{"id":1075,"date":"2018-11-05T12:58:38","date_gmt":"2018-11-05T12:58:38","guid":{"rendered":"http:\/\/economiasa.com.br\/?p=1075"},"modified":"2018-11-05T12:58:38","modified_gmt":"2018-11-05T12:58:38","slug":"saude-no-brasil-o-que-esperar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/economiasa.com.br\/blog\/saude-no-brasil-o-que-esperar\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade no Brasil: o que esperar?"},"content":{"rendered":"<p><em>Passados 30 anos de SUS, pesquisa aponta que h\u00e1, ainda, muitos desafios da gest\u00e3o pela frente e urg\u00eancia de inova\u00e7\u00e3o <\/em><\/p>\n<p>Apenas 10% da popula\u00e7\u00e3o brasileira considera os servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica e privada bom no pa\u00eds.A pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), no final do semestre passado,pelo Instituto Datafolha, ouviu 2.087 brasileiros, onde 55% consideram a sa\u00fade p\u00fablica e privada ruim ou p\u00e9ssima. 34% apenas, regular.<\/p>\n<p>Em uma outra pesquisa realizada tamb\u00e9m pelo Instituto Datafolha e CFM, a maioria da popula\u00e7\u00e3o aponta como raz\u00f5es do seu ju\u00edzo cr\u00edtico de insatisfa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade p\u00fablica uma grande dificuldade no acesso aos servi\u00e7os especializados da rede p\u00fablica de sa\u00fade. As principais queixas foram: atendimento com m\u00e9dicos especialistas (74%); marca\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o de cirurgia (68%); interna\u00e7\u00e3o nas UTIs (64%); acompanhamento com profissionais, como psic\u00f3logos, nutricionistas\u2026 (59%) e realiza\u00e7\u00e3o de procedimentos mais espec\u00edficos, como quimioterapia, radioterapia, di\u00e1lises, entre outros.<\/p>\n<div id=\"attachment_1076\" style=\"width: 222px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1076\" class=\"wp-image-1076 size-full\" src=\"http:\/\/economiasa.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Joao-Luiz.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"212\" \/><p id=\"caption-attachment-1076\" class=\"wp-caption-text\">Jo\u00e3o Luiz Ferreira Costa, Gestor Executivo e de Neg\u00f3cios S\u00eanior em Sa\u00fade<\/p><\/div>\n<p>No ano em que, concomitantemente, se comemora os 30 anos da constitui\u00e7\u00e3o federal, a Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 e os 30 anos do SUS, o que se pode esperar da sa\u00fade no Brasil, j\u00e1 que a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 consagrou a sa\u00fade como direito de todos e dever do Estado? Para ajudar a entender a atual situa\u00e7\u00e3o, a Revista Economia S\/A ouviu o m\u00e9dico intensivista e nefrologista, Jo\u00e3o Luiz Ferreira Costa, gestor executivo e de neg\u00f3cios s\u00eanior em Sa\u00fade, com 27 anos de experi\u00eancia em \u00e1rea privada e governamental, al\u00e9m de ter atuado como subsecret\u00e1rio de Aten\u00e7\u00e3o Hospitalar de Urg\u00eancia e Emerg\u00eancia do munic\u00edpio do Rio de Janeiro, no per\u00edodo de 2008 a 2015.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Economia S\/A: <\/strong>Quais s\u00e3o os desafios mais comuns encontrados na gest\u00e3o hospitalar e como enfrent\u00e1-los?<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Luiz:<\/strong> Eu diria que os desafios mais comuns na gest\u00e3o hospitalar, nos dias de hoje, mais do que nunca, s\u00e3o entender a necessidade de buscar inserir o hospital numa rede mais ampla de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade. Ou seja, o hospital como um ponto isolado de cuidado a doen\u00e7a vem perdendo resolutividade e economicidade. N\u00e3o basta o hospital exercer um papel de cuidar da doen\u00e7a. O que a sociedade quer, o que os pacientes querem \u00e9 recuperar o m\u00e1ximo da sua sa\u00fade, o m\u00e1ximo da sua autonomia e da sua capacidade de exercerem o seu livre arb\u00edtrio, de