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Wellness avança em imóveis, academias e alimentos e muda hábitos de consumo

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Conceito que associa saúde, bem-estar e qualidade de vida passa a influenciar projetos imobiliários, experiências no fitness e desenvolvimento de produtos alimentícios

O wellness deixou de estar associado apenas a spas, academias e produtos de saúde e passou a influenciar decisões de consumo em diferentes setores. Na construção civil, aparece em projetos que incorporam tecnologia, contato com a natureza e soluções voltadas ao bem-estar dos moradores. No fitness, está presente em espaços dedicados à recuperação física. Na alimentação, impulsiona produtos que combinam praticidade, proteínas e ingredientes valorizados por consumidores mais atentos à composição dos alimentos.

O movimento acompanha a expansão da chamada economia do bem-estar. Segundo o Global Wellness Institute (GWI), o mercado global movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024, alta de 7,9% em relação ao ano anterior. A entidade projeta crescimento médio anual de 7,6% até 2029, quando o setor deverá se aproximar de US$ 9,8 trilhões. No Brasil, o IMARC Group estima que o mercado de saúde e wellness tenha movimentado US$ 91,3 bilhões em 2025, com previsão de crescimento médio anual de 10,4% entre 2026 e 2034.

Embora utilizem metodologias diferentes, as estimativas mostram a dimensão de um mercado que vem ganhando espaço nas escolhas dos consumidores e nas estratégias de empresas de diferentes segmentos.

O wellness vai além da saúde

Para o Global Wellness Institute, wellness está relacionado à busca ativa por atividades, escolhas e estilos de vida voltados a um estado de saúde holística. A pandemia também ampliou a percepção sobre a importância dos cuidados com a saúde física e mental e contribuiu para colocar qualidade de vida no centro de decisões que vão desde a alimentação até a escolha de onde morar e como praticar exercícios.

Mais do que oferecer produtos ou serviços associados ao bem-estar, empresas passaram a incorporar o conceito à própria experiência de consumo.

Imóveis incorporam bem-estar desde o projeto

Um dos segmentos em que essa transformação ganha força é o mercado imobiliário. O conceito de wellness real estate reúne empreendimentos projetados para promover a saúde física, mental e social dos ocupantes. Para que um projeto seja, de fato, considerado wellness, no entanto, o bem-estar precisa estar presente desde a concepção arquitetônica, e não apenas aparecer na forma de serviços ou amenidades acrescentados a um edifício convencional.

Uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, realizada em março de 2026 com mais de mil consumidores brasileiros, mostrou que 78% dos entrevistados afirmam que um empreendimento com conceito wellness influencia positivamente sua decisão de compra. Para 60%, a melhora na saúde é o principal motivo para buscar determinadas características em um imóvel.

Atenta a esse movimento, a incorporadora curitibana Damiani criou o selo Damiani Welltec, que reúne tecnologia e soluções voltadas ao bem-estar. Entre os recursos considerados estão qualidade do ar, filtragem de água, iluminação circadiana, biometria, automação IoT e design biofílico.

A proposta é integrar essas soluções a uma mesma lógica de projeto, com critérios que possam ser identificados, avaliados e aplicados nos diferentes empreendimentos.

“Estamos falando de pensar o bem-estar desde o projeto e não apenas de acrescentar uma área de lazer ao empreendimento. Por isso, buscamos também locais que favoreçam a mobilidade a pé e a conexão com o entorno”, afirma Bruno Damiani, CEO da empresa.

Além dos recursos tecnológicos, os empreendimentos podem incorporar estruturas como hortas compartilhadas, piscinas aquecidas, bicicletários, spas, smart markets, espaços para esportes como beach tennis e pickleball e ambientes de convivência. “A ideia é estimular hábitos relacionados à atividade física, contato com a natureza e sociabilidade”, diz Marçal Ambrósio, sócio da MB2 e diretor da Damiani. 

Academia amplia experiência com recuperação

No fitness, a transformação aparece na ampliação da experiência oferecida pelas academias. O espaço deixa de ser visto apenas como local de treinamento e passa a reunir exercício, recuperação e bem-estar.

A Force One, que conta com 22 unidades no Paraná, Santa Catarina e São Paulo, incorporou áreas de recovery à proposta de suas novas unidades. Os ambientes são dedicados à recuperação muscular e contam com recursos como cadeiras massageadoras, macas, pistolas de massagem e sauna.

“A recuperação faz parte do resultado. Criamos um espaço pensado para que o aluno desacelere e cuide do corpo com calma, em um ambiente mais privado. É uma evolução da experiência dentro da academia e acompanha uma visão mais ampla de wellness”, afirma Renan Pedroche, fundador e CEO da Force One.

