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Trilhas das Memórias Negras se expande para outras cidades e lança e-book

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Neste sábado (14/03), a atividade percorre o centro de São Paulo sob uma perspectiva afro-indígena, além de celebrar a publicação de um e-book e a aterrissagem no Rio de Janeiro 

Em 2025, a consultoria de educação antirracista Inaperê começou um projeto que previa a realização de uma caminhada pelo centro de São Paulo com outro olhar. O objetivo era recontar a história da cidade e do país sob os olhos de personalidades negras, por séculos silenciadas. E assim nasceu o “Trilhas das Memórias Negras”, que neste sábado, 14 de março, realiza sua primeira edição do ano na capital paulistana. 

Os cofundadores da Inaperê e educadores, Léo Bento e Andréa Ladeira, percorrem o centro de São Paulo contando a história da cidade e do país a partir da perspectiva de ícones negros e indígenas como Luiz Gama, Dandara dos Palmares, Zumbi, Tebas, Luísa Mahin, entre outros. Parte do que for arrecadado com as inscrições será revertida em doações para a biblioteca da Favela da Paz, no bairro do Limão, na capital paulista.

Com ponto de encontro na escadaria da Catedral da Sé e encerramento no Largo do Arouche, a caminhada tem início  às 9h e se encerra às 12h30. As inscrições estão abertas pelo Sympla. Em caso de chuva, a caminhada é mantida normalmente, com distribuição de capas aos participantes. 

Trilhas cariocas e e-book 

Léo Bento é natural do Rio de Janeiro e, desde o começo do projeto, tinha interesse de realizar uma versão das trilhas em sua terra natal. No final de 2025, foi dado o pontapé inicial e duas edições já foram promovidas, percorrendo locais de história e resistência que vão da Igreja da Cendelária até o Campode Santana, passando por pontos importantes da cidade como a Praça Tiradentes, o Largo da Carioca, entre outros. 

A Inaperê disponibiliza um e-book, enviado posteriormente a todos os participantes, que traz mais informações sobre os locais visitados e sobre personalidades negras que são um sinônimo de resistência para a comunidade afro-brasileira. 

A história das Trilhas 

Foi a partir de uma inquietação que os professores Leonardo Bento, Andréa Ladeira e outros parceiros criaram esse projeto que prevê uma caminhada pelo centro de São Paulo. A atividade pedagógica se inicia na escadaria da Sé e percorre pontos como a escultura em homenagem ao Tebas, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, o busto de Luiz Gama, a estátua da Mãe Preta e do Zumbi dos Palmares, entre outras paradas. 

Mais do que uma caminhada, as “Trilhas das Memórias Negras” são uma vivência pedagógica que desafia os participantes a revisitar a história oficial do Brasil sob uma outra ótica: a das populações negras e indígenas, cujas vidas foram precarizadas por séculos. “Não é turismo, nem passeio. É formação. Nosso objetivo é que cada pessoa saia da Trilha mais consciente, mais crítica e com ferramentas concretas para agir contra o racismo estrutural em seu cotidiano”, explica Leonardo Bento, historiador e sócio-fundador da Inaperê.

A proposta não é apenas sensibilizar, mas provocar reflexão e ação. Durante o percurso, os educadores propõem um exercício de letramento racial e histórico: o participante é convidado a “ler” a cidade, reconhecendo como o espaço urbano também expressa as marcas do racismo estrutural. Cada parada – seja diante de uma escultura, de uma igreja ou de um monumento – revela tanto os silenciamentos quanto as resistências que moldaram a formação social do país. “É um processo de desaprendizado e reconstrução. As pessoas se emocionam, questionam e voltam para casa com um novo olhar sobre o cotidiano”, destaca Andréa Ladeira, historiadora e cofundadora da consultoria.

As Trilhas também funcionam como uma potente ferramenta de formação docente. Ao integrar prática e teoria, a iniciativa complementa o currículo escolar e apoia o cumprimento das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Com isso, professores, estudantes e o público em geral tornam-se agentes de transformação, capazes de identificar e intervir em situações de desigualdade racial dentro e fora das instituições de ensino. Ao término da caminhada, além do e-book, os participantes recebem um certificado de participação.

Serviço – Trilhas das Memórias Negras
Local: Centro de São Paulo (Catedral da Sé ao Largo do Arouche)
Próxima edição: 14 de março (sábado)
Horário: das 9h às 12h30
Investimento: R$ 110 (caminhada) 
Público: a partir de 10 anos (menores acompanhados não pagam a caminhada)
Inscrições: Sympla – Trilhas das Memórias Negras

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