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Varejo lidera em volume, porém Serviços e Indústria lideram em valor: estudo da Qive mapeia R$ 277,3 bilhões em serviços contratados no Brasil

Daniel Paschino_CFO da Qive_Crédito imagem Rafael Arbex_ (2)

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Em quantidade de notas, o Varejo é o maior contratante do país, com 11 milhões de NFSe recebidas; já em valor, o próprio setor de Serviços lidera, com R$ 71,2 bilhões, seguido pela Indústria, com R$ 44 bilhões

Segundo análise de dados da Qive, plataforma líder de contas a pagar, o varejo é o maior contratante de serviços do Brasil quando o critério é o volume de NFSe. Quando a análise passa a considerar o valor financeiro movimentado, a ordem se reorganiza: o próprio setor de Serviços aparece à frente, com R$ 71,2 bilhões contratados, seguido pela Indústria, com R$ 44 bilhões. 

A conclusão faz parte de um levantamento inédito que analisou 40,4 milhões de Notas Fiscais de Serviços Eletrônicas (NFSe), responsáveis por movimentar R$ 277,3 bilhões entre 1º de janeiro e 12 de junho de 2026, e identificou que o mercado B2B funciona, na prática, com duas lógicas distintas de contratação: uma baseada na alta frequência de emissão e outra concentrada em operações de maior valor unitário.

Os serviços responderam por R$ 7,6 trilhões do valor adicionado da economia brasileira em 2025, cerca de 69% do total, segundo o IBGE. Até agora, porém, esse mercado era acompanhado sobretudo por indicadores macroeconômicos e permanecia pouco visível em dados fiscais padronizados.

O comportamento dos setores ajuda a explicar as duas lógicas identificadas. Em quantidade de notas, o Varejo aparece como o maior tomador de serviços entre os setores analisados, com cerca de 11 milhões de NFSe recebidas, aproximadamente 27% da base analisada, reflexo de uma operação que depende continuamente de manutenção, tecnologia, transporte e infraestrutura para se manter em funcionamento. 

Quando o critério passa a ser o montante financeiro, o Varejo cai para o terceiro lugar, com R$ 36,01 bilhões. À frente dele estão o setor de Serviços, com R$ 71,2 bilhões, e a Indústria, com R$ 44 bilhões, cerca de 16% de todo o montante analisado.

Boa parte do que o setor de Serviços contrata vem dele mesmo: R$ 30,44 bilhões circulam entre empresas do próprio setor, o maior fluxo de toda a base analisada.

Os dados também mostram que os serviços com maior quantidade de notas na rotina corporativa são os ligados à operação: manutenção e conservação de máquinas, veículos e equipamentos, com 4,7 milhões de notas, seguida pelo licenciamento de softwares (4,4 milhões), transporte de natureza municipal (3,3 milhões), agenciamento e intermediação de títulos e contratos (3,2 milhões) e processamento e hospedagem de dados (1,9 milhão).

Quando o critério é o valor financeiro, o cenário muda por completo. A execução de obras por empreitada lidera, com R$ 34,4 bilhões, seguida pelos serviços hospitalares, clínicos e laboratoriais (R$ 14,2 bilhões), pela manutenção de máquinas, veículos e equipamentos (R$ 13,8 bilhões), pelo licenciamento de software (R$ 12,3 bilhões) e pela armazenagem (R$ 9,6 bilhões).

Para Daniel Paschino, CFO da Qive, essa diferença revela como a frequência de contratação e o impacto financeiro obedecem a lógicas distintas. “Esse cenário mostra que as empresas convivem diariamente com duas dinâmicas muito diferentes. De um lado, milhares de contratações recorrentes garantem a continuidade da operação. De outro, um volume menor de notas de alto valor concentra uma parcela significativa da exposição financeira. Cada uma dessas realidades exige modelos próprios de governança, controle e gestão. Na rotina recorrente, o desafio é processar volume com padronização, automação e tratamento eficiente de exceções. Nos grandes projetos, cada documento exige mais controle sobre contrato, aprovação, retenção fiscal e impacto no caixa. Os dois fluxos chegam ao contas a pagar, mas não podem ser administrados com a mesma régua”, revela o executivo.

Esse desafio de gestão apontado pelo especialista  ganha uma camada extra de complexidade quando se analisa o ciclo de vida de uma contratação. Na visão de Paschino, para que as empresas consigam aplicar essas “réguas diferentes” de controle com sucesso, o planejamento precisa ser antecipado, pois o fluxo de conformidade de um serviço começa muito antes da emissão do documento fiscal.

“O fluxo de pagamento de um serviço não começa quando a nota chega no contas a pagar. Ele se inicia muito antes: na escolha do parceiro, na homologação de fornecedores, na verificação de licenças, na definição clara de onde o serviço será prestado e no acompanhamento da entrega. Quando essas informações operacionais não estão integradas desde o início, as áreas fiscal e financeira são obrigadas a reconstruir todo esse histórico na hora de validar a nota, um momento em que a margem para corrigir erros é quase nula e o risco de prejuízo é alto. Em contratos complexos ou recorrentes, focar apenas no menor preço sem essa visão integrada de ponta a ponta costuma custar muito mais caro no final”, alerta.

São Paulo concentra quase 40% do volume de NFSe analisado 

A concentração da atividade econômica também aparece na distribuição geográfica dos serviços. São Paulo responde por cerca de 16 milhões de NFSe recebidas, o equivalente a aproximadamente 40% do volume analisado, além de R$ 107,6 bilhões em serviços contratados, cerca de 39% de todo o montante movimentado pela base. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (R$ 39,2 bilhões), Minas Gerais (R$ 23,3 bilhões) e Paraná (R$ 16,5 bilhões). Como prestador, São Paulo emite 17,4 milhões de notas e R$ 104,7 bilhões em serviços.

Outro dado relevante é que 56,2% das notas do período foram emitidas entre prestadores e tomadores do mesmo estado, indicando que, apesar do avanço da digitalização e da prestação remota de diversos serviços, boa parte da economia de serviços ainda se apoia em redes locais de fornecedores.

Transição gradual para a Reforma Tributária

Essa mesma base também oferece um retrato da adaptação das empresas à Reforma Tributária, tema que o Panorama do Contas a Pagar acompanha desde a edição de abril. Entre as 40,4 milhões de notas fiscais de serviço analisadas neste capítulo, 17,6% já apresentavam o preenchimento dos campos destinados ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), indicando que a transição para o novo modelo tributário na economia de serviços ainda ocorre de forma gradual.

“Estamos vivendo um momento em que os dados fiscais deixam de ser apenas uma obrigação regulatória e passam a gerar inteligência de negócios. Quanto mais as empresas conseguem transformar essas informações em conhecimento sobre sua operação, mais preparadas estarão para tomar decisões, reduzir desperdícios e ganhar competitividade”, finaliza o executivo.

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