentes como o Brasil. 

Embora o mercado futuro de juros já acene com quedas relevantes no início de 2026 em diante, a expectativa com relação à taxa básica de juros (SELIC) para setembro ainda é de manutenção do atual nível de 15%a.a. A inflação, mesmo que de certa forma estabilizada, mas insistentemente acima do teto da meta, não favorece ações mais arrojadas por parte do COPOM nesse momento.

Este ponto somado ao fato da possibilidade de redução das taxas de juros nos EUA em setembro pode trazer um fluxo de capital ao país, visando, não somente a renda fixa com juro extremamente alto, mas também beneficiar-se do mercado acionário. Isso abriria boas oportunidades de aquisições em ações de forma geral e, especificamente, em ações de empresas ainda descontadas em relação a seus valores patrimoniais.

São movimentos tido como normais na medida em que o prêmio de risco Brasil sobe com a queda nos juros nos EUA, despertando maiores interesses dos investidores estrangeiros.

Devemos ter no radar algo como “mais do mesmo”, ou seja, guerra Rússia x Ucrânia, a interferência e penalizações tarifárias dos EUA nas relações comerciais entre países com negócios com a Rússia e dados econômicos relacionados às tarifas já praticadas. Mas, sem dúvida, o grande acontecimento do mês será mesmo a divulgação da nova ou não, taxa de juros nos EUA. Contudo e, como sempre, não menos importante, o comunicado ao mercado ganha certamente muito mais relevância do que propriamente a divulgação do número.

Não esqueçamos, porém, de nossa reunião do COPOM que não sugere alteração do quadro atual, mantendo a taxa SELIC inalterada.

A soja certamente foi o destaque após acordos com a China na expectativa de um volume maior de exportação ao país asiático. Café também teve ótima performance, embora esteja dentre os produtos tarifados com alíquotas máximas, mas com projeção de menor safra ainda em 2025, em razão de fatores climáticos.

Já metais preciosos, como ouro, não sofreram grandes variações em razão da acomodação da percepção sobre risco EUA e ao dólar.

Ainda é muito cedo para mensurar algum efeito na economia oriundo das tarifas. Os preços de produtos exportados sofrerão aumentos significativos, contudo, se isso será absorvido pelo mercado norte americano é uma pergunta que certamente os próximos meses responderão.

Nos parece a percepção interna um pouco afetada em razão dos problemas políticos e o quadro fiscal que ainda permeiam o mercado, além da inflação insistentemente acima da meta do governo. Contudo, o fluxo de capital estrangeiro no país foi o combustível necessário para melhores performances de diversos segmentos.

Sobre a WIT – Wealth, Investments & Trust

A WIT – Wealth, Investments & Trust – é assessoria, planejamento e execução para cuidar do patrimônio de pessoas, grupos familiares e empresas, de forma integral e sincronizada, apoiada por uma sofisticada estrutura de especialistas e de empresas que atuam de forma independente, porém complementar. O multi family office atua nas áreas de assessoria de investimentos; fundos exclusivos; câmbio e remessas internacionais; serviços financeiros e emissão de dívidas em mercado de capitais; ativos imobiliários e consultoria patrimonial. Atualmente, a empresa está presente em nas capitais de São Paulo e Paraná, em Curitiba, e em cidades do interior paulista: Campinas, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista, Araçatuba, Votuporanga, Jundiaí e Itu.

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