A mudança acompanha uma percepção crescente de que a prática esportiva não termina no treino. Descanso, recuperação e cuidados com o corpo passam a fazer parte da jornada de quem busca qualidade de vida e desempenho.

Do produto à experiência: wellness também chega aos eventos

A associação entre alimentação, atividade física e bem-estar também aparece em experiências criadas pelas próprias marcas. É o caso da Body On, nova linha de snacks proteicos da Barion, que será lançada oficialmente em Curitiba com uma manhã gratuita de atividades físicas no Parque Barigui, no dia 29 de agosto.

A programação, realizada na Olaria do Parque, reúne yoga, corrida, ballet funcional e beach tennis. A proposta é aproximar o lançamento da marca do cotidiano de um consumidor que busca uma rotina mais ativa, sem dissociar nutrição, praticidade e prazer.

“A Body On nasceu para acompanhar um consumidor que valoriza equilíbrio, praticidade e sabor. Queremos que esse lançamento vá além dos produtos e proporcione uma experiência que incentive hábitos saudáveis e momentos de conexão entre as pessoas”, afirma Leonardo Barion, diretor comercial da marca.

A nova linha reúne snacks proteicos em diferentes categorias, incluindo rolinhos de wafer nos sabores chocolate e peanut butter, wafers recheados, sticks de chocolate ao leite, bombons proteicos e creme de avelã com cacau produzido com whey protein isolado.

Os produtos fornecem entre 4,3 gramas e 20 gramas de proteína por porção e foram desenvolvidos como opções práticas para diferentes momentos da rotina, dos lanches intermediários ao pré e pós-treino.

Com mais de 65 anos de atuação no desenvolvimento de chocolates e snacks, a Barion amplia, com a Body On, sua presença em uma categoria impulsionada pela busca por alimentos que conciliem conveniência, atributos nutricionais e sabor.

Segundo levantamento da BRASNUTRI, com base em dados da Euromonitor International, o mercado brasileiro de suplementos alimentares movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões em 2025 e deve alcançar R$ 13,8 bilhões até 2030.

A chegada da Body On também dialoga com a chamada indulgência equilibrada, tendência que busca conciliar prazer e atributos nutricionais. Nesse movimento, produtos tradicionalmente associados à indulgência, como chocolates, wafers e cremes, passam a incorporar características valorizadas pelo consumidor, como maior teor de proteínas e opções sem adição de açúcar.

Alimentação combina saúde e praticidade

A transformação também chegou à indústria de alimentos. Com consumidores mais atentos aos rótulos, à origem dos ingredientes e ao nível de processamento, cresce a busca por produtos que conciliem praticidade e características associadas a uma alimentação mais equilibrada.

A Polpa Brasil vem investindo nesse movimento por meio da linha Nátikos, desenvolvida com foco em ingredientes naturais e diferentes ocasiões de consumo. Entre os produtos estão barras proteicas com 12 gramas de proteína, bolinhas de frutas recheadas e a linha Nátikinhos, voltada a crianças, famílias e consumidores veganos.

A proposta da empresa é ampliar as possibilidades de consumo de frutas e outros ingredientes, associando praticidade a formulações que valorizam suas características naturais.

“O consumidor mudou e a indústria precisou evoluir junto. Hoje, inovação não significa apenas criar novos produtos, mas desenvolver alimentos que preservem a qualidade nutricional, utilizem ingredientes naturais e ofereçam praticidade para o dia a dia”, afirma Ramon Lacowicz, CEO da Polpa Brasil.

Para a nutricionista da empresa, Andressa Meira, a mudança também está relacionada à forma como as pessoas escolhem o que consumir.

“Hoje as pessoas querem alimentos que façam sentido para a saúde e para a rotina. Elas leem os rótulos, procuram ingredientes que conhecem e valorizam produtos que preservam as características naturais. As informações nutricionais passaram a ter um peso maior nas decisões de compra”, afirma.

Uma mudança que atravessa setores

Embora atuem em mercados diferentes, Damiani, Force One, Body On e Polpa Brasil respondem a uma mesma transformação: o wellness começa a funcionar como um atributo de valor para produtos, serviços, espaços e experiências.

Na escolha de um imóvel, na jornada dentro de uma academia, na participação em uma atividade ao ar livre ou na composição de um alimento, aspectos relacionados à saúde, à recuperação, à praticidade e à qualidade de vida passam a fazer parte da decisão de consumo.

Mais do que uma tendência restrita ao universo da saúde, o wellness se consolida como um conceito capaz de influenciar diferentes mercados — e de aproximar marcas de um consumidor que busca incorporar o bem-estar à própria rotina.

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