cuidarem de suas vidas, de terem prazer nas suas vidas, em resumo, de serem felizes. N\u00e3o querem apenas \u201cuma cirurgia bem-sucedida\u201d, mas \u201cdoutor, preciso voltar para a minha vida\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante, porque isso nos remete a um ponto maior, maior mesmo que o papel do hospital, do que significa o segmento sa\u00fade para a sociedade e para os indiv\u00edduos. O segmento sa\u00fade, ou o segmento assist\u00eancia m\u00e9dica, de uma forma um pouco mais restrita, n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo. Ele \u00e9 um meio. As pessoas n\u00e3o nasceram e n\u00e3o vivem para cuidarem de sua doen\u00e7a ou da sua sa\u00fade. Elas vivem para cuidar da vida delas, para que elas sejam felizes, tenham prazer e consigam se manter com seus meios pr\u00f3prios. Tenham autonomia e tenham liberdade de escolhas. Olhando por esse prisma, tudo que se faz no segmento sa\u00fade \u00e9 meio e n\u00e3o fim. Isso \u00e9 uma coisa importante para que os planejadores de governo, de uma forma geral, ou mesmo os altos gestores das empresas consigam dar uma dimens\u00e3o correta do que significa aplicar recursos em sa\u00fade. \u00c9 gasto. Mas n\u00e3o \u00e9 despesa. \u00c9 investimento. De uma forma mais espec\u00edfica, a quest\u00e3o do hospital, ele tem que estar adequado no tamanho e na sua especificidade, ou seja, na qualidade e na quantidade, para aquilo que aquela popula\u00e7\u00e3o que vai utiliz\u00e1-lo necessita e valoriza.<\/p>\n<p><strong>Economia S\/A:\u00a0<\/strong>\u00c9 poss\u00edvel afirmar que o SUS \u00e9, de fato, um sistema vi\u00e1vel?<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Luiz:\u00a0<\/strong>O SUS, conforme mencionado anteriormente, para que ele seja vi\u00e1vel, em primeiro lugar, n\u00f3s dever\u00edamos ter uma no\u00e7\u00e3o muito mais clara, e isso vem melhorando, ao longo dos anos, das necessidades e valores da popula\u00e7\u00e3o. Essas necessidades, que devem atender e estar alinhadas com os valores estrategicamente capturados, entendidos e definidos, elas passam, desde a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade at\u00e9 a preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, chegando na chamada Aten\u00e7\u00e3o Hospitalar. Normalmente n\u00f3s tentamos reduzir a ideia do SUS \u00e0 Aten\u00e7\u00e3o Hospitalar (ao que acontece nos hospitais, o que acontece nas emerg\u00eancias). Isso \u00e9 um erro! Isso \u00e9 um engano! E car\u00edssimo. A\u00ed, sim, um desperd\u00edcio. O SUS, para que ele seja vi\u00e1vel, h\u00e1 que ser paradoxalmente maior do que isso, ou seja, se n\u00f3s focarmos todos os recursos na \u00e1rea hospitalar, n\u00f3s vamos ser sempre insuficientes, porque a demanda de sa\u00fade, ou melhor, de atendimento para doen\u00e7a, como em algumas outras \u00e1reas econ\u00f4micas, quanto mais voc\u00ea oferta, mais ela cresce. \u00c9 o caso, por exemplo, de uma pessoa saud\u00e1vel, mas que queira realizar uma cirurgia para aumento ou redu\u00e7\u00e3o de seio, ou mudan\u00e7a de sexo, pois isso mexe com a sua sa\u00fade mental. Se o sistema \u00e9 universal, integral, ter\u00e1 de cobrir tudo isso. Neste sentido, \u00e9 importante tentar entender e dar uma escala de prioridades a estas demandas e adequar isso a um or\u00e7amento existente, seja em governan\u00e7a p\u00fablica ou privada.<\/p>\n<p><strong>Economia S\/A:\u00a0<\/strong>Dentro desta perspectiva, h\u00e1 como comprovar que o sistema \u00e9 bom?\u00a0Que de fato \u00e9 eficaz?