*Por Laura Porto, Mentora Organizacional, Escritora, Poeta e Produtora Cultural
Isso é quase um grito de socorro, é quase uma veia jorrando sangue.
Coragem, meu povo!
Onde estás tu, ó coragem, para viver e levantar todos os dias?
Onde estás tu, coragem de seguir em frente, de derrubar tantas barreiras e pisotear os desconfortos?
Onde estás tu, ó grande e singela coragem, que me abandonas no meio do nada, sem nem dar um aviso ou um apito de retirada?
Onde estás tu, ó coragem envergonhada, que preferes se esconder a encarar a lida, o dia e o cara a cara?
Onde estás tu, ó miserável e indigente coragem, que me deixaste na beira da estrada e me largaste ao acaso?
Filha de uma boa mãe, sem dó nem piedade me trouxeste esperança, e, na hora H, me largaste na mão.
És tu, coragem maldita, que encheste o peito e disseste: “Nada e nem ninguém me amedronta…” e foste a primeira a correr e picar a mula.
É, coragem, tu foste embora e me deixaste.
Não me deste aviso prévio e nem me falaste para onde irias.
Só viraste as costas e me largaste.
Aqui fiquei eu, com a cara feita pastel, sem coragem e sem ação, esperando que tu me desses uma pista, eu que sempre cuidei de ti, amei-te e até te idolatrei.
Não, tu não és mais a coragem. És apenas a sombra do que querias ser.
Então não eras coragem desde o início — eras apenas o medo travestido de coragem.
Se lá te foste, tu não eras coragem; eras o medo e me enganaste.
Agora já sei quem tu és: tu és o medo que nunca teve coragem de me olhar nos olhos, de me amar e de me ajudar.
Tu és o medo selvagem… vai-te embora e me deixas a coragem.
Ela é minha e não a tua imagem; a coragem é um ato, e tu és apenas o medo que tenta matá-la.
Enganaste-me por um tempo, mas tua máscara caiu por inteiro, e eu fico a olhar-te.
Pobre de ti, ó medo imbecil.
Eu fico aqui com a coragem, sorrindo de volta para mim, sem máscaras, sem medo.
Só eu e ela, só ela e eu.
Sim, a coragem!
Coragem, meu povo!

