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Todomoda muda lógica de lançamentos e aposta em cápsulas para produzir mais perto da demanda

Créditos da foto: Divulgação

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Com coleções menores e novidades frequentes, marca registra sell-through superior a 90% e transforma a escassez em ferramenta de negócio e descoberta para o consumidor

O calendário da moda costumava ditar quando uma consumidora deveria procurar novidades. Hoje, esse movimento acontece de forma contínua. Tendências surgem nas redes sociais, ganham escala em poucos dias e influenciam o comportamento de compra muito antes da chegada de uma nova estação.

Para acompanhar esse cenário, a Todomoda, marca de acessórios femininos,  vem mudando a lógica de lançamento de produtos no varejo. Em vez de concentrar grandes volumes em coleções planejadas com meses de antecedência, a marca aposta em Cápsulas, lançamentos menores, de quantidade limitada e com maior frequência nas lojas.

O modelo aproxima a produção da demanda real e permite que a empresa acompanhe o comportamento das consumidoras antes de decidir os próximos passos. Na prática, a estratégia é produzir menos de cada vez, medir a resposta e ajustar rapidamente o sortimento.

Os resultados indicam uma redução significativa da necessidade de remarcações. As Cápsulas lançadas pela Todomoda em 2025 tiveram sell-through superior a 90%, ou seja, menos de 10% das peças precisaram de remarcação. Em 2026, o indicador vem se mantendo no mesmo patamar.

“Em vez de tentar adivinhar o que a cliente vai querer daqui a seis meses, produzimos pouco, observamos o que ela escolhe e ajustamos o passo seguinte. É uma forma de trabalhar mais próxima da demanda real”, explica Adriano Magalhães, CEO da Todomoda no Brasil.

Menos aposta, mais leitura de demanda

Por trás da estratégia está uma mudança na forma de lidar com um dos principais desafios do varejo de moda: decidir hoje quanto produzir de um produto cuja demanda só será conhecida no futuro.

O modelo tradicional exige que grandes volumes sejam definidos com antecedência. Quando a previsão não se confirma, o varejista pode terminar com excesso de estoque, necessidade de remarcação e, em última instância, produtos que deixam de ter valor comercial.

As Cápsulas trabalham com outra lógica. Ao reduzir o volume de cada lançamento, a Todomoda limita o tamanho de um eventual erro e, ao mesmo tempo, obtém dados reais sobre a aceitação de cada produto.

A estratégia também muda a relação entre estoque e novidade. Uma peça que tem boa saída pode orientar novos lançamentos, enquanto produtos com menor resposta não necessariamente são repetidos ou ampliados. É a resposta rápida do varejo.

Quando a compra vira descoberta

Há ainda um segundo efeito. Ao trabalhar com quantidades limitadas e lançamentos frequentes, a marca transforma parte da visita à loja em uma experiência de descoberta.

A consumidora pode chegar sem procurar especificamente por determinado produto e encontrar uma novidade que conversa com seu estilo. A lógica é semelhante ao conceito de “caça ao tesouro” usado pela varejista americana Costco para descrever parte de seu sortimento limitado e variável, ou à experiência construída pela Trader Joe’s no varejo alimentar, com produtos que estimulam a descoberta durante a visita.

“Quando a cliente entra sabendo exatamente o que procura, a relação com o produto é funcional. Quando encontra algo que conversa com o seu estilo e que não vai encontrar em todo lugar, existe uma dimensão diferente na experiência”, afirma Magalhães.

Exclusividade sem ser luxo

A quantidade limitada também cria uma nova interpretação para o conceito de exclusividade. Nesse modelo, exclusividade não depende necessariamente de preço alto ou posicionamento premium. Pode estar simplesmente na possibilidade de encontrar uma peça que não será vista em grande escala.

Para uma marca de acessórios com posicionamento democrático, essa é uma diferença importante. A cliente pode ter acesso a uma novidade que ajuda a expressar sua identidade sem que o produto precise assumir características tradicionalmente associadas ao mercado de luxo.

A estratégia responde, assim, a uma consumidora que busca novidade, mas também quer fazer escolhas que tenham relação com seu próprio estilo.

O desafio de acelerar sem estimular o descarte

A maior frequência de lançamentos também traz uma questão para o próprio modelo: como acompanhar a velocidade das tendências sem transformar novidade em incentivo ao descarte?

Para o CEO, lançar com mais frequência não pode significar estimular o descartável. A Cápsula só faz sentido se a peça continuar sendo usada depois que a tendência passar e se o modelo ajudar a reduzir o que sobra.

A estratégia da Todomoda parte de uma mudança que já afeta o varejo de moda: as tendências ficaram mais rápidas, mas a resposta do negócio não precisa ser produzir mais. Pode ser produzir melhor, em menor escala e mais perto do momento em que a demanda acontece.

Nesse cenário, as Cápsulas funcionam como uma combinação de produto, experiência e inteligência comercial: oferecem novidade para a consumidora, geram dados para a marca e permitem que a produção acompanhe mais de perto aquilo que efetivamente encontra espaço no mercado.

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