<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Luiz:\u00a0<\/strong>Antes de afirmar se o sistema \u00e9 bom, se possui efic\u00e1cia, se al\u00e9m de funcionar, ele atende aos objetivos ao qual ele se prop\u00f5e e se tem efici\u00eancia, dentro dos recursos financeiros humanos e de v\u00e1rias naturezas existentes, eu preciso medir essas coisas. Ou seja, eu tenho que ter uma escala de medidas, eu tenho que ter indicadores, tenho que ter uma m\u00e9trica ao longo do tempo para observar o comportamento dessas m\u00e9tricas para poder responder com precis\u00e3o essa pergunta. Hoje isso n\u00e3o \u00e9 feito. Isso \u00e9 feito de uma maneira muito rudimentar. E mais: n\u00e3o adianta eu dizer para o paciente diab\u00e9tico que a glicose dele est\u00e1 controlada. E eu e ele temos que saber o quanto est\u00e1 controlada e o que isso significa para a vida dele e para a capacidade de resposta do sistema de sa\u00fade como um todo, incluindo o hospital. A quest\u00e3o \u00e9: a glicose dele est\u00e1 controlada e ele tem uma capacidade laborativa adequada para aquilo, ou seja: \u2018eu n\u00e3o tenho amputa\u00e7\u00f5es, eu n\u00e3o tenho insufici\u00eancia renal, eu n\u00e3o tenho problemas oculares, eu n\u00e3o tenho problemas cardiol\u00f3gicos, de uma forma descontrolada\u2019. Porque o mais importante para o paciente \u00e9 esse resultado final, do que saber que a glicose est\u00e1 controlada. A glicose controlada \u00e9 um indicativo t\u00e9cnico-m\u00e9dico para que esse objetivo seja atingido. Voc\u00ea pode at\u00e9 educar o paciente para isso, mas no final das contas, o que voc\u00ea tamb\u00e9m precisa medir, em termos pol\u00edticos, em termos de um todo, \u00e9 o resultado e o impacto que aquilo tem na vida do paciente. Uma m\u00e9trica centrada no paciente, no usu\u00e1rio, \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p><strong>Economia S\/A:\u00a0<\/strong>Diariamente os notici\u00e1rios exibem imagens de pacientes \u00e0 merc\u00ea, sem leito, enfrentando o caos da superlota\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds, o que prova que o sistema de sa\u00fade brasileiro \u00e9 um tanto amador. Em que precisamos amadurecer? Podemos afirmar que houve alguma melhora?<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Luiz:\u00a0<\/strong>N\u00f3s n\u00e3o precisamos de mais leitos. N\u00e3o precisamos de mais hospitais. N\u00f3s precisamos de usar e adequar TODOS os leitos e hospitais j\u00e1 existentes de forma MUITO mais eficiente. N\u00f3s precisamos coordenar e integrar o que j\u00e1 existe em um CUIDADO GLOBAL BEM GERIDO, INTEGRADO, COORDENADO e com informa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade fluindo por todos os prestadores de servi\u00e7o, ambulatoriais e hospitalares. Cerca de 80% dos problemas podem ser resolvidos antes do hospital e fora dele. E muitos tamb\u00e9m com menores tempos de perman\u00eancia dentro do hospital, reduzindo grandes tempos de hospitaliza\u00e7\u00e3o que afastam o paciente de sua vida, de sua fam\u00edlia, comunidade e trabalho. Ou seja, se voc\u00ea tiver uma cobertura de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria distribu\u00edda de forma racional pelo pa\u00eds, n\u00e3o s\u00f3 em termos de quantidade de popula\u00e7\u00e3o, mas a distribui\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio, em termos de densidade demogr\u00e1fica, voc\u00ea vai ter uma aten\u00e7\u00e3o pr\u00e9-hospitalar; uma aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria que evita a maior parte das idas \u00e0s emerg\u00eancias dos hospitais. Ent\u00e3o este \u00e9 o primeiro aspecto. O segundo \u00e9 fazer com que esses hospitais e emerg\u00eancias se comuniquem com a Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria e a Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria se comunique com ele. Tem que haver troca de informa\u00e7\u00f5es, a respeito dessas quest\u00f5es. Depois quando voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 dentro do hospital, voc\u00ea tem que ter mecanismos de fluxo operacional, de protocolos coerentes com essa linha de cuidados, que vem desde antes do hospital e vai continuar depois do hospital e uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es que reduza o