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Viver mais exige repensar a forma como moramos: o desafio da longevidade além da saúde

Créditos da imagem: Divulgação

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Em encontro promovido pela Comunidade Söderhem, em Florianópolis, com prévia do documentário “Muitos Anos de Vida”, inspira reflexão sobre envelhecimento, autonomia e novas possibilidades de moradia para pessoas 60+.

O que realmente importa quando pensamos em uma vida longa? Essa foi a reflexão que reuniu convidados em Florianópolis, no dia 17 de outubro, durante um sarau promovido pela Comunidade Söderhem, fundada por Daline Hällbom. O encontro recebeu o cineasta Fernando Schultz para uma conversa sobre seu novo documentário, Muitos Anos de Vida, com estreia prevista para o final de 2027.

A produção parte de uma questão cada vez mais urgente: em uma sociedade na qual milhões de pessoas poderão chegar aos 100 anos ou ultrapassar essa idade, como garantir que os anos adicionais sejam vividos com qualidade, autonomia e propósito? Mais do que discutir o aumento da expectativa de vida, o documentário convida a repensar as narrativas sobre o envelhecimento e aquilo que torna a vida significativa.

Realizado no espaço OKA Floripa, o encontro contou com o patrocínio da Söderhem e da Domini Incorporadora e abriu espaço para uma discussão que ultrapassa os limites da saúde: a necessidade de repensar a maneira como as pessoas moram, convivem e constroem suas rotinas ao longo de uma vida cada vez mais longa.

Para Daline Hällbom, CEO da Söderhem e fundadora da Comunidade 55+, essa mudança exige um novo olhar sobre o envelhecimento. Viver mais não significa apenas ampliar o tempo de vida, mas criar condições para que as pessoas continuem fazendo escolhas, preservando sua independência e mantendo vínculos sociais significativos.

Uma nova perspectiva sobre moradia e longevidade

O envelhecimento populacional brasileiro torna essa discussão especialmente relevante. Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tinha 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% da população. Em 2010, essa faixa etária representava 10,8% dos brasileiros.

A transformação demográfica traz desafios para diferentes setores, incluindo o mercado imobiliário. Casas que exigem muita manutenção, preocupações com segurança e poucas oportunidades de convivência podem deixar de corresponder às necessidades de quem envelhece. Ao mesmo tempo, muitas pessoas não se identificam com modelos de moradia que associam a idade avançada à dependência ou à institucionalização.

É nesse contexto que conceitos como Independent Living ganham relevância. A proposta é desenvolver alternativas de moradia para pessoas que desejam continuar vivendo de forma independente, em ambientes que favoreçam a praticidade, a segurança e a convivência, sem pressupor a necessidade de cuidados permanentes.

À frente da Söderhem, iniciativa sueco-brasileira dedicada a repensar a moradia diante do aumento da longevidade, Daline acompanha essa transformação a partir de referências internacionais e da realidade brasileira. Sua atuação busca contribuir para o desenvolvimento de novas possibilidades de habitação para pessoas 60+, considerando não apenas as características físicas dos imóveis, mas também as relações e experiências que esses espaços podem proporcionar.

A discussão envolve incorporadores, arquitetos, urbanistas e outros agentes capazes de transformar a maneira como as cidades respondem ao envelhecimento. Afinal, a moradia não é apenas um espaço físico: ela influencia a autonomia, a rotina, as relações sociais e a possibilidade de continuar participando ativamente da vida em comunidade.

Longevidade também é convivência

A construção de vínculos sociais é outra dimensão importante dessa conversa. A possibilidade de compartilhar experiências, participar de atividades e manter relações significativas ajuda a ampliar o debate sobre qualidade de vida e os desafios do isolamento social.

A proposta da Comunidade é justamente estimular espaços de encontro e reflexão sobre uma nova perspectiva do envelhecimento, na qual autonomia, convivência e projetos pessoais continuam importantes em todas as fases da vida.

Ao aproximar cultura, comportamento e moradia, iniciativas como o sarau ajudam a ampliar a compreensão da longevidade como uma transformação social que exige novas respostas. O desafio não está apenas em viver mais, mas em criar condições para que as pessoas possam escolher como querem viver os anos conquistados.

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