tempo m\u00e9dio de interna\u00e7\u00e3o. O paciente tem que ficar o menos tempo poss\u00edvel dentro do hospital e tem que sair do hospital em fase avan\u00e7ada de reabilita\u00e7\u00e3o e j\u00e1 direcionar para a reabilita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o adianta, por exemplo, ele fazer uma super cirurgia ortop\u00e9dica e n\u00e3o fazer a fisioterapia. N\u00e3o adianta dizer que a cirurgia foi um sucesso. O sucesso \u00e9 o paciente andar. E depois \u00e9 importante que o paciente tenha uma linha coerente que a gente chama de aten\u00e7\u00e3o domiciliar e aten\u00e7\u00e3o ambulatorial. Se voc\u00ea resolver essas quest\u00f5es, voc\u00ea utilizar\u00e1 muito melhor os leitos existentes. Segura e matematicamente n\u00e3o haveriam mais filas f\u00edsicas ou \u201cvirtuais\u201d em listas de espera.<\/p>\n<p><strong>Economia S\/A:\u00a0<\/strong>Um outro problema que se nota \u00e9 que os graves problemas de saneamento b\u00e1sico e educa\u00e7\u00e3o do nosso pa\u00eds dificultam e interferem, ainda mais, na gest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica e privada. Voc\u00ea acha que est\u00e1 faltando integra\u00e7\u00e3o na busca de solu\u00e7\u00f5es entre os setores de sa\u00fade p\u00fablica e privada brasileira?<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Luiz:<\/strong> S\u00e3o dois temais imensos que voc\u00ea questiona. Sendo muito amplo na resposta, estas quest\u00f5es est\u00e3o muito ligadas \u00e0 governan\u00e7a. O que falta a\u00ed, em termos p\u00fablicos, \u00e9 governan\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 transpar\u00eancia e n\u00e3o existe equidade na administra\u00e7\u00e3o desses recursos. De uma forma geral, por exemplo, a quest\u00e3o do saneamento, ela est\u00e1 muito aqu\u00e9m do que deveria estar. O aumento da expectativa de vida est\u00e1 relacionado, basicamente, \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, como acesso e cuidados com a \u00e1gua clorinada, com o meio ambiente (o pr\u00f3prio tratamento de dejetos e diversos tipos de lixo). E como s\u00e3o obras, ou melhor, resultados que n\u00e3o se veem, s\u00e3o mais dif\u00edceis de acontecerem, o que acaba interferindo na sa\u00fade, em geral. E isso diz respeito \u00e0s quest\u00f5es pol\u00edtico-eleitorais e de \u201cobras\u201d que impressionem o p\u00fablico eleitor. Neste aspecto a quest\u00e3o educacional \u00e9 crucial, quando empodera e responsabiliza o indiv\u00edduo-cidad\u00e3o para cuidar de sua sa\u00fade e de si mesmo e aprenda a identificar tais pontos como essenciais e n\u00e3o apenas a \u201cconseguir uma dentadura ou uma cirurgia de ves\u00edcula\u201d.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de setores p\u00fablicos e privados na Sa\u00fade, a quest\u00e3o passa n\u00e3o somente por falta de bases e fluxos de informa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade entre as duas esferas, mas tamb\u00e9m pela aus\u00eancia de um projeto maior de Sa\u00fade com as caracter\u00edsticas que apontamos acima.<\/p>\n<p><strong>Economia S\/A:\u00a0<\/strong>Podemos afirmar que os planos de sa\u00fade aliviam a press\u00e3o sobre o SUS?<\/p>\n<p><strong>Joao Luiz:\u00a0<\/strong>A Sa\u00fade Suplementar significaria que voc\u00ea tem uma eficiente, efetiva e eficaz sa\u00fade governamental e voc\u00ea oferece por um valor diferente algo a mais, al\u00e9m, que na realidade, do ponto de vista \u00e9tico n\u00e3o poderia ser essencial no cuidado da sa\u00fade. Mas seria de hotelaria, de conveni\u00eancia, mas a ess\u00eancia da Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade como um todo devia ser, pelo menos, igual.<\/p>\n<p>A Sa\u00fade Suplementar, ou seja, voc\u00ea pagar a mais, por essas coisas, n\u00e3o deveria necessariamente aliviar, porque voc\u00ea continua com direito cidad\u00e3o de usar a sa\u00fade governamental. Mas na pr\u00e1tica, ela drena, s\u00f3 que ela n\u00e3o drena tudo. Por exemplo: a cobertura vacinal, todas as outras quest\u00f5es, de car\u00e1ter n\u00e3o hospitalar, continuam sendo atendidas ali, na \u00e1rea governamental.<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m o conceito da complementaridade, ou seja, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) ele n\u00e3o \u00e9 exercido, no Brasil, total e integralmente por funcion\u00e1rios p\u00fablicos. Pelo contr\u00e1rio, a maior parte do SUS no Brasil, como um todo, \u00e9 exercido por complementaridade. O SUS tem uma tabela em que ele paga prestadores particulares para fazer o trabalho dele. S\u00f3 que uma tabela congelada h\u00e1 anos e n\u00e3o articulada com um sistema mais amplo como discutimos acima. Paga mal o que produz em quantidade. Ent\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil dar uma resposta assertiva se o sistema realmente desafoga. Diria que \u201cdesafogar\u201d \u00e9 um verbo inadequado, ele precisaria INTEGRAR de forma complementar.<\/p>\n<p><strong>Economia S\/A:\u00a0<\/strong>Qual \u00e9 o principal desafio para o pr\u00f3ximo presidente da rep\u00fablica no que tange o direito \u00e0 sa\u00fade, conforme nossa Constitui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Luiz:<\/strong> N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, a cada gest\u00e3o, querer inventar uma nova solu\u00e7\u00e3o, para qualquer coisa, principalmente para a \u00e1rea da sa\u00fade. A sa\u00fade j\u00e1 tem todo seu esquema mental, como apontamos acima. J\u00e1 est\u00e1 equacionada. O problema \u00e9 que a cada governo eles querem achar uma solu\u00e7\u00e3o nova e isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. N\u00e3o d\u00e1 para come\u00e7ar do zero, a cada vez. Ent\u00e3o eu diria que o maior desafio dele \u00e9 compatibilizar a crise fiscal imensa que o pa\u00eds est\u00e1 passando (ele n\u00e3o tem um encontro de contas do que arrecada e do que precisa gastar). Eles v\u00e3o ter que escalonar essas prioridades or\u00e7ament\u00e1rias atendendo ao reequil\u00edbrio fiscal, \u00e0 disponibilidade or\u00e7ament\u00e1ria para fazer o que \u00e9 preciso e, dentro disso, estabelecer prioridades. E essas prioridades t\u00eam que obedecer a um planejamento que j\u00e1 existe, a despeito de qualquer ideologia, de qualquer governo que tenha passado.<\/p>\n<p>Eu diria que um grande investimento que precisa ser feito \u00e9 na \u00e1rea de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (tecnologias leves) fluxo de informa\u00e7\u00e3o, que viabilize a pr\u00f3pria gest\u00e3o do sistema. E educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 educa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e continuada, dos profissionais envolvidos com sa\u00fade, mesmo os administrativos e de apoio al\u00e9m dos de sa\u00fade em si, mas educa\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o em saber utilizar esse sistema dentro de uma perspectiva de tamb\u00e9m se responsabilizar por sua pr\u00f3pria sa\u00fade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados 30 anos de SUS, pesquisa aponta que h\u00e1, ainda, muitos desafios da gest\u00e3o pela frente e urg\u00eancia de inova\u00e7\u00e3o Apenas 10%&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1077,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[283],"tags":[406,407,408,409,210,410,411,412,413,414],"ppma_author":[13249],"class_list":{"0":"post-1075","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-cfm","9":"tag-conselho-federal-de-medicina","10":"tag-rede-privada","11":"tag-rede-publica","12":"tag-saude","13":"tag-saude-no-brasil","14":"tag-saude-privada","15":"tag-saude-publica","16":"tag-sistema-unico-de-saude","17":"tag-sus"},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Sa\u00fade no Brasil: o que esperar? 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